Luchsinger cita relação de Lulinha com construtora portuguesa | CNN Brasil
A empresária Roberta Luchsinger, investigada pela PF (Polícia Federal) por suposto tráfico de influência com o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou pela primeira vez, em entrevista exclusiva à CNN Brasil, que ele ajudou a ECB - Empresa Construtora Brasil, do Grupo Mota-Engil, a firmar contratos com o governo federal.
"Não estou dentro dessa história, mas conheço essa história", afirmou a empresária, acrescentando que o presidente da construtora, Amauri Rodrigues Pinha, é vizinho de Fábio Luís.
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Fundada em 1945 e com sede em Belo Horizonte, a ECB atua com obras de infraestrutura pesada, rodovias, ferrovias, saneamento, terraplenagem, pavimentação, além de projetos industriais e de óleo e gás e é considerada uma das maiores do setor. Em 2012, ela vendeu 50% de suas ações ao Grupo Mota-Engil, que, em 2025, adquiriu 100% da empresa.
No ano passado, a ECB fechou contrato com a Petrobras para uma série de intervenções na Reduc (Refinaria Duque de Caxias), no Rio de Janeiro.
De acordo com Roberta, a ECB acumula contratos de R$ 2 bilhões no Brasil desde que Amauri Pinha assumiu a presidência do grupo.
"Isso tem que ser questionado. O presidente da República tem que questionar, tem que falar: 'Vem cá, polícia ou equipe, quero ver o contrato dessa empresa. O que está acontecendo aqui? Estão falando muito sobre isso, eu quero ver'."
A empresária afirma ainda que Amauri Pinha “entrou no Palácio do Planalto, no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), na Petrobras e nos órgãos”.
"É público, é dever informar. O governo tem que informar."
A Mota-Engil, dona da ECB, tem ganhado espaço rapidamente no Brasil. Ela possui 32% de participação societária da gigante chinesa CCCC (China Communications Construction Company).
A empresa ganhou o leilão da PPP (Parceria Público-Privada) para a construção e a operação do túnel Santos-Guarujá, que é uma obra compartilhada entre a União e o governo de São Paulo.
Em nota, a equipe de comunicação do presidente Lula afirma que ele "desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger". "Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", continua.
"Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores."
A CNN Brasil entrou em contato com o Grupo Mota-Engil, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.