GWM Haval H6 PHEV35 e VW Tiguan custam quase o mesmo; 2.0 TSI supera híbrido plug-in?
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Se houve um segmento como primeiro alvo das marcas chinesas, sem dúvida, foi o dos SUVs médios-grandes. BYD Song Plus, Geely EX5, GWM Haval H6 e Leapmotor C10 passaram a disputar clientes com Chevrolet Equinox, Jeep Commander, Toyota RAV4 e Volkswagen Tiguan nos últimos três anos. Agora as marcas tradicionais buscam meios para não perder o espaço no qual reinavam.
As chinesas ainda estão construindo sua reputação no Brasil, mas contam com atrativos: seus SUVs são híbridos plug-in e podem se beneficiar de redução ou isenção de IPVA e de rodízio (no caso da cidade de São Paulo). Além do mais, entregam mais potência e a promessa de maior eficiência, e cobram menos. É isso que está fazendo clientes que sempre tiveram carros a combustão pensar duas vezes antes de gastar entre R$ 200.000 e R$ 300.000 em um SUV.
Se a dúvida existe na cabeça do consumidor, é nossa obrigação esclarecer, comparando as duas possibilidades: SUV a combustão x SUV híbrido plug-in. Para isso, reunimos representantes que são referências de cada lado das alternativas.
Representando os carros a combustão, o novo VW Tiguan R-Line chegou às lojas recentemente mais sofisticado e espaçoso, e mais potente do que nunca, fazendo jus ao desempenho que lhe conferiu uma legião de fãs nas gerações anteriores. Do lado dos híbridos plug-in, está o GWM Haval H6 PHEV35, que passou por atualização no design, na cabine e na dinâmica, no fim de 2025, e vem construindo uma boa reputação em pós-venda, principalmente agora que parte das unidades vendidas já é montada no Brasil, na fábrica de Iracemápolis (SP).
São dois SUVs de porte equivalente, com tração integral, mais potentes que seus pares e com preços muito próximos: o Tiguan custa R$ 299.990 e o Haval H6, R$ 289.000. Como o VW perdeu a terceira fila de assentos, ambos também estão alinhados na capacidade a bordo, para cinco ocupantes. Eles podem ser diametralmente opostos em outros aspectos, como comportamento dinâmico, por exemplo, mas o novo Tiguan se aproximou bastante dos chineses.
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A Volkswagen vem tentando desconstruir a imagem sisuda de antes. O novo Tiguan segue uma linguagem de estilo, sem um vinco marcante na linha de cintura e com formas mais orgânicas nos faróis e nas lanternas, e se dá o direito de cometer exageros com a tomada de ar dianteira e a falsa saída de ar no para-choque traseiro. Ainda tem um arco prateado delimitando os vidros laterais, que dá a impressão de um caimento mais acentuado para o teto. Desta forma, suas proporções estão mais equilibradas.
Essa mudança de abordagem também é vista na cabine do Tiguan, onde a nova central multimídia de 15” salta da parte superior, deslocando para baixo as saídas de ar-condicionado, ao passo que o quadro de instrumentos digital se camufla na faixa de plástico preto que corre o painel de lado a lado. Esse estilo teve origem em 2019 com o modelo elétrico ID.3, mas há semelhanças com os carros chineses.
Observe a faixa que imita madeira e a alavanca de câmbio que saiu do console e foi para uma haste direita atrás do volante. No seu lugar, agora há um comando giratório com tela que funciona tanto para os modos de condução quanto para mudar o clima da cabine, alterando cor e até a equalização do som. A tela inicial da central multimídia com vários comandos de acesso rápido e o tanto de informações exibidas ao mesmo tempo no quadro de instrumentos asseguram, porém, que o Tiguan é ocidental (fabricado no México).
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É impossível não notar como o painel do GWM Haval H6 está parecido com o do Tiguan após ter trocado a antiga central de 12,3” pela nova com 14,6”, menos horizontal e com interface mais intuitiva e rápida, capaz até de exibir mapa (seja do Google Maps ou do Waze) no quadro de instrumentos. O console também foi trocado e agora tem revestimento de toque macio. Seu seletor de marcha também passou a ficar atrás do volante. Uma vantagem importante do H6 é o head-up display, a projeção de informações no para-brisa, que oTiguan não tem no Brasil. O VW também fica devendo o auto-hold para manter o carro estático por conta própria em paradas, mas seus faróis são de leds matriciais, mais avançados e precisos que os faróis de led do Haval.
Os faróis do H6, aliás, não mudaram na reestilização. O que há de novo é o prolongamento das luzes diurnas para baixo, enquanto a grade aumentou de tamanho e é formada por blocos retangulares. As lanternas cinza estrearam um ano antes. Mesmo com essa repaginada, o H6 preserva uma certa discrição: sem partes prateadas e apliques em preto brilhante, tem ares mais sofisticados.
O H6 traz outros méritos, como a largura da cabine, que é muito bem explorada pelos bancos amplos e pelo console largo. O Tiguan não passa a sensação de ser apertado, mas aproxima os ocupantes ao deixá-los mais afastados das portas. O GWM ainda tem o maior porta-malas: são 560 litros contra 423 litros no VW.
