Houthis próximos de controlar Estreito de Bab el-Mandeb
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"Guerra Traduzida", nova edição especial Irão, hoje com a jornalista Beatriz Félix. Começamos, Beatriz, pela onda de ataques que têm marcado os últimos dias neste conflito no Médio Oriente. A CBS News diz hoje que várias aeronaves norte-americanas foram danificadas na Jordânia.
Isto na sequência de um ataque iraniano contra a base de Muwaffaq Salti. A CBS News refere que oito caças F-15 ficaram danificados, mas já regressaram entretanto ao serviço. Também o caça A-10 Thunderbolt perdeu uma asa. Ainda assim, apesar dos danos em infraestruturas, não foi confirmado pelas forças militares norte-americanas a existência de mortos ou feridos por causa deste ataque.
Entretanto, os houthis do Iémen estarão próximos de assumir o controle estratégico do estreito de Bab el-Mandeb.
É o que diz a agência de notícias Saba, ligada ao movimento rebelde. Em causa está o facto de os houthis estarem prestes a juntar o controle da localidade de Dubab ao controle já assumido em cidades como a cidade costeira de Mocha. As duas localidades estão situadas diretamente ao longo do estreito de Bab el-Mandeb, também conhecido como o Portão das Lágrimas, isto devido às perigosas condições de navegação. Falamos, por isso, da saída a sul do mar Vermelho, situada entre o Iémen, o Djibouti e a Eritreia. É, por isso, um alvo valioso para os houthis, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo bruto e combustíveis do Golfo com destino ao Mediterrâneo.
E Beatriz, significa isto que se esta passagem for bloqueada, os países produtores de petróleo no Golfo ficariam isolados.
Isso pode preocupar os Estados Unidos, já que um desses países é a Arábia Saudita, uma superpotência energética. Isto também tendo em conta que o Irão fechou o estreito de Ormuz, que é a principal artéria marítima da energia entre a Ásia e também a Europa. Ainda sobre a Arábia Saudita, os houthis reportaram cerca de 40 ataques aéreos no Iémen provenientes de Riade. Ainda assim, as autoridades de Defesa Civil sauditas levantaram esta quinta-feira um alerta que tinha sido emitido de emergência na província de Khamis Mushait, no sudeste do país, a quarta vez em 24 horas, no meio da intensificação dos confrontos com os houthis.
E noutro tema que tem dado que falar no Médio Oriente, o Paquistão diz que não há nenhuma discussão sobre a ativação do acordo de Meca.
Seria, no caso, para responder a ataques dos houthis contra a Arábia Saudita. O porta-voz paquistanês, do Ministério Paquistanês dos Negócios Estrangeiros, Shahzad Haider Khan, nega que haja discussões atualmente para usar o acordo de Meca para responder aos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita. Diz mesmo que não está em discussão agora esse tema. Foi o que disse numa conferência de imprensa citada pela agência Reuters. O acordo de defesa mútuo, assinado em agosto entre o Paquistão, a Arábia Saudita e também a Turquia, prevê que um ataque contra um dos países signatários é um ataque contra todos. No entanto, garantiu também, citado pela Al Jazeera, que o acordo é uma aliança defensiva.
E fechamos com o protagonista habitual, Donald Trump. O presidente norte-americano voltou a definir um prazo para o fim do conflito com o Irão.
Imediatamente após o fim das eleições intercalares nos Estados Unidos, que estão marcadas para dia 3 de novembro. É o que diz Donald Trump. O presidente norte-americano diz que os iranianos não vão aguentar muito mais. Foram estas declarações proferidas na pista da base aérea de Andrews, perto de Washington. O líder da Casa Branca acusou ainda Teerão de estar a tentar interferir nestas eleições. Do mesmo modo, Trump antevê também que o preço da gasolina, que atualmente ultrapassa já os US$4 por galão, vai descer consideravelmente, podendo baixar para menos de US$2. Ainda sobre o petróleo, dizer também que o barril de Brent subiu 1,14%, ultrapassa agora os US$102 pela primeira vez desde o mês de maio.
Ponto final nesta "Guerra Traduzida" especial Irão sobre os conflitos no Médio Oriente. Eu sou João Costa e Silva, a edição de hoje foi da Beatriz Félix. Amanhã há uma nova edição para ouvir na Rádio Observador e sempre em podcast.