Laranjas no verão fazem mal? Nutricionista desmonta o mito - 24 Notícias

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Com o verão, regressam também alguns mitos alimentares. Um deles diz que comer laranjas durante os meses mais quentes pode fazer mal à saúde, provocar problemas digestivos ou até ser prejudicial quando as temperaturas são elevadas. Mas será que existe alguma base científica para esta ideia?

Mas esta ideia não tem fundamento científico. A laranja pode ser consumida no verão como em qualquer outra altura do ano e integra uma alimentação saudável, fornecendo água, fibra, vitamina C e outros nutrientes. A Direção-Geral da Saúde recomenda, aliás, o consumo de fruta durante períodos de calor.

"Não existe qualquer razão nutricional para retirar a laranja da alimentação durante o verão. O facto de estarmos perante temperaturas elevadas não transforma a fruta num alimento prejudicial. É uma crença que foi sendo transmitida ao longo do tempo, mas que não tem suporte científico", diz o nutricionista Pedro Martins ao 24notícias.

O especialiista explica que a origem deste tipo de mito poderá estar na associação entre alimentos ácidos, digestão e temperaturas elevadas. A laranja é um fruto ácido e, em algumas pessoas, pode provocar azia ou desconforto gastrointestinal, mas essa reação não está relacionada especificamente com o verão.

"É importante separar uma reação individual de uma regra geral. Se uma pessoa tem refluxo ou uma sensibilidade particular aos citrinos, pode sentir desconforto depois de comer uma laranja. Isso não significa que a laranja faça mal a toda a população e muito menos que seja perigosa no verão", refere.

A laranja pode até ajudar na hidratação

Durante os períodos de calor, a hidratação assume uma importância acrescida. A água deve ser a principal fonte de líquidos, mas alimentos com elevada percentagem de água, como várias frutas, também contribuem para a ingestão total de líquidos.

"A laranja tem uma quantidade elevada de água e pode perfeitamente fazer parte da alimentação durante um dia quente. Naturalmente, não substitui a água, sobretudo quando existe transpiração intensa, mas não há qualquer razão para evitá-la por causa da temperatura", salienta.

A fruta fornece ainda vitamina C e fibra. Quando consumida inteira, permite aproveitar a fibra presente na polpa, além de contribuir para a saciedade.

Existe outra confusão frequente, nomeadamente a ideia de que beber sumo de laranja é nutricionalmente equivalente a comer a fruta inteira. Embora o sumo forneça vitamina C e outros nutrientes, a fruta inteira mantém a sua estrutura e fibra, sendo geralmente uma opção mais interessante numa alimentação equilibrada.

"Entre comer uma laranja e beber o sumo de várias laranjas existe uma diferença importante. Quando comemos a fruta inteira, temos fibra e maior sensação de saciedade. No sumo é muito mais fácil ingerir uma quantidade elevada de fruta de uma só vez", afirma Pedro Martins.

A recomendação não significa que o sumo de laranja seja proibido. O importante é distinguir o consumo ocasional de uma bebida de fruta de uma utilização habitual do sumo como substituto da fruta inteira.

Afinal, de onde vem o mito?

A laranja é uma das frutas mais associadas a crenças populares. O conhecido ditado "laranja de manhã é ouro, à tarde prata e à noite mata" atribui propriedades diferentes à fruta consoante a hora a que é consumida, mas não existe evidência científica que sustente essa regra.

A DECO PROteste considera que a laranja pode ser consumida em qualquer altura do dia e destaca o seu teor de vitamina C, água e fibra. A organização admite, contudo, que determinadas pessoas podem apresentar maior sensibilidade à acidez da fruta.

O mito relacionado com o verão parece seguir uma lógica semelhante: a associação entre determinados alimentos, calor e problemas digestivos foi transmitida durante gerações, mas não corresponde a uma recomendação nutricional baseada em evidência.

"Na alimentação existem muitos conselhos que foram transmitidos pelos nossos pais e avós e que acabaram por ganhar estatuto de verdade. Alguns têm uma explicação histórica ou cultural, mas isso não significa que tenham fundamento científico", diz o nutricionista.

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