Kremlin acusa Londres de obstruir progressos rumo à paz na Ucrânia

🗓️ 2026-08-24 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Moscovo acusou, esta segunda-feira, o Reino Unido de obstruir qualquer progresso no sentido de uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia, depois de Londres ter anunciado a sua intenção de fornecer a Kiev as informações necessárias para a produção de mísseis de longo alcance Scalp.

O Reino Unido está "metódica e consistentemente a alimentar o fogo" e a procurar "impedir qualquer progresso no processo de paz", respondeu o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov.

O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que chegou a Kiev esta segunda-feira prometeu continuar a apoiar a Ucrânia, apesar das "ameaças ultrajantes" da Rússia. Questionado sobre a visita e o apoio, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou o Reino Unido de fazer tudo o que pode para impedir qualquer progresso no sentido de um eventual acordo de paz.

"A Grã-Bretanha está envolvida nesta guerra ao lado do regime de Kiev. A Grã-Bretanha, de forma metódica e regular, alimenta o fogo e, de forma metódica e regular, engendra planos para impedir até o mais pequeno progresso no processo de resolução pacífica", afirmou Peskov aos jornalistas.

O porta-voz do Kremlin acrescentou que os militares russos já estavam a recolher sistematicamente dados para identificar a localização de quaisquer instalações de produção de mísseis e, em seguida, a destruí-las.

Moscovo alertou Londres na semana passada para "consequências" não especificadas pelo fornecimento de drones a Kiev, acusando a Grã-Bretanha de aprofundar o seu envolvimento na guerra após um relatório que indicava que drones de fabrico britânico tinham sido utilizados para ataques de longo alcance contra a Rússia pela primeira vez.

Burnham disse na altura que Londres estava empenhada em apoiar a Ucrânia a 100% contra "esta guerra ilegal".Mísseis SCALP com alcance máximo de 550 quilómetros

O Reino Unido permitirá a libertação de tecnologia classificada para que um míssil de cruzeiro de design franco-britânico possa ser fabricado na Ucrânia, um impulso para Kiev nos seus esforços para aumentar o poder de fogo a centenas de quilómetros dentro da Rússia.

Paris e Kiev querem estabelecer uma linha de produção ucraniana para o míssil de cruzeiro lançado do ar SCALP, conhecido como Storm Shadow no Reino Unido, até ao final do ano. A desclassificação da informação sobre componentes britânicos dos mísseis, anunciada esta segunda-feira, é um passo fundamental para atingir este objetivo.

Fabricado pela empresa europeia de armamento MBDA, o SCALP é uma arma de longo alcance, de ataque profundo e com ogiva convencional, da qual a Ucrânia já utilizou com sucesso versões importadas contra alvos fortificados, incluindo em novembro de 2024, quando foram disparados contra alvos dentro da Rússia pela primeira vez.

Impulsionado por um motor turbojato, o míssil tem um alcance máximo de 550 quilómetros e pode transportar uma ogiva perfurante de alto explosivo de 400 quilogramas, de acordo com o projeto Missile Threat do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), avançou a CNN.

Uma vez lançado, o míssil utiliza uma combinação de posicionamento global interno e navegação por referência de terreno, juntamente com um sensor infravermelho e algoritmos de reconhecimento automático de alvos, para alcançar um elevado grau de precisão em todas as condições meteorológicas, segundo o CSIS.

O SCALP é disparado a partir dos caças Su-24 ou Mirage 2000 da Ucrânia e tenta evitar as defesas aéreas voando rente ao terreno durante o voo.A sua utilização pela Ucrânia será para atingir alvos militares enterrados, como bunkers de comando, algo mais desafiante para os drones mais leves que Kiev tem utilizado para atingir alvos mais expostos, como refinarias de petróleo ou armazéns.

A Grã-Bretanha e a França não divulgaram quantos mísseis SCALP/Storm Shadow foram fornecidos à Ucrânia até à data, mas em 2025 a fabricante MBDA reativou linhas de produção que estavam paradas há 15 anos.

"Fornecido à Ucrânia, o míssil franco-britânico SCALP/Storm Shadow demonstrou a sua eficácia em combates modernos de alta intensidade, em situações decisivas", afirmou na altura o ministro da Defesa francês, Sébastien Lecornu.

Mesmo com o anúncio do Reino Unido, a produção em grande escala poderá demorar vários anos, mas o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirma que Londres está a apoiar Kiev a longo prazo.

"Apesar das ultrajantes ameaças russas contra o meu país, continuaremos a apoiar a defesa da Ucrânia. Sei que precisam de mais ajuda para proteger o vosso espaço aéreo e os vossos civis", disse num discurso antes de uma reunião com os parceiros ocidentais de Kiev.

O que o SCALP não consegue resolver é a escassez de mísseis defensivos da Ucrânia, como o sistema Patriot, concebido pelos EUA, uma vulnerabilidade exposta com consequências devastadoras nas últimas semanas, quando a Rússia lançou grandes ondas dos seus próprios mísseis e drones em ataques que mataram dezenas de ucranianos.

c/agâncias