Já não dá para esconder: Rússia tem de continuar a pagar a guerra e Putin decidiu aumentar os impostos
Empresas ocidentais que ainda estão na Rússia são as principais visadas, mas não pára por aí
A Rússia foi fazendo, a pouco e pouco, uma mudança no discurso sobre o estado da sua economia. Primeiro não havia nenhum problema, depois surgiram pequenas situações pontuais e, agora, o cenário é claro: o país não está a crescer o suficiente para alimentar uma guerra que em breve vai completar cinco anos.
Com as refinarias a arder e alguma incapacidade em escoar o petróleo e gás natural, dois dos grandes motores da máquina de guerra de Vladimir Putin, o Kremlin não teve outra alternativa a não ser aumentar os impostos.
Primeiro às empresas ocidentais que ainda continuam a operar na Rússia, como se esperava, mas este novo pacote fiscal também já vai abranger negócios domésticos e até alguns indivíduos.
As novas medidas foram publicadas esta quinta-feira, sendo incluídas como parte da proposta de Orçamento do Estado para 2027, e falam especificamente contra empresas de países “inimigos”, a forma como a Rússia designa quem condenou a invasão à Ucrânia.
Muitas dessas empresas, maioritariamente de países da União Europeia, do Reino Unido ou dos Estados Unidos, continuam a acumular lucros na Rússia, o que parece estar a irritar o Kremlin.
A proposta como está visa apertar o cerco aos investidores estrangeiros, sendo que os impostos podem mais do que duplicar em relação ao que é atualmente aplicado, passando de 15% para 25%.
Outras medidas incluem um imposto sobre os lucros extraordinários dos produtores de ouro e uma taxa de 30% para os produtores de metais, até porque são matérias cujos preços estão elevados - a Rússia é o segundo maior produtor mundial de ouro, por exemplo -, pelo que os lucros também têm crescido.
Quanto às medidas dirigidas a indivíduos, a Rússia pretende aumentar a taxa que incide sobre o salário, o IRS, no fundo, mas também quer mexer nos juros dos depósitos e nas vendas de ações.
Estas medidas confirmam a visão do ministro das Finanças da Rússia, que já tinha antecipado que o próximo orçamento iria priorizar a “defesa nacional e a segurança”, além do “apoio social” para os soldados destacados na Ucrânia.