HRW denuncia execução de civis no Mali por mercenários russos do Corpo Africano

🗓️ 2026-08-20 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Num comunicado, a organização referiu que, para além da execução sumária de nove civis, incluindo quatro crianças, dezenas de cidadãos foram espancados e pelo menos oito casas foram saqueadas e incendiadas pelo grupo de mercenários, que procurava "pessoas com ligações a grupos armados islâmicos".

"A junta militar do Mali parece ter dado sinal verde às forças do Corpo Africano russo para matar civis", declarou a investigadora do Sahel na HRW Ilaria Allegrozzi, acrescentando que as autoridades do país africano "não podem fugir da responsabilidade legal deixando as atrocidades a cargo [do grupo]".

Segundo a HRW, a 10 de julho, mais de cem membros do grupo, acompanhados por soldados malianos que atuavam como intérpretes, invadiram a aldeia de Bombori, na região de Mopti, que na época estava sob o controlo do Grupo de Apoio ao Islão e Muçulmanos (JNIM), que tem ligações à Al-Qaida.

As forças russas reuniram pelo menos 80 homens e meninos para interrogarem, espancarem e ameaçarem de morte.

Diversas testemunhas entrevistadas pela Organização Não-Governamental (ONG) descreveram a chegada do grupo à aldeia, referindo que "os russos estavam no comando" e que "todos [estavam] vestidos com uniformes militares e fortemente armados" e que chegaram em sete camionetas com metralhadoras acopladas e dezenas de motocicletas com bandeiras do Mali.

"Um homem branco com dois rádios comunicadores parecia ser o comandante. Cada vez que ele fazia uma pergunta, atirava para o ar", contou um morador à ONG, acrescentando que, durante o interrogatório, um soldado maliano traduziu perguntas sobre a presença de extremistas no local.

A HRW observou que o JNIM historicamente concentrou o seu recrutamento no povo de etnia fulani e que sucessivos Governos do Mali associaram esta comunidade a insurgentes islâmicos, o que levou a "graves abusos" contra a população civil deste grupo étnico.

A organização apelou às autoridades do Mali a investigarem os acontecimentos "de forma rápida e imparcial" e a responsabilizarem todos os envolvidos, incluindo os militares malianos.

O documento também lembra que todas as partes envolvidas no conflito estão sujeitas ao direito internacional humanitário, que proíbe ataques deliberados contra civis, bem como tratamentos cruéis ou execuções sumárias.

Desde 2021, a junta que governa o Mali desde o golpe de 2020 expulsou as forças francesas e das Nações Unidas, consolidando uma aliança com a Rússia, lê-se no documento.

A aliança com a Rússia baseou-se inicialmente no Grupo Wagner e, desde junho de 2025, no Corpo Africano, que possui um número semelhante de integrantes e inclui muitos ex-combatentes e líderes da primeira milícia.

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