Infantino escapa às questões da FIFA: "Não obtivemos qualquer resposta…"
Responsáveis da FIFA revelaram hoje que o presidente do organismo, Gianni Infantino, manifestou arrependimento pela forma como abordou a possível abertura do Mundial de futebol a investidores privados, mas sem dar "respostas satisfatórias" às perguntas do Conselho Executivo.
"O que é dececionante é que não obtivemos qualquer resposta aos nossos pedidos específicos", lamentou Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa de Futebol e vice-presidente da FIFA, à saída de reunião em Zurique, Suíça.
Gianni Infantino presidiu ao primeiro conselho da instância mundial desde o escândalo que quase o derrubou no final do verão, poucas semanas depois de ter abandonado, sob pressão, o seu projeto secreto de abrir o Mundial a investidores privados, com ligações a Donald Trump.
A revelação deste projeto desencadeou uma vaga de críticas sem precedentes, com a UEFA, a CONCACAF e a confederação asiática a reclamarem a sua demissão, bem como muitas figuras do futebol internacional.
Perante alguns dos 37 membros do conselho executivo da FIFA, muitos dos quais desagradados com o projeto, Infantino terá feito uma "certa contrição", segundo a dirigente britânica.
"Ele realmente pediu desculpa foi por não ter submetido a questão ao Conselho", explicou, revelando que Infantino terá pedido para que as perguntas fossem "submetidas por escrito".
"Penso que este homem deve responder a essas perguntas e, se não o fizer agora, não está apto a ser presidente da FIFA", sentenciou, quando as eleições para o cargo vão decorrer em 18 de março de 2027, durante o congresso em Rabat, em Marrocos.
Já o presidente da federação alemã, Bernd Neuendorf, contou que foram formuladas a Infantino "muitas perguntas críticas, sem respostas satisfatórias".
"Como disse, a confiança nele está perdida. Novas pessoas devem agora elaborar novas ideias e é preciso determinar como colocar esta organização, que é extremamente importante para o futebol mundial, em bases sérias. Precisamos de uma pessoa íntegra, alguém de quem se possa esperar a restauração da reputação da entidade, que, sem dúvida, foi perdida", completou.
Já o presidente da federação da Mauritânia, Ahmed Yahya, considerou que o projeto de Infantino era do "interesse do futebol", admitindo que "o que falhou foi a maneira" como foi apresentado.
A proposta tinha como principal aliciante para as federações uma verba a rondar os 13,4 milhões de euros para cada federação, para o ciclo 2027-2031, caso a ideia fosse aprovada.
Infantino planeava vender uma participação de entre 20% a 30% de uma nova subsidiária comercial a investidores privados, liderados por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump.