Joesley Batista ajudou Trump a moldar medidas para carne - 01/09/2026 - Economia - Folha
Joesley Batista influenciou as políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conter a alta de preços da carne, afirma o jornal The Wall Street Journal em reportagem publicada nesta segunda-feira (31).
O empresário da JBS e Trump se encontraram na Casa Branca no dia 20 de agosto e discutiram como uma oferta maior de carne bovina brasileira poderia ajudar o governo americano caso a tarifa de importação fosse eliminada, diz a publicação.
Um dia depois, Trump anunciou nas redes sociais o plano de ampliar a cota de carne importada sem tarifas, medida oficializada em decreto assinado dias depois. A reportagem não conseguiu descobrir quem promoveu o encontro entre os dois.
Em comunicado naquele mesmo dia, o governo brasileiro informou que Lula (PT) e Trump conversaram sobre temas como tarifas, combate ao crime organizado e conflitos mundiais.
A alta dos preços da carne bovina tem sido um problema para o governo Trump. Ao diminuir as tarifas sobre a carne importada, Trump irritou pecuaristas e recebeu críticas de parlamentares de seu partido e de entidades do setor.
O WSJ destaca que a JBS, empresa brasileira que é a maior produtora de carne do mundo, já tinha papel importante na formação de posições do governo Trump, mesmo antes do decreto mais recente. A Pilgrim's Pride, controlada pela empresa da família Batista, foi a maior doadora da posse de Trump.
A JBS afirmou ao jornal que "tem um longo histórico de participação no processo cívico e de criação de oportunidades para oferecer alimentos seguros e acessíveis às famílias americanas".
Para a empresa, importar mais produto brasileiro para os EUA garantiria uma fatia maior do mercado americano. O Brasil enviou cerca de US$ 1,5 bilhão em carne bovina aos EUA no primeiro semestre deste ano, uma alta de 10% em relação ao ano passado, segundo dados americanos.
O plano de importação do governo Trump também responde à escassez de gado nos EUA. A falta de oferta elevou os preços dos animais e levou os preços da carne bovina a níveis recordes.
A oferta maior de carne da América do Sul pode reduzir temporariamente o preço em supermercados e fast-foods americanos. Mas também pode desestimular pecuaristas a recompor rebanhos, o que prolongaria a escassez.
Em maio, o governo Trump cogitou um plano para suspender uma cota tarifária aplicada aos países exportadores de carne bovina, acrescentou a reportagem. Mas a proposta foi engavetada após protestos de pecuaristas, autoridades do governo e alguns republicanos no Congresso.
A descoberta do encontro entre Trump e Joesley também acontece na sequência de uma investigação americana sobre as quatro maiores empresas de processamento de carnes dos EUA, entre elas a JBS. O governo americano acusa as empresas de formar um monopólio no setor.