Grupo João Santos tenta reaver R$ 2,2 bilhões que estão com o Master

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Dinheiro e Negócios

Grupo que engloba a marca Cimento Nassau enfrenta uma das maiores e mais complexas recuperações judiciais em curso no país

03/09/2026 15:15

, atualizado 03/09/2026 15:20

Divulgação
Fábrica Cimento Nassau

Enquanto enfrenta uma recuperação judicial bilionária atolada em disputas familiares e processos judiciais, o Grupo João Santos tenta reaver papéis avaliados em R$ 2,2 bilhões que foram parar nos cofres do Banco Master.

Os precatórios foram vendidos por herdeiros do fundador do conglomerado — que reúne dezenas de empresas e marcas, como a Cimento Nassau (foto em destaque) — em uma operação fracionada entre os anos de 2019 e 2020. À época, o Master já pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro, mas operava com o nome Banco Máxima.

De lá para cá, os precatórios engordaram o balanço do Master e serviram de âncora para a expansão do banco de Daniel Vorcaro.

A atual diretoria do grupo tenta, na Justiça do Estado de Pernambuco, anular integralmente a venda e retomar o controle dos papéis. Entre os argumentos está o deságio superior a 80% praticado na operação. Avaliados em R$ 1 bilhão no momento da venda, os papéis foram comercializados por R$ 180 milhões. Com a devida correção, os precatórios valem R$ 2,2 bilhões atualmente.

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Além disso, argumentam que só R$ 30 milhões entraram de fato nas contas da empresa. O restante do dinheiro teria sido remetido para empresas sediadas na Suiça por meio de contas correntes mantidas pelo próprio Master.

Em setembro de 2025, a Justiça Federal de Pernambuco reconheceu a fraude na alienação e bloqueou os títulos, impedindo o repasse dos ativos. O motivo, no entanto, foi outro. Para a Justiça, a empresa não poderia ter vendido os precatórios por acumular dívidas também bilionárias com a União.

A liquidação do Master expôs o emaranhado de papéis podres que estruturam as operações do banco de Daniel Vorcaro. Os precatórios do grupo João Santos, no entanto, estão entre os itens considerados como valiosos pelo mercado.

Antes da decisão judicial, outros bancos chegaram a fazer propostas pelos papéis. Até um novo veredicto, no entanto, os precatórios precisam ficar onde estão: nos cofres do Master.

Origem

A origem dos precatórios remonta aos anos de hiperinflação e à política de tabelamento de preços no Brasil. Décadas depois, o governo federal foi condenado a indenizar as usinas do setor sucroalcooleiro por perdas financeiras causadas pelo controle de preços exercido pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) entre junho de 1989 e maio de 1994.

Especificamente, a dívida da União que deu origem aos precatórios tem a Companhia Agro Industrial de Goiana (CAIG) como credora. A CAIG é dona da Usina Santa Tereza, em Pernambuco, controlada pelo Grupo João Santos.

O império industrial erguido pelo economista João Pereira dos Santos reúne 43 empresas, englobando fábricas de cimento, usinas de açúcar, ativos imobiliários e meios de comunicação.

Em 2009, João Santos faleceu aos 101 anos. Após a sua morte, os herdeiros iniciaram uma disputa ferrenha pelo controle do patrimônio. São, ao todo, seis linhagens de sucessores que travam verdadeiras batalhas judiciais. Em 2022, com uma dívida de R$ 14 bilhões, o conglomerado ajuizou seu pedido de recuperação judicial.

Em agosto deste ano, como mostrou o Metrópoles, a recuperação judicial do grupo foi parar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma das famílias de herdeiros acionou a corte pedindo o afastamento do juiz e da administradora judicial responsáveis pelo processo de reestruturação do conglomerado.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Mauro Campbell, corregedor no CNJ, no entanto, negou os pedidos e arquivou o processo.