Lula pede investigação sobre caso de corrupção que envolve juiz do STF
Esta investigação deve ser objetiva e ser conduzida "sem blindagem de ninguém", afirmou na quinta-feira o chefe de Estado na rede social X.
"É fundamental que se investigue todo mundo (...), doa a quem doer", sublinhou o dirigente a respeito do caso "Master", relativo às ligações ao poder de um banqueiro preso por fraude financeira.
A crise no STF, na sequência da divulgação de mensagens comprometedoras entre o juiz Alexandre de Moraes e o banqueiro detido Daniel Vorcaro, agravou-se na quinta-feira com a decisão do primeiro de solicitar uma investigação contra o colega que o está a investigar.
Moraes enviou um pedido à presidência do STF para que seja aberta uma investigação contra o juiz André Mendonça, que investiga a fraude milionária de que Vorcaro é acusado e divulgou as mensagens nas redes sociais com diversas autoridades.
Numa aparente retaliação por essa divulgação, Moraes acusou o colega de falta de probidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, num documento que remeteu ao presidente do supremo tribunal, Edson Fachin.
De acordo com Moraes, ao levantar o sigilo da investigação em que são citadas as mensagens do banqueiro, o colega teria praticado uma série de condutas tipificadas como crime, tais como a violação da imparcialidade judicial e o favorecimento a determinados grupos políticos.
Moraes acrescentou que Mendonça, um magistrado nomeado para o Supremo por Bolsonaro, agiu "por motivos pessoais e políticos" ao tentar negociar um acordo de denúncia premiada com Vorcaro, o proprietário do Banco Master, acusado da maior fraude financeira da história do Brasil por vender títulos de dívida sem garantias.
A acusação de De Moraes contra o colega surgiu um dia depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal ter informado, através de um comunicado, que vai analisar os indícios de corrupção contra Moraes, por considerar que "os elementos factuais" são graves.
Se o presidente do Supremo autorizar o avanço do processo contra o membro do tribunal, as acusações serão analisadas pelo plenário do tribunal, que é o único órgão com competência para autorizar a abertura de um inquérito a um juiz do tribunal de última instância.
A crise no tribunal eclodiu na terça-feira, quando Mendonça autorizou a divulgação de uma investigação da Polícia Federal sobre as mensagens enviadas pelo antigo proprietário do Banco Master para um telemóvel que, segundo os investigadores, pertence a Moraes.
Entre essas mensagens, Vorcaro pediu a proteção do procurador-geral, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, chegando mesmo a consultá-lo, dias antes de ser detido, sobre se deveria abandonar o país.
Vorcaro foi detido pela primeira vez na noite de 17 de novembro de 2025, em São Paulo, quando tentava deixar o Brasil num avião particular. Dias depois, foi libertado, mas voltou à prisão no passado dia 04 de março.
Além disso, a polícia alega que Moraes elaborou um contrato de prestação de serviços no valor de 131 milhões de reais (22 milhões de euros) entre o escritório de advocacia da mulher, Viviane Barci de Moraes, e a Master.
Moraes ganhou notoriedade internacional nas eleições de 2022 ao combater a desinformação e a campanha contra as urnas eletrónicas brasileiras impulsionada pela extrema-direita. Posteriormente, essa notoriedade foi reforçada por ter sido o juiz de instrução no processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, razão pela qual a Administração do líder norte-americano, Donald Trump, lhe impôs sanções financeiras.
Desde então, Moraes tornou-se o inimigo número um do bolsonarismo, que tenta associar a imagem do magistrado à de Lula, em plena campanha para as eleições presidenciais de outubro, nas quais tenta a reeleição
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