ICNF estima existência de 300 mil javalis em Portugal continental

🗓️ 2026-08-14 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal, promovido pelo ICNF e elaborado pela Universidade de Aveiro, de dezembro de 2022, apontou para "uma estimativa nacional de 277.385 javalis em Portugal continental, podendo este valor variar entre 163.157 e 391.612 javalis", considerando a variação média de estimativas locais.

Embora o estudo necessite de atualização, após quatro anos da sua conclusão, Carlos Albuquerque, diretor regional de Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo, admitiu em declarações à Lusa que a população destes mamíferos selvagens "ande pelos 300 mil exemplares" no território continental.

Segundo o estudo, "a taxa de extração é reduzida e, nos moldes atuais, não se afigura como suficiente para controlar a população de javali e os impactos que esta representa", recomendando o aumento do esforço de caça para se tentar controlar os números de javalis em estado selvagem.

De acordo com dados do ICNF, no ano cinegético de 2025-2026 não foram atribuídos selos vermelhos (autorização para correção de densidades), nem amarelos (para caça em geral) para abate de javalis no município de Cascais.

"Para Sintra, foram efetuados 22 pedidos de selos vermelhos, tendo sido atribuídos 131 selos, e cinco pedidos de selos amarelos, tendo sido atribuídos 70 selos", uma vez que cada pedido pode originar várias autorizações, acrescentou o ICNF.

Estes números, salientou Carlos Albuquerque, reportam-se a todo o município de Sintra, incluindo a zona rural e da serra da Carregueira, mas o Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC) deve "ser maioritário nestes pedidos".

Pegando no exemplo da Arrábida, onde tem sido observada a presença de javalis em áreas urbanas e balneares, o ICNF estimou que, considerando uma taxa de abate de 70%, se terá "141 javalis abatidos na área do parque Sintra-Cascais".

"O javali faz parte da nossa fauna tradicional, autóctone, mas não queremos ter em Sintra-Cascais o que já vamos tendo noutros parques, noutras regiões do país. Porque é um risco, na serra não temos tanta agricultura, mas temos, por exemplo, turismo de natureza", explicou Carlos Albuquerque.

O dirigente do ICNF, responsável pelo PNSC, adiantou que vai ter uma reunião com proprietários da serra de Sintra, para os convidar a participar na recondução do plano da área protegida em programa, pois "são responsáveis por grande parte do território, sobretudo aquele mais sensível", e em cima da mesa estará o controlo de javalis.

"Se os proprietários querem ir para soluções [de armadilhas] tipo jaulas, não temos nada contra e havemos até de institucionalizar isso no quadro da revisão do plano", adiantou.

Segundo o ICNF, no âmbito da saúde púbica, os javalis são considerados "reservatórios e hospedeiros para vários agentes patogénicos", que além de "poderem transmitir várias doenças ao homem", também "transmitem doenças a outras espécies do seu ambiente, incluindo carnívoros, ruminantes e aves domésticas e silvestres".

"A densidade de javali em Portugal tem aumentado nas décadas recentes devido a mudanças no uso do solo, a disponibilidade de alimento de origem antrópica, dispersão natural e à falta de predadores de topo", apontou o instituto, notando que a sua dieta incluiu invertebrados terrestres e aquáticos, assim como vertebrados, sendo responsável "pela regressão de aves que nidificam no solo, designadamente codornizes, perdizes, noitibós, entre outras".

Em termos de abates, no Parque Natural da Arrábida, no ano cinegético 2025-2026, os números oficiais rondam os 700 animais/ano, e com base nas autorizações concedidas na área de Lisboa e Vale do Tejo, para caça e controlo de densidade excessiva, considerando uma taxa hipotética de concretização de 80%, estima-se em "aproximadamente 6.450 javalis abatidos oficialmente" em toda esta região.

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