Joseph Kabila lidera novo movimento político-militar com M23 na RDC
O ex-presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, assumiu a liderança de um novo movimento político-militar que inclui o grupo armado antigovernamental M23, anunciaram segunda-feira as duas partes.
"Fica criado um movimento político-militar, a Frente para a Refundação da Nação (FRN)", e "assume a presidência Joseph Kabila", declarou um representante da ala política do grupo armado, numa conferência de imprensa conjunta realizada na presença do antigo chefe de Estado (2001-2019), na residência deste em Goma, grande cidade do leste do país, controlada pelo M23.
Joseph Kabila, de 55 anos, foi condenado à morte, à revelia, no final de setembro de 2025, por "traição" e "crimes de guerra".
A justiça militar congolesa tinha determinado que Kabila foi um dos criadores da Aliança Rio Congo (AFC), a ala política do M23 que foi dissolvida com a criação da FRN.
O anúncio da união entre Joseph Kabila e o M23 ocorre num contexto político incerto no país africano.
O Presidente Félix Tshisekedi, de 63 anos e sucessor de Joseph Kabila, chega ao fim do seu segundo e último mandato de cinco anos em 2028.
A Constituição congolesa estabelece o limite de dois mandatos de cinco anos, mas os apoiantes do governo vêm preparando a opinião pública há vários meses para a ideia de uma alteração ao texto constitucional, abrindo caminho a um terceiro mandato de Tshisekedi.
A oposição, que acusa o presidente de manobras para se manter no poder, organizou manifestações em junho e setembro.
As Nações Unidas lamentaram a ocorrência de "pelo menos uma morte" durante a primeira manifestação na capital, Kinshasa, e a oposição denunciou o "assassínio" de um opositor na seguinte.
O leste da RDC é assolado pela violência há mais de 30 anos e várias tentativas de mediação falharam até à data.
Apoiado pelo Ruanda e pelo seu exército, o M23 controla vastas áreas do território nas províncias do Kivu Norte e do Kivu Sul.
Uma ofensiva relâmpago do M23 no início de 2025 resultou na tomada das duas principais cidades da região, Goma e Bukavu, colocando as forças armadas congolesas em fuga.
Um acordo assinado em dezembro por Kinshasa e Kigali, sob a mediação de Washington, não surtiu qualquer efeito concreto no terreno.
Paralelamente, em julho de 2025, Kinshasa e o M23 comprometeram-se, no âmbito de uma mediação do Qatar, com um cessar-fogo que, no entanto, não está a ser respeitado.
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