Junho foi o mês mais mortífero para civis ucranianos desde 2022
"Após a forte subida registada em maio, o número de vítimas civis continuou a aumentar", informou a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia (HRMMU) num relatório.
"Pelo menos 293 civis foram mortos e 1.990 feridos na Ucrânia" durante o mês de junho, precisou a missão num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Trata-se do "número total mais elevado de civis mortos e feridos desde abril de 2022", o segundo mês completo da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Segundo o relatório da ONU, 45% das vítimas estão relacionadas com mísseis e drones de longo alcance, com os ataques a atingirem principalmente cidades afastadas da linha da frente, nomeadamente Kiev (centro) e Dnipro (centro-leste).
A evolução reflete "a utilização cada vez mais frequente de armas potentes que são particularmente mortíferas quando utilizadas em zonas urbanas densamente povoadas", disse a representante da HRMMU, Danielle Bell.
"Os riscos enfrentados pelos civis não só persistem, como também se agravam tanto em dimensão como em complexidade", acrescentou.
Nos últimos meses, a Rússia intensificou os ataques contra a Ucrânia, nomeadamente com mísseis balísticos que as defesas ucranianas têm dificuldade em intercetar por falta de munições antiaéreas suficientes.
Neste contexto, nove países europeus lançaram na segunda-feira uma coligação "puramente defensiva" para reforçar as capacidades antibalísticas no continente, de que Kiev carece dramaticamente.
No relatório, a missão da ONU refere ainda um nível recorde de ataques com drones explosivos ao longo da linha da frente desde o início da invasão, em 24 de fevereiro de 2022, com 89 civis mortos e 588 feridos.
A utilização sistemática deste tipo de drones por ambos os beligerantes contribuiu para transformar a linha de contacto numa "zona mortífera" que se estende por várias dezenas de quilómetros.
A Rússia invadiu a Ucrânia para "desnazificar e desmilitarizar" o país vizinho, que se libertou da esfera política e militar de Moscovo em 1991, quando se tornou independente da então União Soviética.
A guerra russa contra a Ucrânia, com um balanço de baixas civis e militares por determinar, é considerada como o conflito mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
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