Intolerâncias alimentares: moda ou realidade?

🗓️ 2026-07-21 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este podcast tem o apoio CUF. Nos Centros de Saúde CUF, encontra cuidados de proximidade com a qualidade e segurança de sempre, mesmo à sua porta. Quem tem CUF à porta, tem tudo. Centros de Saúde CUF SA. NPC 509925332.

Hoje em dia, parece que toda a gente conhece alguém que deixou de comer glúten ou que diz ser intolerante à lactose. Há cada vez mais pessoas a retirar alimentos da alimentação, muitas vezes sem sequer terem um diagnóstico. Mas será que estamos perante uma verdadeira epidemia de intolerâncias alimentares ou há também aqui alguma moda à mistura, Dra. Vanessa Mendes? Bom dia, já se está a rir. Afinal, o que está a acontecer?

Antes de mais, é importante perceber que estes conceitos não significam a mesma coisa. Uma alergia alimentar envolve o sistema imunitário e pode provocar reações potencialmente graves. Uma intolerância alimentar resulta da incapacidade do nosso organismo digerir ou até metabolizar determinados alimentos, como acontece, por exemplo, muito frequentemente com a lactose. E existe ainda a sensibilidade alimentar, um tema cada vez mais estudado, em que determinados alimentos podem desencadear sintomas ou contribuir para a inflamação intestinal em pessoas que sejam suscetíveis. São situações diferentes e exigem também abordagens muito diferentes.

Mas afinal, o glúten de que tanto se fala hoje faz mesmo mal a toda a gente?

Não. Para a maioria das pessoas, o glúten não representa qualquer problema, mas existem situações em que pode desencadear efetivamente uma resposta inflamatória importante. Na doença celíaca, por exemplo, o glúten provoca uma inflamação da mucosa intestinal e deve ser totalmente excluído. Noutras pessoas, pode existir a tal sensibilidade ao glúten ou até alguma intolerância a componentes do trigo, que também podem justificar sintomas digestivos. O importante é perceber que nem todos os intestinos respondem da mesma forma aos alimentos. E hoje sabemos que cada pessoa tem uma microbiota, um metabolismo e uma predisposição diferente.

Falamos do glúten, e em relação à lactose, é a mesma coisa?

A intolerância à lactose é relativamente frequente e resulta da diminuição de uma enzima, que é a lactase, responsável pela digestão da própria lactose. Pode provocar distensão abdominal, flatulência, dor, até mesmo diarreia, após o consumo de leite ou dos seus derivados. Mas também aqui importa referir que nem todas as pessoas precisam de eliminar completamente os laticínios. E muitas conseguem até tolerar pequenas quantidades ou determinados produtos que sejam fermentados, como por exemplo, o iogurte.

Mas retirar alimentos da alimentação por iniciativa própria pode não ser a melhor solução, não é?

Na maioria das vezes, não é. Porque estando a eliminar alimentos sem investigação, pode até atrasar o diagnóstico da verdadeira causa dos sintomas e aumentar o risco de défices nutricionais, que tanto se falam também hoje. Além disso, sintomas como a distensão e a dor abdominal ou até alterações do trânsito intestinal podem ter muitas outras causas, como por exemplo, o síndrome do intestino irritável, até alterações da microbiota ou até situações de estresse crónico, que têm um impacto muito significativo no funcionamento do intestino. Por isso, o mais importante é perceber a origem dos sintomas, sempre.

E quando é que devemos procurar uma avaliação médica?

Sempre que existam sintomas persistentes ou recorrentes. A regra da medicina é sempre esta. Portanto, distensão abdominal frequente, dor abdominal, alterações do trânsito intestinal, uma perda de peso inexplicada ou, por exemplo, ter sangue nas fezes, são efetivamente sinais de alarme. O objetivo não deve ser apenas retirar alimentos, mas compreender o que está a provocar estes sintomas.

E voltando à minha pergunta inicial deste episódio, estamos perante uma moda ou uma realidade?

Eu diria que são as duas coisas. Hoje reconhecemos muito melhor doenças como a doença celíaca ou até a intolerância à lactose, o que permite diagnosticar muitos doentes que antes passavam despercebidos, mas também assistimos a uma tendência crescente para excluir alimentos sem avaliação clínica. E a medicina caminha cada vez mais para uma abordagem personalizada. Nem todos os alimentos fazem bem a todas as pessoas da mesma forma. Mas também não devemos transformar um alimento num vilão sem perceber se ele é, de facto, o problema.

A causa.

Uma alimentação saudável não é aquela que elimina mais alimentos. É aquela que é equilibrada, que é personalizada e, acima de tudo, baseada na evidência científica.

Foi mais um "Tratado da Saúde" com a dra. Vanessa Mendes, que está de regresso amanhã. Até lá, doutora.

Até amanhã. Obrigada.