Implante que restaura visão de pessoas quase cegas é lançado após aprovação inédita
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Devolver a visão a quem mal conseguia enxergar letras e detalhes do cotidiano. Essa é a promessa, testada e cumprida, de um implante high-tech batizado de PRIMA, um sistema voltado a pessoas com degeneração macular que acaba de receber sua primeira chancela de impacto, a aprovação na União Europeia, e começará a ser comercializado na Europa.
A tecnologia, desenvolvida pela empresa Science Corp., é baseada em um minúsculo chip – de apenas 2 milímetros – alocado em uma pequena cirurgia na retina, o nobre tecido que fica no fundo do globo ocular e permite que os estímulos luminosos sejam lidos e convertidos em imagens pelo cérebro.
A mácula, sua porção central, é quem nos garante uma visão refinada – e justamente ela é atacada pela degeneração macular relacionada à idade, problema em ascensão com o envelhecimento populacional.
O implante PRIMA é ligado sem a necessidade de fios a óculos especiais dotados de câmera. Eles captam a luz e a transmitem ao chip, que “substitui” a retina lesada pela doença, possibilitando que as informações cheguem ao cérebro e a pessoa consiga voltar a enxergar parcialmente.
“Poder devolver alguma percepção visual a pessoas que perderam a visão por uma doença antes considerada irreversível é algo que parecia ficção científica há poucas décadas. Vivemos um momento extraordinário da medicina, em que avanços tecnológicos estão redefinindo os limites do que é possível”, comenta o oftalmologista brasileiro Gustavo Gameiro, pesquisador do prestigioso Bascon Palmer Eye Institute, em Miami, nos Estados Unidos.
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Aprovação inédita
O aval ao PRIMA se baseia em um estudo publicado na revista médica The New England Journal of Medicine. A pesquisa envolveu 38 pacientes com atrofia geográfica causada pela degeneração macular, um dano irreversível ao olho que pode levar à cegueira parcial ou completa.
Os cientistas observaram uma melhora expressiva da capacidade visual dos participantes que utilizaram o dispositivo ao longo de um ano.
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Os resultados foram mensurados com exames oftalmológicos, inclusive aqueles em que o médico nos pede para ler sequências de letras. Os pacientes, que não eram totalmente cegos, passaram no teste. Houve um incremento notável na habilidade de captar letras e outros detalhes.
O implante não gera imagens de alta resolução, mas faz uma tremenda diferença no dia a dia de pessoas que mal conseguiam enxergar devido à atrofia na retina e precisavam de apoio para inúmeras tarefas.
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Os ganhos na prática
De acordo com as pesquisas que ampararam a autorização comercial do PRIMA na Europa, o sistema permitiu um incremento médio de 25 letras lidas nas tabelas utilizadas pelos oftalmologistas. Oito em cada dez pacientes apresentaram ganhos significativos na acuidade visual, sem comprometimento do que restava de visão natural.
Ao todo, 84% dos voluntários que implantaram o chip ligado aos óculos relataram capacidade de ler letras, números e palavras, com restauração da chamada visão central funcional, justamente aquela provisionada pela mácula.
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“De fato, é impressionante ver uma prótese retiniana alcançar esse nível de maturidade clínica. Esse sistema demonstra como a convergência entre a oftalmologia, a engenharia biomédica e a neurociência pode transformar possibilidades em opções terapêuticas reais”, diz Gameiro.
“Ainda há desafios pela frente, e será fundamental acompanhar os resultados de longo prazo em termos de segurança, durabilidade e ganho funcional. Mesmo assim, trata-se de um passo importante para o futuro das próteses visuais e das interfaces neurais”, prossegue o especialista.
Por ora não se sabe quando o sistema será submetido à agência regulatória nacional e, portanto, quando estará disponível no Brasil. Ele já está sob escrutínio do órgão responsável por esse tipo de chancela nos Estados Unidos.
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