Iraque reforça defesa aérea e vigilância após ataques americano-sauditas
O Primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaïdi deu "ordens estritas e imediatas (...) para elevar o nível de vigilância e preparação ao máximo" em todos os locais, "especialmente nas bases oficiais das forças armadas e do Hachd al-Chaabi", declarou o porta-voz do governo, Sabah al-Numan.
Os ataques realizados por Washington e Riade na quarta-feira naquele país causaram 20 mortos nas fileiras do Hachd al-Chaabi, de acordo com esta rede de fações maioritariamente xiitas, integrada nas forças armadas iraquianas e que inclui grupos armados apoiantes do Irão.
A reconstrução e modernização das defesas aéreas é uma "prioridade absoluta", acrescentou al-Numan, referindo a aceleração dos projetos para adquirir sistemas modernos de radar e de deteção precoce.
Zaïdi também deu instruções para que haja um reforço das atividades dos serviços de informações, a fim de garantir o monopólio das armas pelo Estado e impedir qualquer "ação individual irresponsável", acrescentou o porta-voz.
Os ataques americanos e sauditas ocorreram depois de Riade ter intercetado drones que visavam instalações petrolíferas no reino, acusando grupos "ligados ao Irão" de os terem lançado a partir do Iraque.
Bagdade afirmou várias vezes que se recusava a permitir que ataques contra países vizinhos fossem lançados a partir do seu território.
A Resistência Islâmica no Iraque, uma poderosa aliança armada iraquiana apoiante do Irão, negou ter atacado a Arábia Saudita e avisou que a sua resposta aos ataques americanos e sauditas era "inevitável".
Bagdade está sob crescente pressão dos Estados Unidos para desarmar os grupos pró-iranianos, que atacaram instalações americanas no Iraque e em toda a região durante a guerra, em apoio a Teerão.
Ali al-Zaïdi, que chegou ao poder na primavera com a aprovação de Washington, prometeu assegurar que aqueles grupos entregassem as suas armas, mas enfrenta a resistência de algumas fações poderosas.
O Iraque tem sido há muito um terreno de confronto por procuração entre os Estados Unidos e o Irão, com os governos sucessivos a negociar um equilíbrio delicado entre os seus dois principais aliados, que são ao mesmo tempo inimigos.
Leia Também: Médio Oriente: Iraque nega ter lançado ataques contra Arábia Saudita