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O Tiguan leva vantagem por ter uma terceira zona de temperatura dedicada ao banco traseiro. Ali o espaço para as pernas é maior do que no H6, mas o ocupante do meio precisa conviver com um túnel central enorme – o cardã passa ali, afinal. No GWM, o assoalho é quase plano.
O abismo entre os dois está, claro, na configuração mecânica. A receita do VW Tiguan é bastante conhecida: o motor 2.0 TSI, turbo com injeção direta, está em sua quinta evolução e entrega 272 cv e 35,7 kgfm, que chegam às quatro rodas por meio do câmbio automático de oito marchas e da tração integral 4Motion, que usa um diferencial do tipo Haldex para distribuir a força entre os eixos. Em nosso teste, o Tiguan foi capaz de chegar aos 100 km/h em 7,6 segundos, 2,5 s mais cedo que o modelo anterior, com 190 cv.
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A evolução do Tiguan, porém, é ofuscada pelos 393 cv do Haval H6 PHEV35 cujo motor mais potente sozinho, o traseiro, gera 184 cv. Na dianteira, vai outro motor elétrico, com 177 cv, que dá suporte ao 1.5 turbo a gasolina de 150 cv e interage com o câmbio DHT de duas marchas para enviar sua força às rodas dianteiras. Com três motores, fica fácil explicar os meros 5,2 s para chegar aos 100 km/h. O Haval não precisa de elementos estéticos para ser esportivo, ele tem potência – que compensa seus 250 kg extras.
Linha 2027 do Haval H6 tem mudanças
O comparativo ocorreu às vésperas do lançamento da linha 2027 do Haval H6, que trouxe o motor flex e, no caso da versão PHEV35, um câmbio DHT com quatro marchas com o objetivo de melhorar o desempenho ante o consumo. A fabricante não disponibilizou a nova versão para novos testes até a publicação deste comparativo.
O VW pode ficar para trás na arrancada, mas sai na frente no prazer que proporciona ao motorista com sua entrega consistente (e previsível) de força, combinada com um ronco agradável e uma posição de dirigir melhor. O Tiguan tem dinâmica melhor e rodar mais suave, mas o Haval H6, que já foi pior nesse aspecto, conseguiu causar uma impressão melhor desta vez. Isso porque, sua reestilização foi acompanhada de um acerto de suspensão mais confortável e menos tolerante (ou saltitante) que o anterior. Além disso, seus freios passaram a exigir menos força com a adoção de um atuador eletrônico.
Quem freia melhor, no entanto, é o Tiguan, cerca de 1,2 m mais cedo em todas as medições.
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Quanto ao consumo, é claro que o Haval leva vantagem. Em modo híbrido, faz 14,1 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada, mas a bateria de 35,4 kWh permite rodar até 119 km (Inmetro) em modo elétrico – que permite alcançar os 140 km/h, e não é restrito à cidade. O Tiguan, por sua vez, conseguiu as médias de 9 km/l, na cidade, e 13,4 km/l, na estrada, ou seja: um honroso empate do motor 2.0 turbo diante do híbrido plug-in, no ciclo rodoviário.
Existe, de fato, equilíbrio entre os dois SUVs, e mesmo na retaguarda, para defender sua posição, o Volks-wagen Tiguan faz bonito. Mas a vitória no confronto fica com o GWM Haval H6, que custa R$ 10.990 mais barato, é muito mais rápido, mais espaçoso e econômico na cidade.
Veredicto
O Tiguan não deixou fácil para o Haval H6, mas o GWM cobra menos para entregar mais desempenho e menor consumo. E, se não é perfeccionista quanto o VW na dinâmica, também não desaponta.
HAVAL H6 ★★★★☆
TIGUAN ★★★★
Avaliação
CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO
O VW é mais sólido no fechar das portas e ao pendular em rampas – onde as borrachas do H6 chegam a ranger. No entanto, o Haval H6 tem melhor acabamento interno.
HAVAL H6 ★★★★☆
TIGUAN ★★★★☆
TECNOLOGIA
Ambos mantêm listas parecidas. Se o Haval H6 tem mapa nos instrumentos, head-up display e auto-hold, o Tiguan se destaca pelos faróis com leds matriciais e pela terceira zona de ar-condicionado.
HAVAL H6 ★★★★☆
TIGUAN ★★★★
VIDA A BORDO
Os carros têm porte equivalente, mas o GWM é mais largo e tira proveito disso: além da cabine ampla, seu porta-malas é um tanto maior que o do VW.
HAVAL H6 ★★★★☆
TIGUAN ★★★★
RENDIMENTO
O Tiguan vai muito bem para um carro a combustão, mas o Haval H6 o supera em todas as medições de desempenho e no consumo urbano.
HAVAL H6 ★★★★★
TIGUAN ★★★★
COMPORTAMENTO DINÂMICO
Mais leve e equilibrado, o VW Tiguan empolga e agrada mais, mesmo que o Haval seja muito mais rápido. No entanto, a suspensão do chinês teve evolução notável e não está tão atrás.
