"Luís Neves tem de deixar o cargo". Essa e outras polémicas levam André Ventura a dizer o que nunca pensou sobre este Governo

🗓️ 2026-07-16 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Presidente do Chega entende que é insustentável que o ministro da Administração Interna continue no cargo depois de todas as notícias que têm vindo a público

Não será um grande segredo que o presidente do Chega não simpatiza politicamente com José Sócrates ou com António Costa, mas André Ventura parece estar inclinado a colocar Luís Montenegro num patamar semelhante.

Em entrevista no CNN Prime Time, com Ana Sofia Cardoso, o líder do principal partido da oposição confessou que as mais recentes polémicas que envolvem o Governo, nomeadamente as notícias relacionadas com o ministro da Administração Interna e o caos nos exames nacionais, o levam a pensar que este é um dos piores executivos da democracia portuguesa.

“Este Governo está em total decomposição e, portanto, precisamos de outro. Com isto da Educação e da Administração Interna, eu disse uma coisa que nunca pensei dizer sobre este Governo: este Governo é mesmo um dos piores da nossa história”, afirmou, citando também problemas na Saúde, por exemplo.

Questionado se Luís Montenegro será mesmo o pior primeiro-ministro desde o 25 de Abril, André Ventura não quis ir tão longe, até porque “é difícil ser pior que alguns que já existiram”, mas “o Governo está a fazer de tudo para se tornar um dos piores da nossa história”.

Palavras ditas no final de um dia de debate do Estado da Nação e já perto do fim de uma semana de fogo para o Governo, com os reconhecidos problemas nos exames nacionais e as polémicas em catadupa relacionadas com Luís Neves, a maior parte delas reveladas pela TVI e pelo jornal Nascer do Sol (do mesmo grupo da CNN Portugal).

André Ventura lamenta que Luís Montenegro entenda que a oposição não o deixe governar, acusando o primeiro-ministro de não querer que se oponha às suas medidas. Assumindo que não confia neste Governo, o presidente do Chega recusa, ainda assim, apresentar uma moção de censura, ainda que tenha desafiado o Executivo a fazer o contrário, a apresentar uma moção de censura.

Admitindo que os portugueses “estão cansados de eleições”, André Ventura acredita que este deve ser um momento que pede estabilidade, mas os casos que se vão sucedendo estão a dificultar essa mesma estabilidade.

Mas para o presidente do Chega há mais: a ida de Luís Montenegro para ver três jogos do Mundial, nomeadamente em plena situação de alerta por causa da onda de calor, e também a crise de água em Almada. Problemas aos quais o primeiro-ministro responde, segundo André Ventura, com “arrogância”.

Olhando para o momento político, o presidente do Chega reitera que é necessário evitar uma crise política, mas a crise na Educação e a polémica na Administração Interna estão a “levantar a questão sobre a autoridade do primeiro-ministro”.

André Ventura quer esperar para ver a questão da Educação, mas entende que Luís Montenegro já se devia ter pronunciado sobre a questão Luís Neves. O facto de não o fazer mostra, na ótica do presidente do Chega, que este Governo está em “degradação”.

Questionado sobre a possibilidade de haver uma moção de censura depois das férias parlamentares e antes do Orçamento do Estado, André Ventura voltou a defender a estabilidade, mas voltou a deixar na mesa que a moção de confiança é mesmo o mecanismo que faz mais sentido neste momento. Em todo o caso, o Chega “nunca descarta nada”.

O caso Luís Neves

O primeiro entendimento de André Ventura é que dificilmente não haverá uma investigação do Ministério Público a toda a polémica das obras na casa do ministro da Administração Interna.

O presidente do Chega sublinha a possibilidade de haver um “conflito de interesses gravíssimo”, mas entende que a gravidade do assunto ganha outro nível com as notícias mais recentes, nomeadamente o atrelado apreendido pela Polícia Judiciária até aos materiais da Infraestruturas de Portugal na própria casa de Luís Neves.

“Parece-me impossível que não haja já uma investigação do Ministério Público”, atira, defendendo que é “praticamente impossível e insustentável que o ministro da Administração Interna continue em funções”.

Caso não haja uma demissão do próprio Luís Neves, André Ventura entende que deve ser Luís Montenegro a avançar com esse pedido, porque está em causa uma questão de autoridade política.

“Um ministro que pede a autoridade política numa altura em que o ministro da Administração Interna tem de ter essa autoridade reforçada - vamos entrar na época pior dos incêndios florestais, estamos em situação, em vários pontos do país, de fenómenos de insegurança -, o ministro tem de ter a autoridade intacta. Se não tem, é o país que perde”, acrescenta.

Perante tudo isto, André Ventura garante: se fosse ele o primeiro-ministro “o ministro da Administração Interna tinha de deixar o cargo”, mesmo que ainda não saibamos o nível de culpabilidade em todo o caso.