Há quem não abdique de dar chocolate, mesmo que o único prémio seja o bronze — e nós agradecemos (a crónica do França-Inglaterra)

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É o jogo mais ingrato e aquele que ninguém quer jogar. Depois de sete intensas batalhas que, até há quatro anos, seria sinónimo de lutar pelo título na final, França e Inglaterra claudicaram no momento decisivo. O primeiro descalabro aconteceu em torno dos bleus, que procuravam somar mais uma presença na final, de forma consecutiva, mas acabaram por sucumbir perante uma Espanha superior no meio-campo e capaz de controlar o jogo com bola (0-2). Depois, a segunda meia-final foi imprópria para cardíacos, com direito a reviravolta da Argentina depois de os três leões terem abdicado de jogar futebol quando se colocaram a vencer. Na retina ficam os dois(!) passes efetuados pelos ingleses entre os 67 e os 85 minutos, período em que tiveram apenas 12% de posse de bola. No final, o génio de Lionel Messi apareceu para carimbar a vitória da campeã nos descontos (1-2).

Foi mesmo pelas Malvinas, por Diego, pela última de Leo — e pela equipa que tem uma Mão de Deus a ajudar (a crónica do Inglaterra-Argentina)

“É a disputa pelo terceiro lugar. Os jogadores, a equipa técnica e eu temos o dever de alcançar este último objetivo. É menos importante do que a final. Inglaterra não quer jogar este jogo e nós também não. Mas aqui estamos nós. Temos de nos concentrar nesse objetivo de ficar em terceiro lugar e tornar essa meta final uma realidade. Temos esse dever quando vestimos esta camisola. No meu íntimo, sei que é o meu último jogo. Não quero que ninguém chore. O fim está próximo, mas a vida continua. Ninguém vai chorar, mas sei que vou sentir saudades da seleção francesa. Durante 15 anos tive o privilégio de viver momentos mágicos e outros difíceis, mas a vida continua. Sou uma pessoa positiva e sei que as coisas também vão correr bem. Foi a melhor coisa que me aconteceu”, assumiu Didier Deschamps antes de deixar o comando técnico dos bleus, já depois de Ibrahima Konaté ter apelidado o jogo de duelo pela… “medalha de chocolate”.

“Para contextualizar, perdemos o nosso primeiro jogo oficial juntos. Foi a nossa primeira derrota ao 15.º jogo [sem amigáveis]. Foi uma derrota dolorosa, jogámos uma meia-final contra os atuais campeões do mundo. Aos 85 minutos estávamos a ganhar 1-0, enfrentámos o melhor jogador do mundo e acabámos por perder por 2-1, o que é doloroso. Estávamos merecidamente na meia-final, somos uma das quatro melhores seleções e queríamos mais. Estamos profundamente desapontados porque queríamos jogar a final, acreditávamos que éramos capazes, construímos algo que nos deu a convicção genuína de que podíamos conseguir e estávamos a sonhar com isso. Ainda assim, acredito que as outras três seleções têm expectativas de conquistar o título. Não é o nosso caso. Elas estão num nível em que esperam vencer, nós ainda não chegámos lá”, analisou o treinador alemão depois da eliminação.

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Dernier défi pour nos Bleus face à l’Angleterre avec l’ambition de terminer cette aventure en Coupe du monde de la plus belle des manières ????????

RDV à 23h00 sur M6 & beIN SPORTS 1 ????

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— Equipe de France ⭐⭐ (@equipedefrance) July 18, 2026

Como era de esperar, as mudanças foram muitas nos dois onzes, com Deschamps a mexer em sete peças na equipa francesa, optando por manter Mike Maignan, Adrien Rabiot, Michael Olise e Kylian Mbappé, que entrou em campo a lutar pelo título de melhor marcador deste Mundial. Assim, Malo Gusto, Maxence Lacroix, Ibrahima Konaté, Theo Hernández, Rayan Cherki, Warren Zaïre-Emery e Désiré Doué entraram para os lugares de Lucas Digne, William Saliba, Dayot Upamecano, Jules Koundé, Aurélien Tchouaméni, Bradley Barcola e Ousmane Dembélé. Tuchel fez as mesmas sete alterações, tirando Jude Bellingham e Harry Kane, que também estava na luta pelo troféu dos goleadores. Dean Henderson estreou-se em Mundiais e Jarell Quansah voltou após suspensão, com Jordan Pickford e John Stones a saírem do onze. Já Ezri Konsa, Eberechi Eze, Marcus Rashford, Bukayo Saka e Ivan Toney substituíram Reece James, Elliot Anderson, Bellingham, Anthony Gordon e Kane.