HAVAL H6 ★★★★☆
TIGUAN ★★★★
SEGURANÇA
Ambos os SUVs têm sistemas de auxílio equivalentes, mas o Volkswagen se controla melhor. O GWM tem comportamento invasivo e, por vezes, inconveniente.
HAVAL H6 ★★★★☆
TIGUAN ★★★★★
SEU BOLSO
Embora mais complexo por ser híbrido plug-in, o GWM custa R$ 10.990 a menos – o suficiente para amortizar 90% do primeiro IPVA.
HAVAL H6 ★★★★★
TIGUAN ★★★★
Ficha Técnica
GWM Haval H6 PHEV35 – Motor: gas., diant., 4 cil., 1.499 cm³, turbo, 16V, 150 cv a 5.500-6.000 rpm, 24,5 kgfm a 1.800-4.000 rpm; elétrico diant., 177 cv, 30,6 kgfm; elétrico tras., 184 cv, 23,7 kgfm Combinados: potência, 393 cv Bateria: íons de lítio, 35,4 kWh; recarga, 6,6 (AC) e 48 (DC); aut. elétrica, 119 km (PBEV) Câmbio: aut. DHT 2 marchas, tração integral AWD Direção: elétrica, 12 m diam. de giro Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.) Freios: disco vent. (diant. e tras.) Rodas e pneus: liga leve, 235/55 R19 Dimensões: compr., 470,3 cm; larg., 188,6 cm; alt. 173; entre-eixos, 273,8 cm; peso, 2.070 kg; porta-malas, 560 litros; tanque, 55 litros
VW TIGUAN R-LINE – Motor: gas., diant., 4 cil., 1.984 cm³, turbo, 16V, 272 cv a 5.500-6.500 rpm, 35,7 kgfm a 1.900-5.400 rpm Câmbio: aut. 8 marchas, tração integral AWD Direção: elétrica, 11,6 diam. de giro Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.) Freios: disco vent. (diant. e tras.) Rodas e pneus: liga leve, 255/45 R19 Dimensões: comprimento, 469,5 cm; largura, 186,6 cm; altura, 166,9 cm; entre-eixos, 279,2 cm; peso, 1.820 kg; porta-malas, 423 litros; tanque, 59,1 litros
Teste comparativo
| Aceleração | HAVAL H6 | VW TIGUAN |
| 0 a 100 km/h | 5,2 s | 7,6 s |
| 0 a 1.000 m | 25,2 s / 186,3 km/h | 27,5 s / 196,4 km/h |
| Velocidade máxima | 180 km/h* | 210 km/h* |
| Retomadas | ||
| D 40 a 80 km/h | 3,1 s | 3,2 s |
| D 60 a 100 km/h | 3 s | 3,9 s |
| D 80 a 120 km/h | 3,4 s | 4,9 s |
| Frenagens | ||
| 60/80/120 km/h a 0 | 15,4/27,1/60,1 m | 14,7/25,9/58,9 m |
| Consumo | ||
| Urbano | 14,1 km/l | 9 km/l |
| Rodoviário | 13,5 km/l | 13,4 km/l |
| Ruído interno | ||
| Neutro/RPM máx. | L.O -77,3 (CARGA) / – dBA | 39,1 / 58,8 dBA |
| 80/120 km/h | 64,3 / 69,5 dBA | 62,3 / 67,2 dBA |
| Aferição | ||
| Velocidade real a 100 km/h | 98 km/h | 97 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | – | – |
| Volante | 2,5 voltas | 2,5 voltas |
| SEU Bolso | ||
| Preço básico | R$ 289.000 | R$ 299.990 |
| Garantia | 5 anos | 5 anos |
Condições de teste: alt. 660 m; temp., 20/27,5 °C; umid. relat., 85/41%; press., 760/757 mmHg.
Realizado no ZF Campo de Provas. Dado de fábrica
Assistência ao condutor
| haval h6 | tiguan r-line |
| Sensor de estacionamento | Sensor de estacionamento |
| Piloto automático adaptativo | Piloto automático adaptativo |
| Frenagem autônoma | Frenagem autônoma |
| Alerta de ponto cego | Alerta de ponto cego |
| Centralização de faixa | Centralização de faixa |
| Leitura de placas de trânsito | Leitura de placas de trânsito |
| Prevenção de saída de faixa | Prevenção de saída de faixa |
| Câmera 360º | Câmera 360º |
| Alerta de saída de faixa | Alerta de saída de faixa |
Ergonomia
GWM Haval H6 A: 162 cm (diant.) / 157 cm (tras.) B: 98,5 cm (diant.) / 98 cm (tras.) C: 102 cm (diant.) / 96 cm (tras.)
Volkswagen Tiguan A: 156 cm (diant.) / 151 cm (tras.) B: 94,5 cm (diant.) / 95 cm (tras.) C: 99,5 cm (diant.) / 100 cm (tras.)
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