Irã ataca navios americanos em Ormuz e base dos EUA na Jordânia | CNN Brasil
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia utilizada pelos militares dos Estados Unidos e atacado 10 embarcações nesta quarta-feira (9), depois que os EUA disseram ter destruído cinco petroleiros iranianos, em uma forte escalada da guerra, que já dura seis meses.
O aumento dos ataques dos dois lados rompeu um mês de relativa calmaria, atingindo alvos militares, navios e instalações de energia, fazendo os preços do petróleo dispararem e envolvendo aliados regionais nos últimos dias.
Os americanos disseram ter destruído cinco petroleiros iranianos na noite terça-feira (8). O Comando Central dos EUA divulgou um vídeo dos ataques, que classificou como uma resposta aos ataques do IRGC (Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã) contra um navio de guerra da Marinha dos EUA com mísseis balísticos em duas ocasiões nos dois dias anteriores. Segundo os EUA, nenhum americano ficou ferido.
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“O Irã continua tentando atingir navios de guerra americanos e, para cada vez que fizer isso ou tentar fazer isso, perderá petroleiros”, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a jornalistas durante uma visita à Colômbia.
O Irã então realizou um ataque com mísseis balísticos contra uma base utilizada por forças americanas perto de Al Azraq, na Jordânia, segundo um comunicado do IRGC divulgado pela mídia estatal.
Embora o Irã tenha afirmado que seus mísseis causaram danos significativos, a Jordânia disse que suas defesas aéreas interceptaram 18 dos 20 mísseis iranianos. Os outros dois caíram em áreas desabitadas, e não houve vítimas, segundo o país. Um funcionário americano afirmou que os ataques iranianos na Jordânia foram ineficazes e que todos os militares dos EUA foram localizados.
O IRGC afirmou nesta quarta-feira também ter atacado 10 embarcações, incluindo dois navios americanos e oito petroleiros, que tentavam atravessar uma área “proibida e insegura” do Estreito de Ormuz, uma importante rota de transporte de energia que está em grande parte bloqueada pelos ataques iranianos.
O Irã tem atacado ativos americanos e aliados dos EUA na região durante toda a guerra, incluindo várias vezes na Jordânia, matando ao menos dois militares americanos em um dos ataques, em julho.
O Irã também ameaçou petroleiros em portos do Kuwait e do Bahrein, segundo um comunicado divulgado pela mídia estatal. Uma fonte de segurança marítima informou que um navio-tanque de gás natural liquefeito foi danificado no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, embora não estivesse claro quem foi responsável.
Os preços do petróleo ampliaram os ganhos nas primeiras negociações desta quarta-feira, com o petróleo Brent se aproximando de US$ 100 por barril, devido às preocupações do mercado com a interrupção do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz. Ataques recentes dos houthis, alinhados ao Irã, contra a Arábia Saudita, maior produtora de energia, aumentaram as preocupações com o fornecimento.
Ataques houthis contra a Arábia Saudita
Na terça-feira, os houthis lançaram um ataque contra várias cidades da Arábia Saudita, agravando ainda mais a instabilidade regional.
Os ataques houthis deixaram 73 pessoas feridas e incendiaram instalações petrolíferas, em uma aparente grande expansão do conflito, que começou em 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã.
Os houthis, que controlam a maior parte das áreas povoadas do Iêmen, incluindo a capital, aumentaram a pressão sobre os aliados dos EUA ao interromper periodicamente o transporte marítimo do outro lado da Península Arábica, na entrada do Mar Vermelho.
O grupo afirmou ter lançado uma ampla operação em território saudita, utilizando drones e mísseis para atingir uma base aérea saudita na cidade de Khamis Mushait, no sul do país, além de instalações da empresa petrolífera estatal saudita nas cidades de Abha, Najran e Jazan.
As autoridades sauditas relataram incêndios nos locais atingidos e disseram que mulheres e crianças estavam entre os feridos.
A Arábia Saudita lidera há mais de uma década uma coalizão árabe que combate os houthis no Iêmen, depois que o grupo expulsou o governo iemenita da capital. A guerra havia diminuído de intensidade nos últimos anos, mas um cessar-fogo no país entrou em colapso.
A guerra mais ampla no Golfo se transformou em uma disputa de forças entre os EUA e o Irã, com cada lado esperando que a pressão econômica provocada por bloqueios concorrentes force o outro a ceder.
Washington tenta aumentar o fluxo de petróleo para os mercados mundiais orientando navios a atravessar o Estreito de Ormuz, enquanto bloqueia as exportações iranianas.
O Comando Central afirmou que os petroleiros destruídos na terça-feira faziam parte de uma rede clandestina que financia o IRGC e seus grupos aliados na região. O Irã apoia há muito tempo o que chama de “Eixo da Resistência”, que inclui o grupo islâmico palestino Hamas, o Hezbollah do Líbano, milícias xiitas iraquianas e os houthis.