Mariana Leitão garante que só a IL tem a coragem para executar o reformismo de Montenegro prometeu (e não cumpriu)
O discurso de Mariana Leitão na rentrée da Iniciativa Liberal sublinhou repetidamente o seu público-alvo: a classe média “esmagada” e “abandonada por PS e PSD”. Mas a líder dos liberais tentou convencer sobretudo os eleitores de Luís Montenegro descontentes com a falta de rasgo do Governo da AD. Leitão disse na festa A’Gosto da Liberdade que “o discurso reformista de Luís Montenegro não passou de uma mentira eleitoral” e garantiu que apenas a IL terá “a energia, a visão e a competência” para mudar o rumo do país.
Depois de criticar a governação de PS e PSD ao longo de várias décadas que criou gerações de portugueses “tão bem preparados como entalados”, a presidente da IL atribuiu ao atual Executivo as suas responsabilidades pela situação. Leitão disse que a ideia de “serviços públicos que funcionem” em Portugal é uma “fantasia” que apenas existe nas histórias de embalar que lia às filhas antes de dormir ou nos “contos de fadas de Luís Montenegro”.
Mariana Leitão acusa o primeiro-ministro de não ter feito “absolutamente nada” com as condições favoráveis que tem tido para transformar Portugal. “Este Governo teve excedente. Teve um generoso pacote financeiro da União Europeia. Teve meios suficientes para mudar este país. E sabem o que fez com isso? Absolutamente nada. O Luís prometeu trabalhar, prometeu mudança, prometeu reformar o Estado, a saúde, a habitação. Prometeu baixar impostos. Prometeu, prometeu, prometeu e não cumpriu”, atirou Leitão.
Voltando a apelar aos simpatizantes da IL que votaram na AD, Leitão disse que a “grande medida” deste Governo é um fundo soberano que comprou parte da REN e servirá para adquirir participações públicas noutras empresas de interesse estratégico para o Estado. “Um fundo que não vai ser pago por nenhuma riqueza natural, que o país não tem. Vai ser pago com o suor do nosso trabalho. Isto só tem um nome: confisco.”
Leitão denuncia falta de reformismo: “Montenegro enganou muitos portugueses”
A presidente da IL continuou o ataque ao Governo encostando-o aos anteriores executivos socialistas e dizendo mesmo que Montenegro “enganou muitos portugueses” ao apresentar-se como reformista. “Sei que muitos acreditaram que votar no PSD desta vez podia ser diferente. Não foi e a prova de que o PSD nunca vai defender a classe média está nos seus próprios votos”, atirou.
A liberal criticou concretamente os sociais-democratas por não terem acompanhado a IL em questões que supostamente uniriam os dois partidos. Leitão listou os votos do PSD contra propostas dos liberais no Parlamento para a isenção de impostos nas contas poupança, o alargamento da comissão permanente da concertação social, ou a redução e simplificação do IRS com menos escalões e taxas mais baixas. “Não há imposto que retrate melhor a forma como o PS e o PSD olham para quem trabalha”, concluiu.
André Ventura não seria poupado pelas críticas da liberal, que reconheceu que o Chega apenas representa “mais Estado e mais incompetência”. Leitão sabe que o ataque ao centrão é uma imagem de marca de Ventura e quis traçar as devidas diferenças: “Não me apresento aqui com mentiras nem com populismos, a dizer que tudo se resolve de forma fácil, simples ou imediata, mas sou uma mulher de ação.”
Desta forma, a IL é, segundo Leitão, a única alternativa para a classe média que se “tornou invisível” aos olhos da classe política. “Hoje apenas a Iniciativa Liberal se apresenta com a energia, a visão e a competência para defender os interesses da classe média esmagada”, concluiu.
“Estudo das pensões deu razão ao que a IL dizia há anos”
Para o demonstrar, a líder da IL recuperou as conclusões do grupo de trabalho que estudou, a pedido do Governo, a sustentabilidade da Segurança Social. As conclusões do estudo liderado por Jorge Bravo, muito contestadas à esquerda, “confirmam aquilo que a Iniciativa Liberal diz há anos”, segundo Leitão. “O sistema está em défice e quem diz o contrário ou está a mentir aos portugueses, ou não sabe fazer contas”, atira.
No entanto, as críticas não se ficaram apenas pela esquerda e o Governo também foi visado por, “no próprio dia em que o relatório é divulgado, anunciar que não pretende fazer nenhuma reforma” ao sistema de pensões. Se o PSD não quis aproveitar as conclusões do estudo que encomendou, a IL não tem problemas em fazê-lo.
Nesse sentido, Leitão anunciou que o partido vai apresentar uma proposta para a reforma do sistema de pensões para o transformar num sistema de capitalização. “Aquilo que cada português desconta todos os meses deve ficar dentro de um sistema transparente. Tem de passar a entrar numa conta com o nome dele. Uma conta que possa abrir e consultar, onde veja quanto tem, quanto rendeu, e com quanto pode contar.”
Porém, a liberal rejeitou que se trate de uma privatização — acusação que disse ser “mais uma mentira de quem quer manter tudo como está” — e acrescenta que, se a proposta da IL estivesse em vigor, a pensão continuaria garantida para todos os que não fizeram carreira contributiva normal.
Mariana Leitão aproveitou a discussão para defender que esta é a posição mais responsável, lembrando que o Chega promete baixar a idade da reforma sem nunca dizer quem paga, PS e PSD “distribuem pagamentos extraordinários conforme lhes dá jeito” e a “esquerda propõe aumentos todos os anos”. Com propostas e medidas do género, a presidente da IL quer instituir uma regra que “obrigue a despesa pública a crescer sempre menos do que a economia”.