Há 34 anos que regressam ao mesmo lugar de férias, o Pine Cliffs

🗓️ 2026-08-26 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -
Fora da A2 e da Nacional 125, é pela Estrada das Açoteias, em direção a Olhos de Água, que se chega ao Pine Cliffs

Este verão, um dos mais fiéis clientes do resort Pine Cliffs convocou os mais antigos funcionários do hotel, pouco mais de trinta pessoas, e quis oferecer-lhes um jantar. O motivo é bonito e triste, em partes iguais: há mais de três décadas que este alemão de 85 anos se hospeda no hotel no verão, mas, por problemas de saúde e mobilidade, acredita que esta será a sua última viagem ao Algarve. Viu o edifício crescer, as famílias aumentarem e a gestão mudar, sempre sob os mesmos pinheiros e o mesmo pôr-do-sol sobre as arribas vermelhas da Praia da Falésia, seis quilómetros de areal, entre Olhos de Água e Albufeira.

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Quando o Pine Cliffs abriu portas, em agosto de 1992, o hotel tinha 215 quartos, capacidade para 440 pessoas e um punhado de restaurantes. Hoje é um dos maiores resorts do Algarve, recebe até três mil hóspedes na sua época mais agitada, isto é, os meses de verão, e soma hotéis, residências, campos de golfe, spa, restaurantes e um clube infantil.

Aníbal Silvestre, um dos convidados para o jantar do ilustre hóspede, chegou um ano antes da inauguração e conhece pelo nome as famílias que regressam ano após ano. Lembra-se perfeitamente do dia em que chegou: 15 de junho de 1991, tinha 22 anos. “Estive um ano e dois meses a preparar a abertura”, recorda. “Participei nos processos de contratação, na organização das equipas, em tudo”. Era chefe de mesa e hoje é assistente de Food & Beverage. Conhece todos os funcionários do hotel e todos o conhecem a ele. Trata toda a gente pelo nome.

Ao longo de mais de três décadas, Aníbal Silvestre passou por praticamente todas as fases de crescimento do empreendimento. Crianças que conheceu nos anos 90 regressam agora com os filhos. Num caso, esteve na organização do batizado do bebé e, a pedido do pai, esteve também na organização do casamento, 27 anos depois. “Disse-me que não o fazia sem mim.”

“Fiz batizados, vi casamentos, vi famílias crescerem”, diz Aníbal Silvestre. “Os filhos nasceram, casaram-se e agora trazem os netos.” E, do lado da equipa, viu também muita gente nascer para a hotelaria. “Formámos muita gente. Muitos dos diretores e chefes que hoje trabalham na hotelaria algarvia passaram por aqui”. E, pode dizer-se, há uma forma de fazer à Pine Cliffs – atenta – que é comum a todos os que trabalham aqui.

Aníbal Silvestre viu como a hotelaria mudou. “Quando abrimos, um casal sentava-se à mesa e bebia uma garrafa de vinho ao jantar. Depois veio a moda dos buffets. Agora já não querem saber outra vez dos bufftets”. Os clientes procuram experiências mais tranquilas, mais personalizadas, mas as nacionalidades que mais procuram o Pine Cliffs continuam a ser as mesmas: britânicos, irlandeses e portugueses.

  • 8º. Pine Cliffs, a Luxury Collection Resort, Albufeira
  • Pine Cliffs, A Luxury Collection Resort, Algarve

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Fora da A2 e da Nacional 125, é pela Estrada das Açoteias, em direção a Olhos de Água, que se chega ao Pine Cliffs. É uma entrada discreta, que oculta mais de 70 hectares de pinhal e um complexo hoteleiro que impressiona pela escala, e que só se começa a perceber uma vez passado o arco da entrada. É como uma pequena aldeia.

Os hóspedes podem estacionar o carro à chegada e passar dias sem voltar a pegar nele. Essa, aliás, “foi sempre a ideia”, explica Adriana Graça, que faz parte da equipa de marketing do resort, enquanto percorre os caminhos que ligam restaurantes, piscinas, espaços de lazer e o campo de golfe.

“As famílias chegam, instalam-se e conseguem encontrar tudo dentro do resort. Ao todo, são 14 restaurantes, do Pescador, especializado em peixe, ao Corda, de cozinha internacional, passando pelos que ficam na Praça do Limoeiro, o Zest (cozinha saudável) e o italiano Portfino. Ao fim da tarde, o protagonista é o Mirador, o bar com as melhores vistas e o mais procura quando se aproxima o pôr-do-sol.

