IA reduzirá salários de trabalhadores na Alemanha (mas só de alguns)
O instituto de Munique baseia-se numa pesquisa realizada em junho com mais de 3.000 empresas alemãs que já integraram a IA nas suas atividades.
"Do ponto de vista de muitas empresas, a inteligência artificial não afetará os salários da mesma forma para todos os funcionários", explica a investigadora do Ifo Anna Ruffert, citada na publicação.
"As empresas esperam, na maioria das vezes, uma diminuição dos salários para os trabalhadores menos experientes", continua.
Assim, cerca da metade das empresas entrevistadas estima que os trabalhadores "com menos de cinco anos de experiência profissional podem esperar salários mais baixos", nota o estudo.
Por outro lado, apenas 40% das empresas esperam reduções salariais para os trabalhadores "com pelo menos cinco anos de experiência profissional".
O estudo também mostra disparidades de acordo com o nível de qualificação, entre os trabalhadores que possuem um diploma universitário e aqueles que não o possuem.
Os perfis que realizam tarefas repetitivas e mobilizam poucas competências digitais são geralmente considerados os mais vulneráveis à automação permitida pela IA.
Este efeito acumula-se com o da experiência: apenas 5,9% das empresas acreditam que a IA poderia aumentar os salários dos trabalhadores sem diploma universitário e com menos de cinco anos de experiência profissional.
Ao contrário, os trabalhadores formados e experientes poderiam beneficiar ainda mais dos ganhos de produtividade proporcionados pela IA.
Mais de um quarto das empresas antecipam um aumento salarial para as pessoas formadas com mais de cinco anos de experiência.
O Ifo também observa diferenças setoriais para os funcionários sem diploma universitário.
Nos serviços, 53,3% das empresas preveem uma redução salarial para os funcionários menos experientes.
Essas proporções são igualmente significativas no comércio e na indústria de manufatura, mas menos na construção, onde apenas 39% das empresas acreditam que a IA reduzirá os salários das pessoas menos experientes.
Os resultados do estudo surgem à medida que o debate se intensifica sobre as perturbações causadas pela IA, em pleno crescimento, na economia.
No início de junho, o chefe da Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma das maiores agências da ONU, estimou que "os trabalhadores, em todos os lugares, (deviam) poder beneficiar dos ganhos de produtividade gerados pela IA".