Lula diz que Brasil terá de escolher entre "beijar" a sua bandeira ou ajoelhar-se perante os EUA
País vai a eleições no próximo domingo
O presidente brasileiro e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou esta terça-feira que, na segunda volta das eleições, marcada para domingo, dia 25, e na qual enfrentará o candidato da extrema-direita Flávio Bolsonaro, estará em jogo a escolha entre "beijar a bandeira brasileira" ou ajoelhar-se perante os Estados Unidos.
"O que está em jogo no dia 25 não é uma simples eleição", declarou Lula perante uma multidão, durante uma marcha de campanha entre Juazeiro e Petrolina, duas cidades vizinhas situadas nos estados da Bahia e de Pernambuco, no nordeste do país, onde o candidato obteve uma vantagem expressiva na primeira volta.
"O que está em jogo é definirmos que tipo de Brasil queremos: se queremos um Brasil que beije a bandeira brasileira ou um Brasil que se ponha de quatro perante a bandeira norte-americana", afirmou o líder progressista.
Ao longo da campanha, Lula tem defendido a soberania nacional, criticando por diversas vezes as relações da família Bolsonaro com a administração do presidente norte-americano, Donald Trump. As críticas surgem na sequência da imposição de tarifas norte-americanas ao Brasil, numa tentativa de pressionar o país no contexto do processo por tentativa de golpe de Estado que culminou na condenação do antigo presidente Jair Bolsonaro a uma pena de prisão.
Lula condicionou também a sua participação no debate presidencial marcado para esta sexta-feira, o último antes das eleições de domingo, à autorização de Bolsonaro para levantar o sigilo bancário e telefónico dos seus próprios dados e dos de outros membros da família.
"Se apresentar o documento a autorizar o levantamento do sigilo bancário e telefónico, haverá debate. Caso contrário, não pode ir ao debate, porque o Presidente da República não pode debater com um ladrão", declarou.
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) entregou esta terça-feira à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal uma autorização para levantar o seu próprio sigilo bancário e telefónico, extensível aos membros do seu núcleo familiar, caso Bolsonaro faça o mesmo.
A exigência surgiu durante o primeiro debate eleitoral entre os dois candidatos, realizado no passado domingo, que ficou marcado por uma série de acusações mútuas de corrupção.
No mesmo comício, Lula apelou ainda aos eleitores que se abstiveram na primeira volta e aos cidadãos com mais de 70 anos - para quem o voto é facultativo no Brasil - para que se desloquem às urnas na segunda volta.
Nas eleições presidenciais e legislativas de 4 de outubro, mais de 33 milhões de eleitores não votaram, o equivalente a 21% do eleitorado habilitado a votar.