Junta de Santa Valha, em Valpaços, preocupada com as quebras significativas nas próximas vindimas e campanha de azeitona - 24 Notícias

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O presidente da Junta de Santa Valha, Carlos Vieira, descreveu à agência Lusa um “inferno” que passou pelas aldeias da sua freguesia. O fogo começou terça-feira em Valpaços, distrito de Vila Real, e chegou aos concelhos de Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança. Esta sexta-feira ainda é dia de combate, mas no terreno já se faz o levantamento dos prejuízos.

Na freguesia de Santa Valha, o fogo veio de sul para norte, coisa “nunca antes vista” e à sua passagem atingiu “muitos hectares” de vinhas e olivais, a principal fonte de rendimento dos residentes destas aldeias.

Carlos Vieira disse que está a ser feito o levantamento dos prejuízos, mas considerou que vai ser uma tarefa complicada “porque há muita área ardida”, apontando ainda à “perda da paisagem”, já que ficou um rasto negro pela freguesia.

“O fogo vinha muito perigoso por causa dos ventos e o fumo que se acumulou impediu a atuação dos meios aéreos e ficámos entregues aos meios terrestres”, contou o autarca, lembrando que a Santa Valha ficou rodeada de chamas, as estradas cortadas e que algumas pessoas mais idosas ficaram confinadas no centro por segurança.

A Quinta do Salvante é uma produtora de vinho e de azeite e, segundo disse à Lusa Nuno Miguel Neves, foi “afetada tanto na vinha como no olival”.

“As vinhas não arderam, mas acabaram por secar com o calor resultante do fogo que andava à volta no mato e nos pinhais. Acabou por afetar também oliveiras muito antigas”, contou.

O impacto na próxima vindima e na campanha de azeitona vai ser, segundo disse, “muito grande”. “Na parte da vinha, as folhas secam e também acabam por secar as uvas e essas uvas não vão chegar ao lagar. No olival a mesma coisa, a azeitona acaba por secar, porque a folha secou completamente. O calor foi tanto que a folha secou e a azeitona acaba por cair”, salientou.

Nuno Miguel Neves disse que ainda não houve tempo para o levantamento dos prejuízos e que ainda se está a tentar assimilar o que aconteceu.

A Quinta do Sobreiró de Cima perdeu cerca de 15 hectares de vinha em produção e quatro hectares de amendoal, num prejuízo preliminar calculado em cerca de um milhão de euros.

A Câmara de Valpaços pediu ao Governo a declaração do estado de calamidade no concelho, estando a aguardar uma resposta.

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