Governador Carlos Brandão nega envolvimento em organização criminosa investigada pela PF no Maranhão | G1
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), negou neste sábado (15) qualquer envolvimento com uma organização criminosa investigada pela Polícia Federal (PF) no estado. A manifestação ocorre após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornar públicas, na sexta-feira (14), três decisões relacionadas às investigações.
As apurações envolvem suspeitas de desvio de recursos públicos, irregularidades em contratos, obstrução da Justiça e um homicídio ocorrido em 2022. Brandão afirmou que não teve participação em crimes e disse considerar as suspeitas uma tentativa de atingir sua imagem em período eleitoral.
“Eu não tenho nenhum envolvimento com crime, com corrupção, isso não existe. Isso é coisa factóide de época de eleição”, afirmou o governador.
Governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB) — Foto: Reprodução/ TV Mirante
Brandão também citou a própria trajetória política e afirmou que, antes de chegar ao governo, exerceu cargos de secretário de Estado, deputado federal e vice-governador. Segundo ele, suas contas durante a passagem pelo serviço público foram analisadas pelos órgãos responsáveis.
O governador disse ainda que não conhece todo o conteúdo da investigação e afirmou não ver fundamento nas suspeitas levantadas contra ele.
Na sexta-feira (14), a assessoria do governador também questionou a competência do STF para analisar fatos relacionados a autoridades estaduais e criticou a atuação de Flávio Dino no caso. Brandão sustenta que autoridades com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) devem ter as investigações encaminhadas àquela corte.
A assessoria de Flávio Dino afirmou que o ministro não participa de debates políticos desde fevereiro de 2024, quando assumiu o cargo no STF, e que atua apenas nos processos distribuídos a ele conforme as regras do tribunal.
Caso começou após assassinato de empresário
Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior foi apontado como executor do crime e condenado pela Justiça maranhense a 13 anos de prisão. A investigação avançou para apurar se o homicídio poderia ter relação com uma suposta cobrança de propina envolvendo contratos públicos.
Segundo a Polícia Federal, as apurações passaram a indicar possíveis conexões entre o assassinato e um esquema de desvio de recursos públicos. Entre os nomes citados na investigação está Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e sobrinho do governador. A PF também investiga Carlos Brandão sob suspeita de liderar uma organização relacionada ao caso. O governador nega qualquer envolvimento.
Brandão afirmou que considerava o caso encerrado após a condenação do autor do homicídio e disse estranhar que a investigação volte a atingir integrantes de sua família às vésperas das eleições.
“Esse caso, ele já foi julgado, o réu confessou o crime, ele foi julgado e condenado a 13 anos de cadeia. Então, para mim, era um caso que já tinha sido encerrado, porque ele confessou o crime. E em nenhum momento envolve qualquer pessoa da minha família”, afirmou.
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Investigação chegou ao STF
A Polícia Federal analisou dados do celular de Weverton, apreendido em outra investigação, e identificou contatos entre o senador e o ministro do STJ Humberto Martins. Segundo a PF, houve mensagens, ligações e outros contatos entre os dois entre janeiro de 2023 e outubro de 2025.
A investigação destacou uma troca de mensagens e uma ligação de cerca de cinco minutos em 2 de junho de 2025. Na mesma data, Humberto Martins determinou a transferência de Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, para Brasília.
A PF apura se Weverton tentou interferir no andamento das investigações. O senador nega irregularidades e classificou como “forçação de barra” relacionar os contatos com Humberto Martins às decisões tomadas no processo.
Humberto Martins não é formalmente investigado. Procurado sobre o caso, o ministro informou que não se manifestaria e disse que os autos foram encaminhados ao STF.
Ex-secretário é investigado por suspeita de coação
Outro investigado é o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim. Em julho, Flávio Dino determinou a prisão domiciliar preventiva dele no âmbito da investigação.
Segundo a Polícia Federal, Cutrim é suspeito de tentar fazer familiares de Gilbson alterarem depoimentos prestados durante a investigação do assassinato. Ele está em prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica.
A defesa de Raimundo Cutrim informou que não teve acesso integral aos autos e nega irregularidades.
O que diz Daniel Brandão
Daniel Brandão negou participação em qualquer negociação envolvendo pagamento de propina ou vantagem indevida. O presidente do TCE-MA afirmou que as acusações são falsas e disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimento