Julgamento da Meta: ex-diretor depõe sobre vício em redes sociais
O consultor afirmou que a vigilância interna da Meta era falha porque se concentrava na prevalência de conteúdo que violava as políticas da empresa, e não na extensão dos danos causados. Ele leu para os jurados um email que havia enviado ao diretor de produtos da Meta, Chris Cox, destacando uma suposta discrepância substancial entre a prevalência relatada pela Meta e os danos reais relatados pelos usuários. "Os jovens estavam sofrendo danos em taxas extraordinariamente altas", disse ele. "Um pai ou mãe gostaria de ter sabido" dessa realidade, acrescentou.
Uma testemunha-chave
No julgamento, a Califórnia, o Colorado, o Kentucky e Nova Jersey acusam a Meta de ter projetado o Facebook e o Instagram para viciar usuários jovens, alimentando ansiedade, depressão e até suicídio, além de enganar os consumidores sobre a segurança das plataformas. O julgamento também inclui alegações de 29 estados de que a Meta violou a lei federal ao coletar e usar indevidamente dados pessoais de crianças enquanto elas utilizavam suas plataformas.
Especialistas afirmam que o julgamento é o maior teste legal até o momento sobre os efeitos das redes sociais em jovens usuários. A Meta enfrenta milhares de processos semelhantes por supostos danos a crianças, e Bejar tem sido uma testemunha-chave contra a empresa em três dos casos que foram a julgamento até agora. Um desses casos, movido pelo Novo México, resultou em US$ 942 milhões em indenizações e multas, além de uma ordem judicial exigindo que a Meta faça alterações em suas plataformas no estado.
Bejar tem se manifestado abertamente contra o histórico de segurança da Meta para crianças e testemunhou perante uma comissão do Senado dos EUA em 2023, afirmando que a empresa controladora do Facebook e do Instagram tinha conhecimento do assédio e de outros danos enfrentados por adolescentes em suas plataformas, mas não tomou medidas para resolvê-los.
A Meta tentou, sem sucesso, impedir o depoimento de Bejar, argumentando que ele não preservou provas ao apagar comunicações com outros ex-funcionários da Meta no Signal, citando, em parte, comentários feitos por ele em um julgamento ainda em andamento no Tennessee.