Luís Montenegro nega ter acusado manifestantes de "egoísmo" e diz que vídeo revela "ameaça direta" à sua casa

🗓️ 2026-10-16 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Primeiro-ministro garante que se dirigiu, nas suas declarações sobre os protestos no Porto, a "partidos políticos, a movimentos associativos e a organizações"

O primeiro-ministro negou esta sexta-feira ter acusado os manifestantes pela habitação de egoísmo, afirmando que se referia a partidos, movimentos associativos e organizações, e disse ter visto imagens nas quais se ameaça a sua casa.

Em conferência de imprensa no final da cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas, Luís Montenegro releu as declarações que fez na quinta-feira de manhã para concluir que, “em momento algum, disse que havia egoísmo dos manifestantes”.

“Eu dirigi-me a partidos políticos, a movimentos associativos e organizações no desenvolvimento da sua ação, dessas organizações. Para que fique muito claro, para que se não confunda a opinião pública”, afirmou.

Esta quinta-feira de manhã, Luís Montenegro tinha dito que esperava que “os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, de importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não tenham de facto respaldo na sociedade portuguesa”.

“E a manifestação que está a falar é elucidativa sobre isso”, tinha acrescentado na altura.

Perante os jornalistas, Montenegro disse ainda ter visto um vídeo, que considerou preocupante, “de uma das passagens das intervenções feitas nessas manifestações”, onde “se faz um apelo direto à violência, à importação de conflitualidade (…) que tem ocorrido noutros países”.

“Onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família”, afirmou.

Pouco depois, o gabinete do primeiro-ministro divulgou à imprensa o vídeo a que se referia Luís Montenegro, no qual se vê uma pessoa a afirmar numa manifestação, perante dezenas de pessoas, que é “preciso descobrir o endereço da casa do primeiro-ministro e jogar um tijolo”.

“Acabou essa porra de ser pacífico. É para queimar alguma coisa, sim”, afirma esse manifestante.

No entanto, o primeiro-ministro afirmou ter “toda a compreensão para as pessoas que queiram respostas” na habitação e que “possam expressar a sua indignação sobre aquilo que, no entender delas, possam ser omissões das políticas ou um alinhamento menos condizente com essas ideias”.

“Nós temos todo o respeito pela expressão de indignação, de preocupação, de opinião política sobre todos assuntos, e naturalmente sobre o assunto da habitação, que não é um assunto novo no nosso debate político, nem é um desafio novo no nosso país”, referiu.

O primeiro-ministro ressalvou, contudo, que o Governo está “muito à vontade” no que toca à habitação, frisando que tem promovido “um conjunto muito significativo de alterações” para aumentar a oferta de habitação pública e privada e também “nos apoios direcionados à procura que deles mais têm carência”.

Montenegro elencou várias medidas que têm sido adotadas pelo Governo, como o facto de ter aumentado o objetivo de construir e reabilitar casas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para 59 mil, além de ter alterado as regras de licenciamento e edificação para que haja mais casas no mercado.

Em termos de apoios, Montenegro deu o exemplo da isenção total de IMT e imposto de selo para os jovens até aos 35 anos na aquisição da primeira habitação, assim como a possibilidade de acederem a “uma garantia pública que lhes permite serem financiados em 100% do valor da aquisição dos seus imóveis”.

Nesta conferência de imprensa, Montenegro foi questionado se atrasos na instalação de equipamentos Starlink nas autarquias podem pôr em causa financiamento ao abrigo do PRR, mas frisou que os “concursos foram lançados”.

“É a minha convicção que, no caso do Starlink, o calendário que está programado será cumprido. Não vamos perder financiamento”, assegurou.