Intolerância, saúde mental e Ceni: Nestor revela como está a vida no Bahia
Da falta de conhecimento à aproximação com a fé
Nestor segue uma religião de matriz africana e costuma falar publicamente sobre sua fé. O meia, porém, contou que já enfrentou situações de preconceito por causa dela no futebol.
Em entrevista ao UOL, o jogador revelou ter sido ofendido por causa de sua religião em um estádio no Nordeste. Ele preferiu não informar a data, o local exato ou o que foi dito na ocasião.
Às vezes, as pessoas estão no estádio e acham que podem falar qualquer coisa, que o futebol raiz é desse jeito, e não é bem assim.
Rodrigo Nestor
Nestor também recebe comentários sobre sua religião nas redes sociais. O meia diz que tenta não levar os ataques para o lado pessoal e entende que essas manifestações dizem mais sobre quem as faz do que sobre ele.
Quando passa do respeito e atinge o ser humano, isso é muito ruim. Eu posso controlar o que sou, o que aprendi e o que minha mãe e meu pai me ensinaram.
Continua após a publicidadePara Nestor, parte do preconceito contra religiões de matriz africana vem da falta de conhecimento. O jogador reconheceu que também já teve uma visão preconceituosa antes de conhecer melhor a religião.
Eu mesmo já fui preconceituoso um dia, mas muito por não conhecer. Depois que conheci, tive a oportunidade de me aprofundar, de ver como as coisas aconteciam, como funcionava e como era bonita essa religião, eu me apaixonei. Rodrigo Nestor, em entrevista exclusiva ao UOL
No Bahia, Nestor convive com jogadores de diferentes religiões e costuma responder às dúvidas dos companheiros sobre sua fé.
A religião também esteve presente na decisão de se mudar para Salvador. Nestor contou que a escolha de deixar o São Paulo foi dele, mas que buscou orientação antes de sair do clube onde havia passado toda a carreira.
Foi algo que não precisou ser falado, foi sentido. Eu senti que teria que vir para cá, que seria uma coisa boa.
Ameaça à mãe e acompanhamento psicológico

As questões relacionadas à saúde mental ganharam espaço na trajetória de Nestor, principalmente depois das situações que enfrentou no São Paulo. O meia contou que sua mãe chegou a ser ameaçada durante um dos períodos de maior pressão que viveu no clube.
Já tive minha mãe ameaçada, já fui xingado, já fui exaltado. O esporte de alto nível infelizmente se transformou nisso.
Rodrigo Nestor
Para Nestor, a paixão dos torcedores pelo futebol não justifica agressões contra jogadores e familiares. Ele afirma que os atletas precisam cuidar da própria saúde mental diante da exposição e da cobrança.
Hoje, o meia conversa diariamente com a psicóloga do Bahia. Ele também fez acompanhamento psicológico durante a passagem pelo São Paulo e considera esse trabalho importante para quem atua no esporte de alto rendimento.
O torcedor quer ganhar a qualquer custo e se acha no direito de xingar você, de xingar sua família, de falar sobre sua índole, de botar o dedo na sua cara e de te agredir. Eu procuro trabalhar a minha mente e o meu espiritual.
Vontade de Bahia

Nestor já havia trabalhado com o técnico Rogério Ceni no São Paulo e voltou a estar com o comandante no Bahia. O treinador, porém, nem precisou ligar para convencer o meia a aceitar a transferência para o Tricolor de Aço.
O Rogério não me ligou nenhuma vez, não teve que me convencer a ir para o Bahia. Eu sempre tive vontade de vestir a camisa de um grande clube do Nordeste e tive a sorte de o maior clube do Nordeste vir me procurar Rodrigo Nestor
O meia entende que o Bahia ainda está passando por um período de construção depois das eliminações no primeiro semestre. Ao mesmo tempo, reconhece a cobrança por títulos e acredita que o trabalho feito pelo clube pode trazer resultados nas próximas temporadas.
É inevitável que, daqui a alguns anos ou algum ano, o Bahia conquiste algum título pela forma séria e responsável como o grupo trabalha. A gente vem caminhando e plantando coisas boas para colher lá na frente.
