Fernando Haddad promete rever pedágios e reabrir pronto-socorro | G1
Na terça-feira (8), o candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também havia sido convidado para participar da entrevista no estúdio do Diário TV 1ª edição, mas a campanha comunicou que ele não participaria. As datas, a ordem e a dinâmica das entrevistas foram acordadas previamente em reunião com representantes dos partidos.
Entre os assuntos abordados nesta quarta-feira, Haddad afirmou que pretende reabrir o pronto-socorro do Hospital Luzia de Pinho Melo e rever os contratos de concessão das rodovias com cobrança de pedágio no Alto Tietê. O candidato também disse que pretende revisar a privatização das linhas da CPTM que atendem a região e criar um gabinete de combate às facções criminosas.
Haddad em entrevista na TV Diário — Foto: Cauê Adamuz/g1
Veja abaixo a entrevista na íntegra:
Pergunta 1 - Bom, em 2022, candidato, no segundo turno aqui no Alto Tietê, o senhor venceu apenas em Itaquaquecetuba e Ferraz de Vasconcelos. Em Mogi das Cruzes, por exemplo, teve 56,21% contra 43,79%, isso em comparação aos votos com o Tarcísio. Em Suzano, 52,66% contra 47,34%. Por que o eleitor deveria mudar de posição agora, nessas eleições de 2026?
Resposta 1 do Fernando Haddad: Olha, basicamente porque ele não cumpriu o que prometeu para a região. Eu acho que é um motivo suficiente para o eleitor, no mínimo, repensar. Ele disse, não sei se aqui nesse programa, mas publicamente, que não ia pedagiar, por exemplo, a Mogi-Bertioga. Todo mundo sabe disso, e ele colocou o pedágio na Mogi-Bertioga. Ele falou que ia abrir o pronto-socorro do hospital, do Luzia. Ele não abriu, não reabriu o pronto-socorro. A fila do SUS está aumentando na região, o CROSS não está funcionando. A escola pública estadual caiu sete posições no ranking nacional. O estado está sem dinheiro para coisas básicas.
Vi o governador há pouco falando que é pioneiro em tornozeleira para agressor de mulher. Não tem tornozeleira, a maioria dos agressores não tem tornozeleira. Por isso que eu estou propondo que o agressor pague pela tornozeleira até eu rever os contratos e abrir espaço orçamentário para comprar colete à prova de balas — que hoje você tem policial militar trocando de turno com o colete do outro, porque não tem colete à prova de balas disponível — e não tem tornozeleira para agressor de mulher, por isso que os índices de feminicídio estão explodindo no estado. Segurança pública está muito difícil, a saúde está com a fila cada vez maior e a educação está com baixa qualidade. São razões que, na minha opinião, e a minha postulação aqui tem esse compromisso, de levar ao conhecimento do eleitor o que de fato está acontecendo com o estado. Não a propaganda, porque na propaganda você põe o que você quiser, mas a realidade dos dados oficiais para que as pessoas possam refletir sobre se nós estamos caminhando na direção correta ou se é o caso de repensar a direção que São Paulo está atravessando agora.
Pergunta 2 - Candidato, falando em dinheiro, o senhor passou três anos à frente do Ministério da Fazenda no governo Lula, que conseguiu aprovar a Reforma Tributária e outras medidas, mas também recebeu críticas pelo aumento da carga tributária e pelo crescimento da dívida pública. Olha só, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional divulgados no dia 26 de agosto, a dívida pública federal, candidato, atingiu 9,28 trilhões de reais em julho de 2026. Caso eleito, o que a população pode esperar das contas públicas estaduais? O senhor pretende aumentar ou reduzir impostos estaduais como o ICMS, por exemplo?
