Letícia Colin leva a arte de fazer vilãs para protagonista de ‘Quem Ama Cuida’

🗓️ 2026-09-19 📁 entertainment 📝 ⏱️ 👁️ : -
Mulher de cabelos castanhos longos, com expressão séria, vestindo jaqueta vermelha e blusa branca, em pé numa rua movimentada de cidade com prédios ao fundo
Leticia Colin como Adriana em 'Quem Ama Cuida' (Manoella Mello/TV Globo)

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Conhecida por interpretar vilãs marcantes em novelas, como Vanessa em Todas as Flores (2022) e Zélia em Garota do Momento (2025), Letícia Colin, 36 anos, chega a Quem Ama Cuida como protagonista sem abrir mão da ambiguidade moral que já fez com maestria em outros trabalhos. Na trama de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, a fisioterapeuta Adriana busca vingança e está disposta a ir à luta para alcançar o que deseja – sem medir esforços ou consequências. A motivação pode ser legítima, mas os métodos nem sempre são. É nesse cenário que a personagem ganha contornos de anti-heroína, distante da figura clássica da mocinha de caráter irrepreensível no horário nobre.

Adriana não é, necessariamente, uma mulher de mau caráter, mas faz coisas erradas. Seu desvio aparece na disposição de ultrapassar limites para atingir um objetivo, mesmo quando isso implica ferir pessoas que estão ao seu lado. Um exemplo é quando entrega a chave do apartamento para que Ademir (Dan Stulbach) flagre a ex-mulher, Dora (Mariana Ximenes), com o sobrinho, André (Henrique Barreira). O detalhe é que Dora se torna uma aliada de Adriana. A atitude expõe a contradição da protagonista: movida pelo desejo de justiça, ela também é capaz de instrumentalizar as pessoas ao seu redor.

A construção remete à Sophie Charlotte em Três Graças, outra protagonista que transitou por escolhas moralmente controversas e desafiou a divisão tradicional entre mocinhas e vilãs. Em comum, as personagens não são movidas apenas pela bondade ou pela maldade, mas por interesses e objetivos que as levam a fazer escolhas questionáveis.

Em Quem Ama Cuida, Letícia Colin encarna uma anti-heroína que vem colocando a ética no centro da narrativa. Até onde é legítimo ir em nome da vingança? Ao colocar uma protagonista nessa zona cinzenta, a novela convida o público a torcer por Adriana e, ao mesmo tempo, questionar suas atitudes. Uma combinação que Colin, com sua capacidade e experiência de explorar personagens moralmente complexos, tem conduzido com total propriedade.

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