João Mesquita em modo… LiveMode

🗓️ 2026-08-26 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

General manager da LiveMode, João Mesquita trouxe consigo a missão de internacionalizar um modelo nascido no Brasil com a CazéTV. Portugal é a porta de entrada e o laboratório para outras geografias.

  • Retrato é uma rubrica do ECO na qual, durante o mês de agosto, é publicado diariamente o perfil de uma personalidade que se distinguiu no último ano, em Portugal

Quando a LiveMode anunciou que iria transmitir gratuitamente 34 jogos do Mundial de Futebol 2026 em Portugal, ou que Cristiano Ronaldo era o seu novo acionista, poucos conheciam a empresa. Não era uma estação de televisão, não pertencia a um operador de telecomunicações e não tinha histórico no mercado. Provavelmente, ainda menos acreditaram que uma plataforma assente no YouTube pudesse competir com os operadores tradicionais na disputa pelos direitos, pela audiência e pelas receitas publicitárias e patrocínios do maior evento de futebol mundial. Mas assim foi.

À frente da operação portuguesa surgia João Mesquita, um dos rostos de uma empresa que quer provar que o YouTube pode ser tão relevante para a transmissão de grandes eventos desportivos como a televisão.

O gestor sabia que aqueles dias seriam decisivos. Se tudo corresse bem, a LiveModeTV deixaria de ser uma promessa para passar a ser uma marca incontornável na nova forma de distribuir conteúdos desportivos. O Mundial já acabou, para prognósticos definitivos ainda é cedo, mas os primeiros capítulos estão escritos.

Certo é que à frente da operação portuguesa está um gestor habituado a decifrar as correntes de mudança antes de se tornarem uma evidência. O country manager da LiveModeTV tem uma espécie de hábito profissional: chegar quando o negócio está a mudar.

Assumindo o cargo de general manager da LiveMode em Portugal em abril de 2026, João Mesquita trouxe consigo a missão de internacionalizar um modelo digital nascido no Brasil (com a CazéTV). Portugal, não o esconde, é a porta de entrada e o laboratório para outras geografias.

Tem mais de duas décadas de experiência na indústria dos media e do entretenimento, incluindo o lançamento dos canais TVCine em Portugal (Premium TV), a gestão de canais no Brasil durante perto de 15 anos, a direção-geral da Globoplay, unidade de streaming do Grupo Globo e, mais recentemente, a direção de marketing da Prime Video & Amazon Studios para múltiplos mercados (LATAM, Canadá, Austrália e Nova Zelândia).

A “Boca do Funil” e a complementaridade

Num setor marcado por modelos consolidados e direitos desportivos comummente considerados inflacionados, João Mesquita recusava o rótulo de broadcaster, o que provocou alguns dissabores com a ERC. “Somos um produto nativo digital. Aliás, argumentamos com frequência: não temos praticamente nenhuma característica de um broadcaster. Não temos grelha, não temos horários fixos”, descrevia em junho, em entrevista ao +M.

Em vez de declarar guerra a operadores pagos como a Sport TV ou a Dazn, João Mesquita posicionou a LiveMode como a “boca do funil”.

Ao invés de declarar guerra a operadores pagos como a Sport TV e a Dazn, João Mesquita posicionou a LiveMode como a “boca do funil”. A estratégia assenta na convicção de que a plataforma atrai e recupera novos públicos e gerações que já não distinguem televisão de streaming. Ao disponibilizar conteúdos gratuitos, o projeto expande a base de adeptos do desporto, que mais tarde podem transitar para ofertas pagas mais abrangentes. “Nós somos claramente um complemento, não um substituto” dos meios convencionais, insistia na entrevista.

Este modelo de complementaridade tem-se vindo a materializar nas últimas semanas. Após alcançar recordes de audiência no Mundial de 2026 — com cinco milhões de dispositivos únicos na soma dos 34 jogos no Mundial —, a LiveMode garantiu os direitos de transmissão do Mundial Feminino FIFA 2027 para Portugal, a Taça Intercontinental FIFA, além dos o primeiro jogo do Benfica nas eliminatórias da Liga Europa, os oito jogos particulares de pré-temporada do clube ou a Kings League. Mais recentemente, já na segunda quinzena de agosto, a empresa selou uma parceria estratégica com a Dazn para transmitir gratuitamente um jogo por jornada da Premier League e da UEFA Champions League no YouTube.

O homem por trás do gestor

Quem já trabalhou com João Mesquita descreve-o como um gestor com as “mãos na massa”, altamente intuitivo e energético. “É um marketeer brilhante, muito bom em produto, estratégia e marketing”, conta um profissional com quem já trabalhou e que se tornou um amigo.

O percurso começou na Unilever Portugal, seguiu-se a função de marketing manager na Mars e três anos como diretor de marketing e vendas da Swatch, antes de ingressar como administrador delegado na Premium TV. Estávamos no início do século, altura em que nasciam os primeiros canais de televisão paga em Portugal. Em 2003 atravessou o Atlântico rumo ao Brasil.

João Mesquita, diretor geral da LiveModeTV, em entrevista ao ECO/+M em junhoJosé Carlos Carvalho/ECO

Este é visto como o momento-chave do seu percurso profissional. Foi, comenta quem o conhece bem, um teste à sua capacidade de adaptação, de entender uma cultura diferente, de aprender um negócio novo e também de desenhar uma visão longo prazo. “Gerir e motivar as pessoas é o maior desafio que se pode ter em gestão. O resto é fácil”, costuma dizer. Num âmbito mais pessoal, o ponto de viragem foi o nascimento dos dois filhos. São a sua maior realização, não há nada na vida profissional que se compare, comenta habitualmente com orgulho.

Nos tempos livres, João Mesquita gosta de viajar, visitar lugares novos e experimentar companhias aéreas e modelos de avião. Conhece 68 países. Antes de 2030, tem o objetivo de chegar aos 100.

O meu grande interesse é construir Portugal e dar seguimento para outras geografias. É o que faz sentido para todos nós.

O regresso a Portugal, após mais de duas décadas no exterior, é também a proximidade à Europa, com qualquer país a poucas horas de distância. Também, conta um amigo, tinha saudades das bolas de Berlim que se vendem nas praias de todo o país.

O que João Mesquita parece dispensar é a política portuguesa e a visão pequena e conservadora que considera existir na gestão das empresas em Portugal.

Quanto aos próximos capítulos, avançou na entrevista de junho, podem passar por levar a LiveMode a outras geografias. “O meu grande interesse é construir Portugal e dar seguimento para outras geografias. É o que faz sentido para todos nós”, contou o responsável.

Recorde aqui a entrevista a João Mesquita, no final de junho:

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