Resposta 2 do Fernando Haddad: Bom, em primeiro lugar, não houve nenhum aumento de imposto no governo federal. O que houve foi redução de benefício que a população conhece por “bolsa empresário”. Bolsa empresário é o seguinte: você escolhe um setor ou uma empresa e concede um benefício fiscal que às vezes é até legítimo, mas que às vezes acaba, expira, e você não tem por que renovar. Há uma determinação da Constituição de rever os benefícios fiscais, inclusive aqui no estado de São Paulo, e isso não foi feito aqui. O número de benefícios para poucos empresários — cerca de 1 ou 2% das empresas paulistas recebem esse tipo de “bolsa empresário”, que é um benefício exclusivo para aquilo —, isso tem que ser revisto. Isso não é aumento de imposto, isso é revisão de benefício fiscal. Inclusive, pra gente isentar quem ganha até R$ 5 mil de salário de Imposto de Renda, baixar o imposto de quem ganha até R$ 7.350 de Imposto de Renda, eu tive que cobrar imposto de banco, imposto de bet que não pagava imposto, imposto sobre dividendos acima de R$ 1,2 milhão por ano. Por quê? Porque aqui quem começou a pagar são 150 mil; quem deixou de pagar são 20 milhões. E nós estamos num país, num dos países mais desiguais do mundo, justamente em carga tributária. Então o papel do Ministro da Fazenda é buscar um pouco de justiça social. E nós nunca fizemos isso no passado, e eu fui o primeiro a fazer. Eu tributei quem não pagava para isentar quem, ganhando R$ 2 mil, já pagava Imposto de Renda.
Em relação à dívida, a dívida que conta é a dívida como proporção do PIB. Quando o PIB está crescendo... porque você falou que a dívida é de 9 trilhões, mas o PIB é de 14. Eu peguei o PIB com 10 trilhões. O PIB aumentou muito, o dobro do que vinha crescendo no governo Temer e Bolsonaro. Nós estávamos crescendo 1,5% ao ano. Nós vamos fechar o mandato com 2,7% de média. Por isso que nós estamos com a menor taxa de desemprego da história, com a menor inflação acumulada em 4 anos da história. Agora, nós temos trabalho para fazer, eu não sou triunfalista de dizer que está tudo resolvido, mas à luz do que a economia brasileira viveu nos 7 anos anteriores, eu penso que nós endereçamos uma boa parte dos problemas. A Reforma Tributária, tirando o Imposto de Renda que entra em vigor no ano que vem, vai zerar os impostos da cesta básica, que inclui agora a proteína animal. Carne, a partir do ano que vem, não vai ser mais tributada. Ovos, leite, tudo o que é proteína animal vai ficar isento de imposto. Medicamentos, nós ampliamos a cesta de medicamentos isenta de imposto. Muitos medicamentos você pega na Farmácia Popular de graça agora, nunca foi assim, agora é. E uma parte que não é de graça vai ter zero de imposto sobre o consumo. Então uma série de medidas estão sendo tomadas para melhorar a condição de vida da população, sobretudo da base da pirâmide.
Pergunta 3: Candidato, dentro do cenário econômico, falando especificamente do chamado tarifaço, a última tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros de 25% afeta diretamente as exportações das indústrias aqui da nossa região. O primeiro semestre de 2026 a região exportou 377 milhões em produtos para os Estados Unidos, o equivalente a 16,1% das exportações locais, segundo o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. Se eleito, como o senhor pretende atuar para reduzir os impactos negativos para as indústrias aqui da nossa região, e quais setores, candidato, serão priorizados?
