Lens x Sporting. “Arbitragem de Champions num jogo fácil de apitar”

🗓️ 2026-10-13 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Vamos a mais uma edição do "Sem Falta" com o Pedro Henriques. Pedro, sê muito bem-vindo. Vamos falar sobre o jogo entre o Sporting e o Lens, ou melhor, entre o Lens e o Sporting, Liga dos Campeões, segunda jornada da fase de liga. Vamos falar, sobretudo, do trabalho do árbitro Igor Pajač, juiz croata que esteve no comando deste jogo. Vamos, sem perder mais tempo, falar sobre os lances, sendo que, Pedro, o primeiro lance que queres analisar é ao minuto 14, no teu entender, lance de grande área, mas sem pênalti sobre Cadill.

Sim, a questão era uma disputa de bola com o Quaresma. Na altura, dissemos logo que não era pênalti, e já vou explicar porquê. Depois, na altura, até ficou a ideia que se calhar o Cadillé até tinha simulado a tal penalidade. E eu vou dar como boa decisão não ser pênalti e também o facto de não haver cartão amarelo, porque o Eduardo Quaresma realmente faz take deslizante e não toca nem rasteira, isto é, ele leva a sua perna à esquerda o Júnior Cadillé. Depois o Cadillé cai e fica a ideia que teria simulado, mas depois percebe-se que o jogador do Sporting, o Eduardo Quaresma, acaba por acertar com o antebraço, mais concretamente, um toque ligeiro inconsequente, na coxa e joelho direito do jogador do Lens. E eu, quando tenho situações em que há contactos, embora sem falta, não há motivo para pênalti por causa deste contacto e não houve rasteira, eu considero que muitas vezes aquilo que possa ser a queda de um jogador está potenciado pelo contacto que existiu e que pode levar à sua queda, ao seu desequilíbrio. E acho que é muito isso, ou seja, não há pênalti, não há rasteira, o contacto do antebraço é ligeiro e inconsequente na perna. Também não considero que aquela queda seja na tentativa de ganhar um pênalti de forma simulada. E por isso a decisão foi correta, sem pênalti e também sem cartão amarelo por simulação.

Pedro, vamos avançar. Minuto 27, mais um lance de grande área, agora envolvendo um jogador do Sporting, mas no teu entender, Altimira não cometeu grande penalidade.

Exato. É um lance que, na altura, é um remate do Michel Cuisance, que acaba por rematar e levanta os braços como quem diz que o Altimira tinha interceptado a bola com o braço. Só mais à frente é que aparece a repetição, porque realmente não nos pareceu nada e realmente o árbitro uma vez mais decidiu bem, porque é daquelas situações que não só a bola não vai à mão ou braço, porque às vezes tínhamos de analisar se havia volumetria, etc, como acerta nas pernas, ou seja, um bocadinho longe da questão dos braços. É aquela coisa intuitiva que os jogadores têm quando alguém intercepta a sua bola, que é rematada, já estão de braço no ar a ver se pega, esquecendo-se que agora há vídeo-árbitro e o vídeo-árbitro obviamente analisará sempre esses lances de área. Mais importante, o Altimira não intercepta a bola com a mão ou com o braço, a bola vai às pernas e aqui não há qualquer discussão sob o ponto de vista do que quer que seja relativamente ao possível pênalti por mão. Decisão correta, sem pênalti.

Estão vistos os lances do primeiro tempo. Avançamos já para a segunda parte, onde, Pedro Henriques, queres destacar o minuto 70. De novo, lance de grande área, Fresneda, de novo, no teu entender, sem grande penalidade.

Exatamente. É um remate que é feito muito à queima. O lance estava a atacar pelo corredor esquerdo e o Fresneda estava a defender no sentido de quem defende o corredor direito, e neste caso estava dentro da área leonina, e há um remate muito em cima, à queima, e a bola vai ao cotovelo do Fresneda, que está dentro da área. O Fresneda tem o cuidado de ter os braços dobrados, nomeadamente esse braço esquerdo. Não há aquela coisa que é a extensão do braço, ganhar volumetria. Braço encostado, dobrado, junto ao corpo, sem a tal volumetria natural. Realmente bateu no cotovelo, mas é um lance ainda por cima de um remate muito feito de perto e à queima. E mais uma vez o árbitro muito bem a deixar seguir, porque não houve motivo para apontar pênalti.