O jogo arrancou a todo o gás, com as duas equipas a entrarem de olhos postos na baliza adversária. Contudo, foi através de um mau passe de Doué a meio-campo que nasceu o primeiro golo, com Rice a recuperar, a conduzir pelo meio até à entrada da área, onde desferiu um remate colocado para o fundo das redes, a fazer lembrar David Beckham (3′). Pouco depois, Inglaterra voltou a criar perigo, com Rashford a receber dentro da área, mas o seu remate acabou por ser cortado pelas pernas de Gusto (7′). Na resposta, Cherki recebeu em zona frontal e atirou para defesa de Henderson (11′) e, no lance seguinte, Saka marcou, mas em posição irregular (11′). O jogo continuou animado e com os três leões a responderem ao pesadelo frente aos argentinos: Rice cobrou um canto na esquerda para a zona do primeiro poste, onde Konsa ganhou a Rabiot e dilatou a vantagem com um belo cabeceamento que entrou bem junto ao poste mais distante (18′).

ESTÁ FEITO O PRIMEIRO!! INGLATERRA NA FRENTE!! ⚽️???????????????????????????? pic.twitter.com/vpAWV35U79

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CANTO E ESTÁ FEITO O SEGUNDO DOS INGLESES!!! O TERCEIRO LUGAR ESTÁ CADA VEZ MAIS PRÓXIMO!! ???????????????????????????????? pic.twitter.com/QAeqV0v61b

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Mbappé começou a entrar no jogo a aproveitar o espaço pela meia-esquerda, zona em que ameaçou, numa primeira instância, com um remate colocado que saiu ao lado (23′). Depois da pausa para hidratação, o jogo ficou mais equilibrado, até Rashford voltar a aparecer com um grande remate de longe, que só foi travado por um enorme voo de Maignan (34′). Contudo, Henderson continuou a brilhar na baliza oposta e, no ataque seguinte, negou o golo a Mbappé, que atirou forte à queima-roupa (35′). Depois de nova grande defesa do guarda-redes inglês, a seleção dos três leões saiu rapidamente para o ataque, com Saka a isolar Rashford ainda bem antes do meio-campo. O avançado conduziu, mas permitiu a defesa de Maignan, com Lacroix a cortar a recarga de Saka, só que a bola voltou a sobrar para Rashford, que rodou e serviu Saka para o golo 300 deste Mundial (37′). Os franceses continuaram sem defender e, já na compensação, Eze isolou Saka com um grande passe pelo meio e, de primeira, o capitão do Arsenal fez o 0-4 com alguma facilidade (45+1′).

HUMILHADOS!!!! ???? VÃO 3 E A CONTAR!!! ???????????????????????????? pic.twitter.com/72x7nUrU7x

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4????? ANTES DO INTERVALO!!! ???????? QUE TAREIA!!! ????⚽️ pic.twitter.com/mTQr0L63Iw

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Ao intervalo, Digne, Upamecano, Dembélé, Barcola e Ollie Watkins saltaram dos bancos e, logo a abrir, Kylian Mbappé deixou a sua marca. Watkins perdeu no duelo com Upamecano na direita, o central soltou em Michael Olise, que por sua vez abriu no avançado do Real Madrid que, dentro da área, reduziu com um belo remate cruzado na passada (48′). Pouco depois, Barcola ganhou as costas a Jarell Quansah isolado por Mbappé, reduzindo no frente a frente com Dean Henderson (54′). Logo a seguir, Dembélé isolou-se após um grande passe de Mbappé, mas Henderson voltou a evidenciar-se, com Olise a atirar para fora na recarga (57′) e, na outra baliza, Ivan Toney cabeceou ao lado na sequência de um canto (59′). Contudo, a tartaruga ninja estava finalmente dentro do jogo e, depois de marcar e assistir, voltou a balançar a rede: Dembélé tocou da direita para o meio, o capitão tabelou com Olise e relançou o jogo (66′).

MBAPPÉ!!!! ????????
A FRANÇA ACORDOU!! SERÁ?? ???? pic.twitter.com/HoquBztrNt

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FALTAM DOIS PARA O EMPATE!!!! BARCOLAAAAAA!!! ????⭐️ pic.twitter.com/evSDmYCg9f

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MBAPPÉ A BISAR E AGORA A VANTAGEM DE ???????????????????????????? É DE APENAS ☝️ GOLO ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #betano pic.twitter.com/bszixJccLZ