Resposta 3 do Fernando Haddad: Bom, em primeiro lugar a gente tem que dizer alto e bom som o seguinte: o país está sendo agredido por uma nação poderosa só por causa da eleição. A hora que a eleição concluir, isso vai acabar, vai mudar completamente. Por quê? Porque é uma maneira de os Estados Unidos interferirem, de olho nas riquezas brasileiras. Quais são as riquezas brasileiras? Os Estados Unidos querem acabar com o Pix, os Estados Unidos querem os nossos minerais críticos, porque em tempos de inteligência artificial eles não têm minerais críticos para fazer chips para a inteligência artificial. Então, eles estão de olho na segunda maior reserva do mundo, que são brasileiras. Então eles têm interesse em submeter o Brasil aos interesses americanos, que é a nação mais poderosa do mundo. A hora que a eleição terminar, isso tudo vai passar. Além disso, nós estamos abrindo novos mercados. Nós abrimos 600 novos mercados para produtos brasileiros depois do tarifaço, uma boa parte disso, 600 ao longo do mandato, mas pelo menos 150 depois que começou essa guerra tarifária contra o Brasil. Agora, o pior de tudo é você ver o governador do estado de São Paulo, que é o estado mais afetado pelo tarifaço, apoiar o Trump. Isso que é esquisito. Nós devíamos estar unindo o país em torno dos objetivos nacionais, e não dando força para alguém que, sem nenhuma justificativa plausível, está atacando os interesses nacionais. Então eu vou mudar de postura em relação a isso.
Haddad em entrevista na TV Diário — Foto: Larissa Rodrigues/g1
Pergunta 4: Candidato, quais seriam, caso eleito, os planos para a nossa região aqui do Alto Tietê?
Resposta 4 do Fernando Haddad: Olha, eu vejo aqui alguns problemas mais graves. O primeiro deles, mobilidade. O governador prometeu não pedagiar. Tanto a Dutra quanto a Mogi-Bertioga, eu vou ter que rever esses contratos. O governador privatizou as linhas da CPTM que atendem a região, e o serviço piorou. 27% a mais de falhas no sistema depois da privatização do que antes da privatização. Inclusive, ele teve que reverter temporariamente a privatização porque ele colocou em risco a vida dos usuários. Explodiu um vagão de trem, coisa que nunca lembro de ter acontecido em São Paulo.
Então, em primeiro lugar, mobilidade. Estou falando de pedágio, que os contratos vão ter que ser revistos, e os contratos de privatização. Segundo ponto: o CROSS, que é a regulação da saúde. A fila não está andando de maneira inteligente, não está priorizando quem mais precisa. Ela está seguindo uma ordem cronológica que muitas vezes não leva em consideração o risco de vida que as pessoas que estão aguardando na fila estão correndo. Vários estados do Brasil concluíram que a fila tem que ser organizada de maneira mais inteligente, de maneira a dar atendimento a quem mais precisa. E por fim, e não menos importante, nós com a Reforma Tributária vamos ter a oportunidade de reindustrializar o estado de São Paulo, que é o estado mais afetado pela guerra fiscal.
Pergunta 5: O Alto Tietê é uma região estratégica para rotas entre a capital, litoral, Vale do Paraíba, e também tem o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Como é que o senhor pretende combater o crime organizado nesses corredores?
Resposta 5 do Fernando Haddad: Olha, eu quero montar, já falei isso publicamente, eu vou montar um gabinete institucional contra facções, porque todos esses crimes são cometidos inclusive em rodovias, como por exemplo roubo de carga, está batendo recorde em São Paulo. Tudo isso tem uma quadrilha por trás. É raro o crime avulso. Desde o roubo de celular, roubo de moto, passando por roubo de carga, roubo de residência, tem sempre o crime organizado por trás, até porque você precisa de receptadores para receber o que você roubou e você passar para a frente. Sem um gabinete institucional com o apoio da Polícia Federal e da Receita Federal, a Polícia Militar e a Polícia Civil vão continuar trabalhando no mesmo ritmo, que não está dando conta do problema. Recusar o apoio federal foi um dos erros do atual governo.