Vamos avançar, minuto 71 é o minuto em que há o primeiro lance que valeu um cartão amarelo para um jogador do Lens.

E bem mostrado, é o Michel Cuisance, sem qualquer interesse em jogar. É na sequência, a bola bate no cotovelo do Fresneda, o Sporting sai em contra-ataque, bola metida na profundidade para o Luís Guilherme e o Cuisance vai atrás do Luís Guilherme e apenas quer parar e destruir a jogada, aquela transição ofensiva, que no fundo já era mais um contra-ataque. E com a mão direita agarra e puxa a camisola do Luís Guilherme, comportamento incorreto, antidesportivo, ao mesmo tempo falta tática, se quisermos dizer, porque quer parar a jogada e portanto boa decisão, livre direto e cartão amarelo.

Avançamos, Pedro, para o lance do segundo gol do Sporting, ao minuto 74. O que é que há a analisar neste lance, Pedro?

A questão do fora de jogo, que não há, obviamente. Aliás, é muito claro, o Doumbia está à saída do seu meio-campo, ou seja, já estava no meio-campo adversário e a bola é metida em profundidade e o Doumbia aparece isolado. Sempre que aparece um jogador isolado, gostamos sempre, aliás, que o VAR também tem que fazer, porque houve gol, vai sempre analisar se partiu de posição legal e percebe-se que sim, não é só em posição legal, está claramente em jogo. Havia ali um buraco pelo meio, mas isso é parte técnico-tática, havia um buraco pelo meio que o Doumbia aproveitou. Normalmente, é só preciso ter dois adversários entre o jogador e a linha de dois adversários. Neste caso, tinha muito mais do que dois adversários, portanto, posição legal e o segundo gol do Sporting sem qualquer motivo para fora de jogo.

Falta-nos apenas abordar um lance, minuto 81, cartão amarelo mostrado a Thauvin.

Sim, eu na altura pensei que o cartão amarelo era porque o Doumbia, depois de estar já no chão, ali, se bem se recordam, o Thauvin acaba por chutar a bola, meio na bola, meio no pé, e depois até acerta com a bola no apanha-bolas que estava na sua posição e leva com a bola na cara. Mas eu depois estive a analisar o lance e o cartão amarelo não é aí, é um bocadinho antes. Ou seja, é o mesmo Thauvin que talvez sem querer, é um facto, mas é muito negligente na maneira como se aproxima do Doumbia e provavelmente sem querer, mas de forma que aleija, ele acaba por trás, por pisar com o seu pé esquerdo o calcanhar direito do Doumbia. E é esse motivo que leva o árbitro a mostrar o cartão amarelo, porque depois o pontapé que ele dá na bola com o Doumbia, que está também a controlar a bola já no chão com o pé, é muito mais na bola do que no pé. E portanto eu achei: "Então, mas se é na bola e no pé, por que ele se ficou a queixar?" Depois é que se percebe que realmente está ali aquele pisão no calcanhar, não é uma entrada violenta, nem nada disso, é apenas a tal negligência na maneira como aborda e por isso o árbitro esteve uma vez mais bem em termos de cartão amarelo.

Pedro Henriques, revistos os lances, é altura de saber a nota. Passa na tua análise este árbitro croata, Igor Pajač?

Nota 7. Vou dar uma nota claramente positiva. O jogo tem um grau de dificuldade, também por mérito do árbitro, obviamente, estamos na Liga dos Campeões, pelo comprimento dos jogadores, que sabem que estão numa competição em que depois as penalizações são a doer e se os jogadores depois são afastados, perdem o comboio, como se costuma dizer, por isso têm comportamentos diferentes em relação àquilo que fazem nas suas próprias ligas. Não é uma questão de Portugal, todas as equipas e todos os jogadores são assim. Portanto, vou dar nota 7. Nas áreas, nos gols e nos amarelos, foi tudo correto. Um jogo com apenas 20 faltas, com dois cartões amarelos e bem mostrados, sem erros de mostra e, portanto, uma arbitragem à moda Champions e tudo certo. Boa arbitragem da equipa croata.

Nota 7 deixada pelo Pedro Henriques ao trabalho de Igor Pajač, que esteve no comando do Lens-Sporting para a Liga dos Campeões. É desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado, é sempre um gosto. O "Sem Falta" fica, como sempre, disponível em podcast. Um abraço, Pedro.