Indústria da pedra ‘parte’ 11 produtos e quatro patentes com dinheiro do PRR
Apresentado como “o maior projeto alguma vez realizado” no setor da pedra natural em Portugal, da extração à promoção internacional, o consórcio de 52 entidades impulsionado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) resultou em 11 novos produtos, processos e serviços estratégicos, além de quatro patentes registadas.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
EscolherCom um investimento de 68,9 milhões de euros, a agenda mobilizadora “Sustainable Stone by Portugal” foi liderada pela Solancis. Fundada em 1969, a histórica empresa sediada na Benedita extrai, desenha e transforma rocha calcária, e conta com um total de 12 pedreiras próprias e duas unidades de transformação no país.
Nos últimos cinco anos, a empresa detida por Samuel e Helena Delgado, representantes da quarta geração da família na indústria da pedra, comandaram esta iniciativa que mobilizou um total de 31 empresas, 17 entidades não empresariais do sistema de investigação e inovação, três associações e ainda um município.
Este que foi um dos 51 mega projeto do PRR envolveu ainda 286 investigadores e fixou várias metas até 2027: o aumento de 8% das exportações do setor, a criação de 200 empregos diretos (20% dos quais qualificados) e a descarbonização desta indústria. Objetivos que foram contratualizadas no âmbito da chamada bazuca europeia e que “serão verificados em 2028”.
Esta terça-feira, numa sessão ao ar livre na pedreira Vale da Moita 1, em Porto de Mós, em plena Serra de Aire e Candeeiros, a agenda “Sustainable Stone by Portugal”, que esteve organizada em sete work packages que cobriram toda a cadeia de valor, assinala “o fim de cinco anos de trabalho” com um evento que terá a participação do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.
Segundo dados compilados pela Associação Portuguesa da Indústria dos Recursos Minerais (Assimagra), a partir das estatísticas do INE, as exportações portuguesas de pedra natural totalizaram 271,7 milhões de euros até julho, o que representa uma quebra homóloga de 4,7% em valor e de 5% em quantidade (983 mil toneladas). O preço médio do produto exportado subiu 0,41% para 276 euros por tonelada.
Ainda assim, a leitura mensal confirmou a inversão de tendência iniciada em junho, que foi de regresso ao crescimento (+3,3%), depois de um primeiro semestre marcado por sucessivas quebras homólogas e que se agravaram até maio, mês que registou o recuo mais acentuado do ano (-13,6%). Nos cálculos da associação empresarial, o setor já exportou este ano mercadorias para um total de 114 países.
Evolução das exportações portuguesas de pedra natural

Da “adivinha” da pedreira à previsão do envelhecimento
Entre os resultados desta agenda mobilizadora está o Smart Stone Factory 4.0, numa colaboração entre a Solancis, a GeoSense, a Nova FCT e a Nova ID, que respondeu ao desafio de conhecer o maciço rochoso antes da sua exploração para tornar mais eficiente a gestão do recurso e direcionar a explorar. Isto é, saber antes o que se vai encontrar, ao nível de fraturas, cavidades ou outras estruturas.
Já para conhecer melhor o comportamento dos materiais e conseguir acompanhar o produto de forma simples e digital ao longo da cadeia de valor, a eborense Arrow4D, em colaboração com a Dimpomar de Vila Viçosa e a Universidade de Évora, desenvolveram duas soluções tecnológicas: uma câmara de empeno por variação de temperatura; e o NioBook, uma plataforma digital para a gestão, inventariação e rastreabilidade de produtos em pedra natural.
E se fosse possível prever como a pedra vai envelhecer tanto a nível estético como estrutural, e assim reinventar a forma de a proteger da água, variações de temperatura, sais, microrganismos ou radiação solar? Foi esse o desafio assumido pela Universidade de Évora, em colaboração com a ALS Stones de Alcobaça e a Solancis da Benedita, que se juntaram para estudar o comportamento da pedra ao longo do tempo e encontrar novas soluções para aumentar a sua proteção e durabilidade.
A Casa de Pedra foi outro dos projetos que resultaram desta agenda. Coordenado pela Filstone, extratora de calcário e granito em Fátima, desenvolveu uma “solução habitacional inovadora que alia sustentabilidade, industrialização e economia circular”. Ao usar blocos de pedra maciça na estrutura e fundações, complementados por lajes e coberturas modulares pré-fabricadas, promete reduzir tempos de construção, aumentar a eficiência produtiva e garantir elevados níveis de durabilidade, conforto térmico e desempenho energético.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.