Lula da Silva defende que debates na TV são "infrutíferos" e critica a qualidade de adversários

🗓️ 2026-10-02 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

É a primeira vez em 20 anos, ou seja, desde as eleições gerais de 2006, que os principais candidatos que lideram as sondagens de intenção de voto no Brasil para presidente não se enfrentam num debate organizado pela imprensa

O presidente brasileiro, Lula da Silva, considerou “infrutíferos” os debates promovidos pela TV brasileira na primeira volta, ao justificar a ausência para todos os convites que recebeu, e criticou a qualidade dos adversários na corrida presidencial.

“Eu acho que esses debates estão infrutíferos, não produzem nada. Não dá sequência. Então o pessoal começa a fazer gracinha, a fazer pegadinha”, declarou em entrevista um programa do Flow Podcast na noite de quinta-feira.

Na ocasião, Lula explicou o porquê recusou participar do debate organizado pela TV Globo, a três dias das eleições gerais, que acabou cancelado pela própria emissora poucas horas antes, após uma polémica com o Tribunal Superior Eleitoral e com a ausência de Flávio Bolsonaro.

Essa é a primeira vez em 20 anos, ou seja, desde as eleições gerais de 2006, que os principais candidatos que lideram as sondagens de intenção de voto no Brasil para presidente não se enfrentam num debate organizado pela imprensa.

Lula chegou a sugerir uma espécie de divisão, em que os líderes das sondagens debatem entre si e aqueles com índices menores se juntam para debater.

“Eu gostaria que uma televisão fizesses a mesma pergunta para candidatos em condições de disputar. Não pode pegar uma pessoa que tem 49% e levar para disputar com quem tem 1%. É desproporcional até para o eleitor", criticou.

Pelas regras do sistema eleitoral brasileiro, a imprensa fica obrigada a convidar para participar dos debates a Presidente ou governador aquele político cujo partido tem no mínimo cinco cadeiras na Câmara dos Deputados. Os demais casos, fica a critério do meio de comunicação.

Ainda na entrevista, Lula voltou a repetir estar confiante que vencerá as eleições na primeira volta, e voltou a atacar o seu principal adversário ao chamar “desqualificado” e “menino” a Flávio Bolsonaro.

As sondagens de intenção de voto no Brasil mostram um cenário apertado numa eventual segunda volta, em que Lula, que a busca reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, estão estatisticamente empatados.

Durante entrevista, Lula foi questionado sobre o fato de ter encerrado o segundo mandato, em 2010, com mais de 80% de aprovação e, agora, ter 45% de rejeição segundo as sondagens.

“Eu fico imaginando por que a pessoa sairia de casa para votar em Flávio Bolsonaro. Pensando no quê? O que ele tem para oferecer? O passado dele é tenebroso. A única coisa que tem é o anti-Lula, o anti-PT, o anti-esquerda”, respondeu.

“Porquê? Por conta dos avanços sociais que a sociedade brasileira teve”, completou ao dizer que sempre vai “respeitar a decisão do povo”, mas que é preciso “trabalhar para politizar a sociedade” ao se referir, mais uma vez a Flávio como desqualificado.

Ainda na entrevista, o líder de esquerda foi questionado sobre a razção pela qual é candidato depois de declarar, há alguns anos, que não seria candidato à reeleição.

“Eu sei qual é a responsabilidade política. Se não fosse eu para enfrentar esses fascistas, eles ganhariam as eleições com facilidade”, respondeu.

“Então, eu sou um entrave para eles. Enquanto eu estiver vivo, eu vou trabalhar para que o fascismo não volte para este país”, concluiu.

Instantes antes de encerrar a entrevista de quase duas horas, Lula fez um apelo ao público acima dos 70 anos, que não são mais obrigados a votar, e aos mais jovens, a quem chamou “rebeldes”, para que eles saiam de casa para votar.

“É o seguinte, o Brasil não parou porque você fez 70 anos, e as suas necessidades não pararam, porque você tem filhos, neto, bisnetos, então vá votar pelo Brasil que você quer para os seus filhos e seus netos”, declarou ao lembrar que ele mesmo tem 80 anos.

“A juventude é muito rebelde, indignada, xinga todo mundo, todo mundo é ladrão. Não é assim, por isso (Jair) Bolsonaro cresceu, porque a ignorância leva a gente a fazer coisas erradas”, declarou ao convidar a juventude a entrar na política e na vida pública do país.