Lula e presidente do Senado reatam diálogo após meses de crise na articulação política
Ambos viajaram juntos segunda-feira para o Amapá, estado de Alcolumbre, para acompanhar o anúncio de descoberta de petróleo pela Petrobras na região da Foz do Amazonas, visitando juntos o navio-sonda da petrolífera estatal.
A disputa começou após Alcolumbre liderar, em abril, a maior derrota do terceiro mandato de Lula da Silva: a rejeição pelo Congresso Nacional do indicado do Presidente para o cargo de juiz do Supremo Tribunal Federal.
Esse tipo de derrota não acontecia há 132 anos na política brasileira, o que deu início a uma crise na articulação política entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado.
Nos últimos dias, Lula e Alcolumbre voltaram a dialogar e sinalizaram reconciliação, tendo o presidente do Senado avançado com importantes promessas de campanha do Presidente, caso das propostas de redução da jornada de trabalho e de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, além do marco legal dos minerais críticos e terras raras.
Alcolumbre determinou na semana passada que os textos fossem enviados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado Federal.
Com mandato de oito anos como senador, Alcolumbre não concorre as eleições gerais deste ano, mas a imprensa local avalia que o político se reaproximou do Planalto em busca de apoio para reeleição, em 2027, para a Presidência do Senado.
Alcolumbre é filiado no União Brasil, um movimento que pertence ao chamado «Centrão», aglomerado informal de partidos que se articulam na troca de cargos, recursos e poder no Congresso.
Foi um dos articuladores para isolar dos partidos de centro o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL), ao fazer com que o União Brasil declarasse neutralidade na corrida pelo Palácio do Planalto.
Desde que assumiu a presidência do Senado, Davi Alcolumbre sempre usou a sua influência política para pressionar o Governo Lula a defender a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
Na primeira agenda pública com Lula desde que os dois restabeleceram laços, Davi disse que o Presidente enfrentou "tudo e todos para defender" o projeto, e que «reconhecimento é justiça».
«É preciso que a gente de uma vez por todas reconheça no Brasil aqueles que enfrentaram causas e muitas das vezes foram contestadas ou até mesmo criticadas», declarou em referência a Lula.
Lula disse depois que o presidente do Senado "teve uma atitude muito importante para o Brasil" na semana passada, ao ter encaminhado «três projetos de importância vital" para o país.