Há cada vez mais “puxadas” ilegais

🗓️ 2026-07-21 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Todas as manhãs na Rádio Observador, as notícias que mexem com o nosso bolso. Boa moeda, má moeda, hoje com a Judite França. Olá, Judite, muito bom dia.

Olá, bom dia.

Vamos começar o programa de hoje com novos dados sobre a Ryanair.

Começamos pelos lucros da companhia, que caíram 34% entre abril e junho para 538 milhões de euros. Embora o tráfego de passageiros tenha aumentado 6%, a Ryanair atribui a queda nos lucros ao aumento do preço do combustível e a uma redução de 6% nas tarifas aéreas. A companhia explicou em comunicado que incentivou a venda de bilhetes a preços mais baixos devido ao conflito no Médio Oriente, o que provocou cautela entre os consumidores, preocupação com uma possível escassez de combustível, incerteza económica e reservas tardias também. O presidente-executivo, Michael O'Leary, revelou que os custos operacionais aumentaram 11% devido ao forte aumento de 20% do preço do combustível não coberto pela companhia aérea, o que duplicou no primeiro trimestre. A este respeito, o CEO salientou que aproveitando as quedas no preço do petróleo bruto, a companhia alargou a cobertura de combustível para o exercício de 2028, de modo a ter 15% do consumo coberto a um preço de cerca de 85 dólares por barril. Neste contexto, este CEO informa que as receitas totais da Ryanair cresceram apenas 1% entre abril e junho, atingindo os 4.380 milhões de euros, enquanto a receita por passageiro caiu 5%, devido à referida redução no preço dos bilhetes. Para o exercício fiscal, que termina em março do próximo ano, a Ryanair mantém uma previsão de crescimento do tráfego de passageiros de 4%, atingindo os 216 milhões de utilizadores anuais. Ainda assim, os custos unitários finais dependerão do preço dos 20% de combustível não coberto para os últimos três trimestres do exercício e, em maio, a transportadora informou que liquidou toda a dívida contraída em 2021, na sequência da emissão de um título para angariar 1.200 milhões junto dos investidores e financiar-se durante a crise da pandemia de coronavírus.

As contas da Ryanair em destaque no Boa Moeda, Má Moeda, mas hoje, Judite, trazes aqui também roubos de energia.

Exatamente, porque o número de casos detetados anualmente pela E-Redes cresceu 30% em três anos. O roubo de eletricidade está a somar um número crescente de casos, com a E-Redes a registar um acréscimo no volume de energia consumida ilicitamente. Segundo o Expresso, em 2025, a empresa de distribuição de eletricidade detetou 11.740 casos, mais 5,3 do que no ano anterior e mais 30% do que o registado pela E-Redes três anos antes. Estamos a falar de puxadas ilegais e a proporção de puxadas para consumo doméstico recuou e aumentou o desvio de energia para usos empresariais ou outros consumos não residenciais. Os dados que a E-Redes partilhou com o Expresso revelam que se em 2024 a empresa tinha detetado 2.460 casos de apropriação para fins domésticos, em 2025 esse número quase duplicou. E isso refletiu-se no volume de energia desviada, claro, que de 2024 para 2025 disparou 32%. Os números do primeiro semestre sugerem a continuação da tendência de roubos de energia. Este ano, a E-Redes já abriu 5.862 inspeções, mais do que em igual período do ano passado. A E-Redes admite que há uma tendência de aumento dos casos detetados, mas nota que isso resulta de vários efeitos, desde o aumento da procura de eletricidade, até à forma como é feita a apropriação ilegal, que hoje é mais sofisticada, com recurso a conhecimentos técnicos mais profundos. E se quem está a fazer as puxadas tem métodos mais elaborados, a E-Redes também tem uma maior sofisticação na detecção das fraudes. Certo é que uma parte dos roubos de energia está associada a atividades ilícitas, como a produção de cannabis. A E-Redes explica que o fenômeno está longe de ser um exclusivo nacional. Em Espanha, há vários anos que as elétricas vêm detetando fraudes ligadas a estufas para o cultivo de cannabis. Em 2024, a Endesa revelava que no espaço de cinco anos os desvios de eletricidade tinham crescido 35%, mas as puxadas para projetos de cannabis disparavam 70%, sendo que só em 2023 estas estufas tinham sido responsáveis por 37% da energia apropriada indevidamente na rede de distribuição operada pela Endesa.

Falamos de roubos de energia também no Boa Moeda, Má Moeda de hoje com a Judite França. Amanhã estamos de regresso à mesma hora com as notícias que mexem com o nosso bolso. Até amanhã, Judite.

Até amanhã.