Nós temos que montar um gabinete anti facção na mesa do governador, presidido pelo governador, pra gente poder trocar informações e inteligência e atacar o crime organizado. Além disso, nós temos que fazer o boletim de ocorrência por WhatsApp. Por que eu preciso de um boletim de ocorrência em tempo real? Porque com a inteligência artificial eu consigo cruzar os dados e planejar o patrulhamento da Polícia Militar e a investigação feita pela Polícia Civil em tempo real. Então eu consigo abortar o processo criminal em São Paulo se eu tiver agilidade. Hoje você vai numa delegacia, o computador é da década retrasada, está totalmente sucateado. Eu conheço pessoas que levaram duas horas para fazer um boletim de ocorrência. Em geral, quando o boletim de ocorrência é feito, é para você justificar falta no trabalho, não é para você recuperar o bem perdido porque ninguém conta mais com isso. O próprio Tarcísio reconheceu em 2022 que menos de 5% dos crimes eram esclarecidos no estado de São Paulo no geral, e ele não melhorou essa situação. Por quê? Falta tecnologia e falta profissionais valorizados, como é o caso da Polícia Militar e da Polícia Civil.
Pergunta 6: Candidato, recentemente duas falsas centrais telefônicas foram descobertas aqui no Alto Tietê aplicando golpes na população. Em Suzano uma foi desarticulada pela Polícia Civil e em Itaquaquecetuba pela GCM. Uma pesquisa da Fundação Seade mostra que 9 em cada 10 moradores do estado foram alvos de tentativas de golpes digitais no ano passado, o que representa 30 milhões de pessoas, cerca de 30 milhões de pessoas. Na região metropolitana, 1 em cada 4 entrevistados afirmou já ter caído no golpe do Pix. Quais medidas o senhor defende para reforçar a segurança relacionada aos crimes cibernéticos?
Resposta 6 do Fernando Haddad: Olha, se nós não fizermos, como eu já afirmei, uma parceria com os órgãos federais, nesse caso o Coaf, por exemplo. O Coaf, ele tem em tempo real as transações financeiras que são feitas no sistema bancário brasileiro, tudo. E é tudo feito em geral por Pix hoje. Então você tem condição de saber, rastrear o dinheiro para saber para onde foi. Esse rastreamento hoje não é feito. Então uma pessoa idosa, em geral, recebe um telefonema: Olha, a filha que está com o telefone trocado e que está pedindo um depósito. Quando você vai ver, é um crime, ok? Para quem que essa pessoa recorre hoje? Em geral ela vai falar com o gerente do banco dela, não necessariamente ela vai ser atendida no reembolso do dinheiro, em geral não.
Nós precisamos de outro procedimento, nós precisamos de uma central de golpes digitais que tente em primeiro lugar rastrear para onde foi o dinheiro, porque esse dinheiro foi para algum lugar antes de sair do Brasil ou antes de comprar uma criptomoeda, alguma coisa assim, para você perder a rastreabilidade. Mas antes disso acontecer, você consegue rastrear. Por isso que eu digo: sem o apoio federal, sem um sistema único de segurança pública federativo, transformando esse Fla-Flu entre estado e União num Fla-Flu contra o crime organizado, nós não vamos lograr êxito em combater esse tipo de crime sem usar a tecnologia disponível. E o Brasil tem um dos sistemas bancários mais digitalizados do mundo, é o nosso. Inclusive essa ciumeira dos Estados Unidos em relação ao nosso Pix é porque o nosso sistema bancário é melhor do que o deles do ponto de vista de serviços tecnológicos.
Pergunta 7: Vamos falar de saúde agora, candidato? Porque Mogi das Cruzes é referência para o atendimento de média e alta complexidade aqui em toda a região. Em relação ao Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, quais são os seus projetos?
Resposta 7 do Fernando Haddad: Eu vou reabrir o pronto-socorro que o Tarcísio prometeu e não reabriu. Primeira coisa que eu vou fazer. Nós precisamos reabrir. Quando você se compromete com a população, você tem que cumprir tua palavra. Eu prometi e ele prometeu; ele se elegeu e não cumpriu a promessa, como não cumpriu em relação ao pedágio, como não cumpriu em relação à redução da tarifa de água da Sabesp, como não cumpriu em vários temas a região, como não cumpriu em relação à melhoria da qualidade dos trens da CPTM. Então nós temos que olhar para aquilo que já foi prometido e não foi feito.
