IPCA cai 0,32% em agosto, puxado pela queda na conta de luz
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A inflação oficial do país registrou queda de 0,32% em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi puxado principalmente pela redução na conta de luz, além da queda nos preços dos alimentos e dos transportes.
A deflação, termo usado quando há queda generalizada dos preços no período, foi mais intensa do que a esperada pelo mercado. Essa é a maior deflação mensal registrada pelo índice desde agosto de 2022, quando o IPCA caiu 0,36%. O resultado também representa uma nova desaceleração de preços. Em julho, o índice havia subido 0,07%, enquanto em junho, a alta havia sido de 0,16%.
Pesquisa da Reuters apontava para recuo de 0,29% no mês. Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia registrado alta de 0,07%. Em agosto de 2025, houve queda de 0,11%.
Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,11% desde o início do ano. Em 12 meses, a inflação desacelerou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto, também abaixo da projeção de 4,27% do mercado.
A principal contribuição para a queda do índice veio da habitação. O grupo recuou 1,87% em agosto e retirou 0,29 ponto percentual do IPCA. Segundo o IBGE, foi o menor resultado para um mês de agosto desde o início do Plano Real.
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O movimento foi provocado sobretudo pela energia elétrica residencial, que ficou 7,63% mais barata e, sozinha, retirou 0,33 ponto percentual do índice. A redução ocorreu por causa do Bônus de Itaipu, crédito temporário concedido nas contas de consumidores de energia a partir de recursos excedentes relacionados à comercialização da energia produzida pela hidrelétrica.
O efeito, porém, é temporário. Como o desconto foi incorporado às faturas de agosto, a conta de luz tende a voltar ao patamar normal após o fim do benefício, o que pode pressionar o IPCA nos próximos meses.
Os transportes também ajudaram a derrubar a inflação, com recuo de 0,86% e impacto negativo de 0,17 ponto percentual. As passagens aéreas ficaram 13,17% mais baratas, enquanto os combustíveis recuaram 0,91%.
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Entre os combustíveis, o etanol caiu 3,95%, o óleo diesel recuou 0,80% e a gasolina ficou 0,59% mais barata. O gás veicular seguiu na direção oposta e subiu 2,62%. O transporte por aplicativo também teve queda expressiva, de 4,57%.
Os alimentos registraram o segundo mês consecutivo de queda. O grupo alimentação e bebidas recuou 0,34% em agosto, depois de cair 0,67% em julho. A alimentação dentro de casa ficou 0,61% mais barata.
Entre os produtos que mais caíram estão a batata-inglesa (-19,89%), a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%) e o tomate (-10,94%). Também houve redução nos preços dos ovos (-4,15%) e do café moído (-1,86%).
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Na direção oposta, o leite longa vida subiu 1,78%, as frutas avançaram 0,84% e as carnes, 0,61%. A alimentação fora de casa continuou subindo, mas perdeu força, pois passou de alta de 0,55% em julho para 0,36% em agosto.
A maior pressão para cima veio das despesas pessoais, que avançaram 1,30% e acrescentaram 0,13 ponto percentual ao IPCA. O resultado foi influenciado principalmente pelo cigarro, que ficou 19,59% mais caro e teve o maior impacto positivo individual sobre a inflação do mês, de 0,11 ponto percentual.
Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram queda em agosto: habitação (-1,87%), transportes (-0,86%), alimentação e bebidas (-0,34%) e comunicação (-0,09%). Entre os grupos que ficaram mais caros, além de despesas pessoais, houve altas em artigos de residência (0,64%), educação (0,47%), saúde e cuidados pessoais (0,23%) e vestuário (0,12%).
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A desaceleração da inflação em 12 meses, de 4,44% para 4,22%, mantém o IPCA abaixo do limite superior do sistema de metas perseguido pelo Banco Central. A meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, limite de 4,5%.
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