Na Praia da Falésia, a que se acede por elevador (restrito a hóspedes), fica o renovado Maré, afetado este inverno pelas tempestades. Em alguns pontos, a areia recuou três metros. Com ou sem intempéries, a ‘aldeia’ vive em mudança. No próximo ano, por exemplo, já terá um novo equipamento para os mais novos. Este ano, abriram o XXL, o segundo restaurante com a marca Olivier dentro do Pine Cliffs (o primeiro é o Yakuza).

Em meados dos anos 80, foi constituída a empresa de Jassim Mohammed Al-Bahar em Portugal. O terreno que interessou ao milionário oriundo do Koweit, era apenas pinhal e muitas poupas, o pássaro que ainda hoje figura no logótipo do Pine Cliffs. Foi aqui que construiu o hotel e uma zona de residências integrados na natureza, assim como o campo de golfe de nove buracos, desenhado por Martin Haetree, tão antigo quanto o hotel. “Há um buraco muito conhecido que é o Devil’s Parlour, fica mesmo por cima de uma falésia”, diz Adriana Graça. É quase uma atração turística entre os praticantes da modalidade: “exige uma tacada de 197 metros sobre as falésias, com vista para uma ravina”, diz o resort.

Algumas das árvores que ali estavam quando Al-Bahar visitou o local pela primeira vez ainda aqui estão, algumas figueiras foi o próprio que as plantou. “Com ele não podia haver uma mentira. Se houvesse podia preparar-se para ir embora. Ele perguntava: porque é que isto aconteceu?” “Olhe-me pelo palácio”, costumava pedir a Aníbal Silvestre, após as férias. Era assim que se referia ao primeiro edifício, três andares virados para um pátio central reconhecível em qualquer parte pelos seus azulejos pintados à mão, que também fazem parte das decorações dos quartos e suítes. São peças de tal forma reconhecíveis que, todas as quartas-feiras, acontecem visitas guiadas pelo resort para explicar a sua história.

Como os hóspedes mais fiéis, Jassim Mohammed Al-Bahar voltava a cada ano, por altura da gala do Pine Cliffs, que se realiza no início de agosto, um dos pontos altos do ano no resort. Há 18 anos, nas vésperas de uma dessas festas, morreu de ataque cardíaco na sua casa no interior do complexo. Tinha 66 anos.

Os quatro filhos de Al-Bahar, que Aníbal Silvestre conheceu pequenos nos corredores do Pine Cliffs, escondendo-se “debaixo das mesas”, gerem agora os negócios. O mais velho, Talal Al-Bahar, sucedeu-lhe. Surge como vice-presidente do IFA Hotels & Resorts. Dois irmãos também trabalham nas empresas da família: Abdullateef Al-Bahar é diretor-geral do Al-Bahar Investments Group, Marzouk (o mais novo) ocupa-se do Pine Cliffs.

Em agosto, o resort anunciou o regresso do diretor de vendas e marketing da empresa entre 2006 e 2010 ao Pine Cliffs . “Ramón von Schükkmann assume a liderança do resort algarvio, assinalando também o seu regresso a uma casa e a um país que bem conhece. “Ramón von Schükkmann acumulou um vasto histórico de sucesso e liderança em marcas de renome mundial, incluindo The Ritz-Carlton, St. Regis e W Hotels”, esclarecem. Foi ele que lançou e abriu o Pine Cliffs Residence, “que enriqueceu significativamente o portfólio de luxo do resort“, referem.

“É com enorme entusiasmo que regresso ao Pine Cliffs Resort, uma propriedade que ocupa um lugar muito especial na minha trajetória profissional e pessoal. Assumir a função de Complex General Manager neste resort icónico é um privilégio. Estou focado em trabalhar ao lado desta equipa de excelência para continuarmos a elevar a experiência de luxo que oferecemos aos nossos hóspedes, mantendo o Pine Cliffs como uma referência incontornável no turismo europeu”, disse.

Resort Pine Cliffs, no Algarve

O resort agora com a chancela Marriott, é detido pela United Investments Portugal, de que fazem parte outros hotéis. Do Sheraton Cascais ao Hyatt Regency, aos premiados Spas Serenity. A empresa é, por sua vez, parte do Al-Bahar Investments Group. Mas Portugal não é um país qualquer. Foi o primeiro país em que Jassim Al-Bahar apostou na área do turismo, e o Pine Cliffs, “o palácio”, foi o seu primeiro hotel.

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