O CROSS, que é o sistema de regulação do estado, está defasado tecnologicamente. Ele não é uma boa regulação. Tanto é que a fila em São Paulo é das que menos andam no Brasil. Como Ministro da Fazenda, eu peguei um orçamento da saúde em 2023, ok? Eu coloquei R$ 100 bilhões a mais no orçamento da saúde no governo federal. Esse dinheiro foi distribuído para todos os governadores de maneira absolutamente republicana. Todo mundo recebeu de acordo com a lei, ninguém pode criticar o governo federal por ter recebido menos, todo mundo recebeu na forma da lei. Onde a fila andou menos? No estado de São Paulo. Enquanto a fila andou 42% no país, de média, aqui ela avançou 32%. Ou seja, se a gente não dar um choque de gestão e tem que atualizar o CROSS, você vai botar dinheiro em cima de dinheiro e não vai resolver o problema da fila. Então tem que ter equipamento, e nós estamos aqui no Alto Tietê... pega o número de UBSs e UPAs que o governo federal está financiando. Nós estamos financiando, mas as promessas que foram feitas em 2022 têm que ser cumpridas.
Pergunta 8: Candidato, o Alto Tietê não tem um AME Pró-Trans, aquele Ambulatório de Especialidades para pessoas LGBTQIA+. A população daqui precisa se deslocar até Guarulhos para receber o auxílio. Se eleito, qual o projeto do senhor para essa população especificamente aqui do Alto Tietê?
Resposta 8 do Fernando Haddad: Olha, eu não recebi essa demanda específica, mas eu prometo avaliar com muita dignidade porque eu tenho muito apreço pelo combate à intolerância, não é? O combate à intolerância no nosso estado precisa voltar a ser uma prioridade. Nós estamos com uma intolerância muito grande não só com a população LGBT, mas se você pegar os dados de crimes raciais no estado, eles estão explodindo. Tá te falando muito e é bom que se fale dos crimes contra mulher e não é só feminicídio, é lesão corporal, é importunação sexual, é muita coisa que tá acontecendo. Mas os crimes de intolerância racial explodiram no estado de São Paulo.
Não está no meu programa de governo, eu tô dizendo que não está né? Mas eu me prontifico a receber a comunidade local para estudar a necessidade e se for necessário eu vou implantar. Mas não está no meu programa hoje, mas pode estar no meu governo, porque não é toda a demanda que me chega nos 120 dias que eu elaborei o plano de governo. Vai aparecer muita coisa que a gente não teve tempo de analisar no detalhe. Essa é uma delas, mas eu quero te dizer que eu tenho muito apreço por todo e qualquer combate à intolerância. Estou te dizendo, não é só a questão das mulheres, a questão da comunidade LGBT e a questão da população negra no estado. Se você pegar os crimes cometidos de intolerância, eles estão em franco crescimento no estado.
Pergunta 9: Candidato, vamos para educação. O senhor fala em conectar o ensino médio à formação profissional. Quais cursos técnicos seriam prioridades aqui no Alto Tietê, levando em consideração as particularidades da nossa região?
Resposta 9 do Fernando Haddad: Deixa eu falar, eu criei quando eu fui ministro da educação, tem bastante tempo, eu criei uma uma instituição chamada Instituto Federal. São Paulo tem um Instituto Federal com mais de 40 unidades já em funcionamento e a previsão de entrada em funcionamento já para 27, já tão fazendo processo seletivo de quase 18 a mais. Nós vamos ter 60 unidades. Por que que eu falo desse exemplo? Primeiro, porque é o melhor ensino médio do Brasil, incluindo o privado. É o ensino, não é o ensino público melhor do Brasil, é o melhor ensino do Brasil, incluindo o privado. Por que eu tenho isso como referência? Porque é um projeto pedagógico que funciona. Sai todo mundo empregado, sai todo mundo bem informado. É um modelo que eu pretendo trazer para a rede estadual. A Fundação Paula Souza vai conhecer melhor esse modelo, interagir com esse modelo e as escolas da rede pública. Eu não vou dar educação profissional “faz de conta”.