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Os papéis inverteram-se e os ingleses tardaram em encontrar-se na segunda parte, com Thomas Tuchel a manter-se impávido no banco, não mexendo na equipa até aos últimos dez minutos. Já com Jude Bellingham e Elliot Anderson em campo, o médio do Real Madrid isolou-se, bailou sobre a defesa, mas perdeu no duelo com Mike Maignan e, no contra-ataque, França voltou a ter tudo para marcar, mas Olise falhou a baliza… (81′). Os três leões responderam com uma grande arrancada de Djed Spence, que acabou travado em falta por Malo Gusto dentro da área. Na cobrança do castigo máximo, Bukayo Saka enganou Maignan e bateu com categoria para o lado direito (87′). Ainda houve tempo para Jules Koundé e Trevoh Chalobah saírem do banco e para o Bola de Ouro também deixar a sua marca: lançado por Upamecano, Dembélé deambulou para o meio e atirou em arco para o 4-5 (90+6′). Logo a seguir, Bellingham foi lançado no ataque em velocidade, driblou Lacroix e atirou para o 4-6 final (90+8′).

SAKA! HAT TRICK! pic.twitter.com/N5Qo0nKaRx

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EU NÃO TENHO MAIS NADA A DIZER…10 GOLOS E UM GOLAÇO DO BELLINGHAM! ???????????????????????????????? pic.twitter.com/ZoIBZSR7iU

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A estrela

  • Incontornavelmente, Bukayo Saka foi a grande figura deste jogo, não só pelo hat-trick, mas por tudo aquilo que fez no relvado do Hard Rock Stadium, criando muitas dificuldades à defesa francesa. Para lá de ter marcado a dobrar na reta final da primeira parte, o avançado do Arsenal redimiu-se no fim do jogo e voltou a marcar de penálti depois de ter desperdiçado o seu castigo máximo na final do Campeonato da Europa de 2021.

Bukayo Saka becomes the fourth player to score a men's World Cup hat-trick for England:

– Geoff Hurst (1966)
– Gary Lineker (1986)
– Harry Kane (2018)
– ???? Bukayo Saka (2026)

???? Squawka pic.twitter.com/n76K4yj0I4

— Football on TNT Sports (@footballontnt) July 18, 2026

O joker

  • Aí vão 22 golos em 22 jogos. Kylian Mbappé continua a ser uma das grandes figuras do Campeonato do Mundo e, depois de uma primeira parte aquém, em que saiu para o balneário a rir com Thomas Tuchel, a tartaruga ninja voltou com outra atitude e deixou a sua marca neste jogo e no Mundial, que deverá terminar com o título de melhor marcador na sua posse. Para lá disso, tornou-se no quinto jogador a marcar nove golos numa só edição, a par de Eusébio da Silva Ferreira (1966) e atrás de Gerd Müller (10, 1970), Sándor Kocsis (11, 1954) e o compatriota Just Fontaine (13, 1958).

Mais gols em uma edição de Copa do Mundo FIFA:

13 – ???????? Just Fontaine (1958)
11 – ???????? Sándor Kocsis (1954)
10 – ???????? Gerd Müller (1970)
10 – ???????? Kylian Mbappé (2026) ???? pic.twitter.com/4GHOf76wqo

— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) July 18, 2026

A sentença

  • Pela primeira vez na história do Campeonato do Mundo, Inglaterra termina no terceiro lugar, tendo vencido o jogo do bronze à terceira tentativa (perdeu em 1990 e em 2018). É a segunda melhor prestação de sempre do país, apenas atrás do ouro de 1966. Já França caiu pela segunda vez em quatro tentativas. Ao 33.º embate entre ambos, os ingleses venceram pela 18.ª vez, contra cinco empates.

7 – Jude Bellingham’s seven goals are the outright most ever by an England player at a single FIFA World Cup or UEFA European Championship tournament.

Heroic. pic.twitter.com/cWqwzTKBwe

— OptaJoe (@OptaJoe) July 18, 2026

A mentira

  • É certo que este jogo de atribuição do terceiro lugar, que a FIFA apelida de bronze final, é ingrato para qualquer uma das equipas, mas tem sido pródigo em golos. Que o digam os adeptos que assistiram ao duelo deste sábado, que vai perdurar como um dos melhores deste Campeonato do Mundo, ainda que as fragilidades defensivas tenham ajudado à festa. Na primeira parte faltou atitude, tanto na defesa como no ataque, aos franceses, mas os papéis inverteram-se na última meia-hora, com os ingleses a repetirem aquilo que (não) fizeram diante da Argentina. Desta vez levaram a melhor.

FRA ???????? 4-6 ???????????????????????????? ENG (FT) – Con 10 goles, este Francia-Inglaterra es el PRIMER partido con 10 o más goles en la Copa del Mundo desde 1982. Todos los partidos con 10+ goles en TODA la historia:

Austria 7-5 Suiza — 12 (1954)
Brasil 6-5 Polonia — 11 (1938)
Hungría 8-3 Alemania — 11…

— MisterChip (Alexis) (@2010MisterChip) July 18, 2026