Lacração de Lula no JN sobre dívida pública - 28/08/2026 - Adriana Fernandes - Folha
O presidente Lula disse na sabatina do Jornal Nacional para as eleições deste ano que não está preocupado com o crescimento da dívida pública em seu terceiro mandato. Mas deveria.
Na tentativa de se desviar da pergunta incômoda sobre a disparada da dívida em 10 pontos percentuais em relação ao PIB (Produto Interno Bruno) no seu terceiro mandato, Lula quis lacrar para cima da apresentadora Renata Vasconcellos, e ficou feio para o presidente.
"Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar essa pergunta falando diferente: 'Você, por exemplo, presidente Lula, o senhor foi o único presidente na história do Brasil que fez superávit primário durante oito anos do seu primeiro mandato.'"
O passado não muda a realidade de hoje. O endividamento do setor público chegou a 81,9% do PIB e vai crescer mais até o fim do ano, para 83,6%, de acordo com projeções oficiais. Esse indicador é o mais importante para mostrar a saúde financeira das contas de um país.
Lula negou o problema, culpou os juros altos e preferiu comparar o tamanho da dívida brasileira com a de países como Estados Unidos, Japão e Itália. A comparação com essas economias serve de retórica, mas não convence.
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O presidente não ganha mais votos do seu eleitorado cativo mantendo a negação do problema, mas essa postura debilita o trabalho de busca de credibilidade, caso ganhe as eleições e consiga o 4º mandato.
A fala do presidente mina o esforço dos seus ministros econômicos, Durigan (Fazenda) e Moretti (Planejamento), de sinalizar que essa trajetória será revertida com medidas que poderão ser adotadas para colocar as contas públicas no azul a partir do ano que vem, sem exceções.
Hoje, o problema crucial para a dívida chama-se trajetória. É matemático. Com o juro real performando muito acima do crescimento do PIB, o esforço primário para estabilizar é muito grande.
Não adianta dizer que o problema é o juro alto, porque é preciso um esforço fiscal maior para estabilizar a dívida e ajudar o Banco Central a acelerar a queda das taxas.
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