Lesões do menisco: mais vezes acusado ou culpado? | MAISFUTEBOL
Operação de Enzo Barrenechea voltou a pôr o joelho no centro das conversas de futebol
A notícia de que Enzo Barrenechea foi operado a uma rotura do menisco medial voltou a pôr o joelho no centro das conversas de futebol. Num desporto feito de travagens, mudanças de direção e contacto, o joelho é particularmente exposto. Mais do que o caso de um jogador, vale a pena perceber o que está em causa numa das lesões mais frequentes do desporto.
Os meniscos são duas estruturas de fibrocartilagem em forma de meia-lua, uma interna (medial) e outra externa (lateral), situadas entre o fémur e a tíbia. Funcionam como amortecedores: distribuem a carga, absorvem impactos e dão estabilidade à articulação. Uma rotura é uma fissura nesse tecido, que no futebol surge quase sempre numa torção com o pé fixo no relvado. Dor, inchaço e, por vezes, sensação de bloqueio do joelho são os sinais mais típicos.
Nem todas as roturas precisam de cirurgia. Lesões pequenas e estáveis podem evoluir favoravelmente com tratamento conservador e reabilitação. Quando a rotura provoca dor, bloqueios, é instável ou tem potencial de reparação, a cirurgia é a melhor opção.
A cirurgia é hoje feita por artroscopia: através de duas pequenas incisões, introduz-se uma câmara e instrumentos finos que permitem ver e tratar a lesão articular. Há duas estratégias de tratamento. A meniscectomia parcial remove o fragmento lesionado e permite, em regra, caminhar logo nos primeiros dias e regressar ao treino em quatro a oito semanas. A sutura meniscal repara o menisco e exige uma progressão mais lenta: descarga, seguida de apoio parcial com canadianas nas primeiras semanas e um regresso ao desporto que ronda os quatro a seis meses.
Poderia parecer que a opção mais rápida é sempre a melhor, mas não é bem assim. Estudos publicados com atletas mostram que apesar da meniscectomia e a sutura meniscal permitirem taxas semelhantes de regresso ao desporto, a articulação tolera pior a remoção de tecido do menisco lateral. Assim, a conduta a adotar deverá ser ligeiramente distinta quando falamos de menisco medial ou lateral, devendo reparar-se quase sempre o menisco lateral, e ponderar com grande critério a reparação do medial, uma vez que a taxa de falência da reparação é superior. A longo prazo, preservar o menisco é proteger a cartilagem e reduzir o risco de artrose.
Depois da cirurgia, a reabilitação é tão importante como o bloco operatório: controlar a dor e o inchaço, recuperar a mobilidade, reforçar a musculatura e só depois reintroduzir corrida, mudanças de direção e treino com bola. A corrida em linha reta surge, em geral, duas a três semanas após uma meniscectomia e cerca de três meses após uma sutura. O regresso deve ser guiado por critérios funcionais, e não apenas pelo tempo.
A maioria dos atletas volta ao mesmo nível. O que determina a rapidez é o tipo e a localização da rotura, lesões associadas como a do ligamento cruzado anterior, a idade, a qualidade da cartilagem e o rigor da reabilitação. Cada joelho tem o seu tempo, e respeitá-lo é a melhor forma de garantir que a lesão de hoje não se torna o problema de amanhã.
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