KFC transforma “Believe in Chicken” em game show de 30 minutos
Em março, o KFC perguntou aos britânicos quanto eles realmente acreditavam em frango.
Quase 10 milhões de pessoas escanearam o QR code da campanha. Mais de 50 mil se candidataram para provar a resposta. Agora, 30 delas foram colocadas num game show de meia hora valendo £50 mil.
“Don’t Crack”, criado pela Mother London, é a evolução mais literal possível de Believe in Chicken: o universo de devoção absurda que o KFC vem construindo desde 2024 virou um programa de competição completo no YouTube.
Fé cega, ovos dourados e lágrimas por frango
Os participantes têm entre 22 e 65 anos e foram escolhidos entre pessoas comuns, não atores ou influenciadores. O grupo inclui médico, policial, motorista do metrô de Londres, instrutor de artes marciais e uma autodeclarada bruxa.
A primeira prova, “Blind Faith”, coloca os 30 vendados num percurso de obstáculos em busca de dez ovos dourados.
Os sobreviventes passam por “Acts of Devotion” e depois por “Eyes on the Prize”, em que cinco competidores usam headsets com laser e sofrem consequências se tirarem os olhos do ovo. A final dispensa qualquer preocupação com bom senso.
Dois participantes entram em ninhos gigantes para “Tears of Joy”. Vence quem conseguir produzir primeiro uma lágrima genuína de alegria pelo KFC e fazê-la escorrer pelo rosto.
A campanha virou o programa que prometia
O B9 acompanhou o capítulo anterior da história em março, quando “How Much Do You Believe in Chicken?” mostrava pessoas vendadas atravessando obstáculos e convidava o público, por QR code, a participar de uma versão real da experiência.
Naquele momento, a graça estava em transformar a plataforma publicitária numa prova física de devoção. Seis meses depois, o teste virou televisão de internet.
E ficou bem maior do que parecia no começo: em vez de simplesmente reproduzir o filme com um fã, a Mother desenvolveu uma estrutura de competição com 30 participantes, eliminatórias, apresentador, prêmio em dinheiro e equipe acostumada a programas de entretenimento.

Quando 90 segundos não bastam
A duração de meia hora é parte da estratégia.
Segundo Monica Silic, CMO do KFC no Reino Unido e Irlanda, a marca preferiu não “alugar a audiência de outra pessoa”. Depois da resposta à campanha de março, decidiu colocar os próprios fãs diante da câmera e dar tempo suficiente para o público começar a torcer por eles.
É uma resposta interessante para o problema clássico da publicidade no YouTube: disputar atenção com o conteúdo que as pessoas realmente abriram a plataforma para assistir. O KFC simplesmente tentou virar esse conteúdo.
Derek Man Lui, ECD da Mother, resume o raciocínio dizendo que públicos mais jovens são muito bons em evitar publicidade, mas continuam dispostos a passar tempo com marcas quando recebem algo que consideram entretenimento.
Por isso, Don’t Crack não funciona como um comercial esticado. Tem regras, imprevisibilidade e vencedores que a própria equipe não sabia quem seriam antes das gravações. A produção passou dois meses planejando as provas e depois deixou os participantes tomarem conta do caos.