Como é que as coisas funcionam no Instituto Federal? Por isso que eu chamei a atenção. Porque você não abre os cursos sem a interação com arranjo produtivo local. Porque às vezes a região tem demanda por um determinado profissional e essa demanda está satisfeita. Você tem que saber quais as demandas que não estão sendo satisfeitas pela oferta de trabalho especializado. Então, todo o Instituto Federal, ele é precedido por audiências públicas, chama o empresariado local, chama os sindicatos locais e você desenha sob medida para aquela região. Isso foi feito com todos os institutos federais e vai ser feito da mesma maneira com a educação profissional que eu vou implementar.
Pergunta 10 - Candidato, olha só, os educadores se queixam de superlotação nas salas e estudantes de inclusão sem o devido apoio, além disso, é cada vez mais comum professores se afastando por problemas de saúde mental. Como solucionar essas questões?
Resposta 10 do Fernando Haddad: Acho que o maior drama que, olha, é um drama que não é sentido no dia a dia, é o drama que a educação tá vivendo em São Paulo. Nós caímos de terceiro lugar no Brasil para décimo lugar em qualidade de ensino médio público. É de muita gravidade o que aconteceu. 47% das professoras da nossa rede estadual não passaram por concurso público. Tem contratos precários com o estado. Essa precariedade tá sendo usada inclusive contra as professoras, que são obrigadas a se submeter a um trabalho que não tem produzido os melhores resultados, preencher formulários, preencher plataformas, às vezes até sem conectividade.
Um terço das escolas de São Paulo, não tem a banda larga suficiente para os trabalhos previstos pela própria Secretaria de Educação. Então, a educação, eu tô falando depois de 7 anos à frente do Ministério da Educação. Hoje é um problema grave de São Paulo. Se a gente quer reindustrializar o Estado, com base na reforma tributária, porque a guerra fiscal acaba, nós vamos ter que ter um ensino médio de outra qualidade. E os professores vão ser convidados a reformular a escola pública paulista para nós voltarmos aos primeiros lugares. Nós já fomos o primeiro lugar em 2015. Passamos para a terceira no governo Dória e 10º no governo Tarcísio. Então nós vamos fazer uma reforma no ensino médio para conectar a vida do estudante com a realidade do Estado.
Pergunta 11 - O senhor já deu uma pincelada sobre mobilidade urbana, mas vamos voltar a essa questão, né? Porque a questão dos pedágios, candidato, nas rodovias ainda é muito polêmica aqui no Alto Tietê. O senhor pretende rever contratos de concessão de rodovias e políticas de pedágio nas estradas aqui do Alto Tietê e como é que essa revisão poderia beneficiar diretamente os usuários?
Resposta 11 do Fernando Haddad: Eu vou repetir um mantra que eu vou com um princípio que eu tenho. Quando você faz uma promessa, pode passar o que for, o tempo que for, ela tem que ser resgatada e cumprida. Nós dois, em 2022, prometemos que a Mogi-Bertioga não ia ser pedagiada. Então, independentemente do que acontecer, se eu for o governador, eu vou cumprir essa promessa. Eu vou chamar aqui a concessionária e falar: "Olha, eu vou fazer o arranjo que for necessário, mas isso aqui vai ser cumprido porque é uma promessa de campanha, desde o 2020/22”. Eu acho muito ruim quando você vai esquecendo “Ah, vou reabrir o Pronto Socorro”. Esquece. “Não vou pôr pedágio”. Põe. Vai melhorar a qualidade disso. Não. Vai baixar a conta. Aumenta. Essas coisas depreciam a política. Se você quiser saber porque que eu acho que o Tarcísio não participa de sabatinas como essa é porque você vai perguntar isso para ele e ele não vai ter o que responder.
