Histórico da Renamo ameaça nova ação judicial contra líder do partido
"Os dois próximos processos vamos meter na próxima semana para obrigar a realização do Conselho Nacional para criarmos o gabinete da preparação do Congresso e consequente realização do Congresso até outubro deste ano, porque o ciclo eleitoral começa em abril", disse António Muchanga durante o lançamento de visitas de trabalho da proclamada Comissão de Gestão aos distritos das províncias da região sul do país que visam avaliar a situação interna do partido e preparar uma nova fase política.
Muchanga afirmou que a contestação à atual liderança da Renamo tem sido realizada através de mecanismos legais, rejeitando a ideia de afastamento por vias não institucionais que são contra os estatutos do partido.
"Ossufo Momade não é para ser derrubado. Também nem queremos fazer golpe. O que nós queríamos era que Ossufo saísse sozinho, mas como ele não quer, nós vamos acionar mecanismos que vão retirá-lo formalmente", disse António Muchanga.
Em maio, os ex-guerrilheiros da Renamo apresentaram uma participação à Procuradoria-Geral da República (PGR) exigindo que Ossufo Momade preste contas sobre a gestão dos recursos financeiros recebidos pelo partido nos últimos dois anos, segundo um documento consultado pela Lusa.
Na queixa, os subscritores acusam a direção da Renamo de falta de transparência financeira, alegando inexistência de relatórios de contas, auditorias independentes e prestação regular de informação aos órgãos internos e membros da formação política.
A Renamo enfrenta há vários anos conflitos internos marcados pela contestação à liderança de Ossufo Momade, acusações de falta de transparência na gestão do partido e divergências sobre o funcionamento dos órgãos dirigentes e o rumo político da principal força de oposição durante grande parte do período multipartidário.
A contestação agravou-se após as eleições gerais de outubro de 2024, nas quais Momade obteve 6% dos votos na corrida presidencial, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo, que perdeu também representação parlamentar, passando de 60 deputados em 2019 para 28 assentos nas eleições de 2024.
Ossufo Momade, 65 anos, assumiu a presidência da Renamo em 2018, após a morte de Afonso Dhlakama, e foi reeleito em maio de 2024, num processo contestado internamente. O dirigente afirmou que não voltaria a candidatar-se à liderança do partido.
A Renamo realizou um Conselho Nacional em 16 e 17 de outubro, mas os ex-guerrilheiros consideraram o encontro uma "manobra dilatória" destinada a manter Ossufo Momade na liderança, defendendo agora a realização de um Congresso para definir uma nova direção antes do próximo ciclo eleitoral.
Leia Também: Renamo exige posição firme da África do Sul para acabar com xenofobia