Líder de partido árabe retira candidatura após recomendação do Supremo
O anúncio foi feito pelo próprio partido, que indicou nas redes sociais que Abu Shehadeh, embora "continue a presidir e a liderar o partido nas próximas batalhas políticas", abandona esta corrida eleitoral "por sentido de responsabilidade política" e perante "as graves repercussões que uma inelegibilidade teria para a atividade política e parlamentar no seu conjunto".
O Balad afirmou ainda que "continuará a contrariar as tentativas de deslegitimar a atividade política árabe em diversas frentes", comprometendo-se a "expor estes factos perante as forças democráticas, as organizações de direitos humanos e os organismos internacionais".
A decisão surge depois de o Comité Central de Eleições ter votado a favor da sua inelegibilidade, levando Abu Shehadeh a afastar-se da disputa para evitar uma decisão judicial que pudesse criar um precedente legal para outros candidatos árabes-israelitas.
A CEC é composta por uma representação proporcional dos deputados israelitas e controlado, portanto, pela coligação governamental de Benjamin Netanyahu.
A controvérsia prende-se com um artigo publicado por Abu Shehadeh em 08 de outubro de 2023, após os ataques do Hamas a Israel, que o comité eleitoral interpretou como apoio à resistência armada palestiniana.
No artigo, que Shehadeh publicou em 08 de outubro de 2023, o candidato descreve os ataques do Hamas como "um acontecimento histórico importante do ponto de vista militar, político e estratégico".
Embora o deputado tenha rejeitado categoricamente estas acusações durante as audiências, e esclarecido que se opõe à violência, o presidente do Supremo Tribunal, Isaac Amit, afirmou que os juízes concordavam, por unanimidade, que as suas declarações escritas foram "dolorosas, indignantes e repugnantes", segundo o jornal israelita The Jerusalem Post.
Perante esta situação, o tribunal concedeu a Shehadeh até à manhã de sexta-feira para decidir se se retirava voluntariamente ou se prosseguia o processo à espera de uma decisão formal.
Com esta retirada voluntária, Shehadeh procura proteger o futuro político de outras listas e candidatos igualmente confrontados com tentativas de exclusão, como as coligações árabes Lista Conjunta e Ra'am, ou o deputado judeu de esquerda Ofer Cassif.
O Comité Central de Eleições votou também recentemente a favor da exclusão de Cassif, acusado de negar a existência de Israel como Estado judaico e democrático, bem como das formações árabes, num processo que a organização jurídica Adalah denunciou como arbitrário e politicamente motivado.
O Supremo Tribunal deverá pronunciar-se definitivamente sobre as restantes listas já durante este fim de semana.
Segundo o jornal israelita, as deliberações judiciais decorreram num clima de forte polarização, marcado pela presença no tribunal do ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben Gvir, que tentou interromper os trabalhos do tribunal e se opôs firmemente à possibilidade de Abu Shehadeh se retirar em vez de ser formalmente declarado inelegível.
Vários analistas alertaram que a participação dos eleitores árabes-israelitas será um fator estratégico fundamental nas eleições de 27 de outubro, uma vez que uma elevada mobilização aumenta o limiar eleitoral necessário e poderá dificultar a entrada no Knesset das listas sionistas de menor dimensão.
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