Você sabe que eu tive que rever todos os contratos que o Tarcísio assinou da malha ferroviária federal, quando ele era ministro da Infraestrutura. Eu tive que rever. Um dos contratos que eu tive que rever, o prejuízo já compensado, foi de R$ 4 bilhões, que foi um contrato com a Vale do Rio Doce. Nós tivemos que sentar com a Vale do Rio Doce, o Renan Filho, eu, a Casa Civil, eu como ministro da Fazenda, para rever os contratos que ele tinha assinado. Eu estou te dando o exemplo do que foi feito no governo federal com um contrato assinado pelo Tarcísio. Nós tivemos que voltar a sentar com a concessionária, rever os termos do contrato e cobrar a outorga que não tinha sido paga. Todos os contratos podem ser revistos. Cancelamento, você tem que esticar a corda. Que que significa isso? Significa você sentar com a concessionária, tentar um acordo por bem. Deu certo? Ótimo. Não deu certo? Você pode judicializar. Não deu certo? Se a concessionária não tiver cumprindo as suas obrigações e ficar num jogo de empurra com o governo do Estado, ele pode chegar ao cancelamento do contrato sim. Nós já tivemos que cancelar contratos de concessão por não cumprimento. Agora mesmo nós deixamos de renovar um contrato com a Enel no Governo Federal, porque ela não tá fazendo um bom serviço de distribuição de energia aqui na região.
Tudo tem que ser feito nos primeiros seis meses. Contrato que você não consegue rever. Ó, deixa eu dar um dado para vocês. Tarcísio conseguiu transformar um superávit orçamentário em déficit em apenas 4 anos. É o pior momento das finanças públicas desde o governo Fleury. Vocês sabem o que o Covas teve que fazer para botar as contas em dia aqui no estado de São Paulo. E nós estamos deteriorando as contas de novo.
Pergunta 12 - Dois minutos para considerações finais.
Resposta 12 do Fernando Haddad: Então, o que eu quero dizer para concluir a resposta, é que nós temos condição de rever os contratos e impor, até porque nós vamos ter que em seis meses abrir espaço no orçamento. O orçamento que era superavitário hoje está deficitário. O dinheiro que estava em caixa de 23 bilhões, mesmo com a venda da Sabesp, hoje você tem 5 bilhões em caixa apenas. É dinheiro para menos de uma semana no governo do estado. Então, eu trouxe a você informações que podem ser conferidas. Tudo que eu falei aqui, você tem uma fonte de informação. Vai no seu na sua inteligência artificial, vai no Google, você vai achar essa informação. E no meu site tem todas as propostas que eu que eu fiz aqui absolutamente detalhadas, já com uma espécie de plano executivo.
Eu penso que nós temos três semanas para fazer uma reflexão sobre o futuro de São Paulo. E eu penso que na área de segurança, saúde e educação, nós discutimos na área da economia e das finanças públicas, nós podemos oferecer mais para o estado de São Paulo. Eu queria agradecer a oportunidade de estar aqui. Dizer que eu me coloquei à disposição para ir em todas as sabatinas. Não foi só essa, foi em todas as transmissoras da Globo, fui na Record, fui em todo lugar, infelizmente o governador não tem ido às sabatinas, nem mesmo quando não tem confronto direto ele não vai e acabou de cancelar um pool de emissoras, né? Que era capitaneado pelo SBT, ia ser esse essa semana e eu penso que nós estamos perdendo a oportunidade de discutir temas de interesse público. Então eu faço um apelo para que a sua assessoria reveja essa estratégia, de se esconder. Vamos debater. Somos duas pessoas civilizadas, duas pessoas bem informadas, com boas ideias. Vamos apresentar isso para a população de São Paulo, só vai fazer bem para o estado.