Habitação: Centenas de pessoas instalam tendas Praça D.João I, no Porto, por "mais e melhor habitação"
Na Praça D.João I, no Porto, já estão mais de 50 tendas montadas por pessoas que, desde o passado sábado, reclamam “mais e melhor habitação”.
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Depois de o movimento pela habitação ter decidido hoje voltar a montar tendas e a acampar no local, os manifestantes, de todas as idades, começaram a montar as varetas das tendas, abrir os sacos-camas e a colocar almofadas no chão.
Em algumas das mais de 50 tendas que ocupam a praça, colocadas em filas, lê-se em cartazes frases como “Quatro rendas, mais caução, mais fiador e mais um rim” ou “Rendas de luxo e ordenados de lixo”.
Momentos antes das 00:30, junto à praça onde decorre a ação foram incendiados alguns caixotes do lixo o que obrigou à intervenção dos bombeiros, que extinguiram rapidamente o fogo.
Enquanto desenrolava um saco-cama, Maria Leonor, de 25 anos, contava à agência Lusa que decidiu acampar porque o problema da habitação afeta toda a gente.
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“É uma causa de todos, não só dos jovens”, salientou.
Questionada sobre se não tem receio de passar a noite no local, Maria Leonor, que vai partilhar a tenda com mais três amigas, confessou alguma ansiedade, mas sentir-se segura.
A vizinha do lado, Jéssica, de 34 anos, também nova nesta experiência, disse que decidiu acampar para “se fazer ouvir” e para que o Governo de Luís Montenegro tome uma atitude a favor das pessoas e não dos grupos económicos.
“Eu já sabia do movimento, já tinha vindo a uma das manifestações, mas o que aconteceu na madrugada de quinta-feira [intervenção policial] trouxe mais pessoas e causou mais revolta”, assinalou.
Além dos manifestantes que vão acampar há ainda aqueles que, apesar de compreender aquela decisão, vieram apenas participar no protesto.
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“Não vou ficar porque tenho um filho pequeno e não dá, mas quem fica tem toda a minha solidariedade”, apontou Roberto Lopes, de 39 anos.
Além das tendas e das centenas de pessoas que pintam a Praça D.João I existem ainda, pelos gradeamentos, cartazes com críticas às palavras do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que pediu esta semana aos movimentos associativos e partidos políticos que não sejam egoístas na sua ação.
“Rendas de milhão e o povo sem tostão”, “Quem não sabe governar sempre tentará calar” ou “Estes políticos não nos representam” eram algumas das mensagens exibidas em cartazes de cartão e empunhados pelos manifestantes.