Lusa celebra centenário de Noémia de Sousa este domingo em Lisboa

🗓️ 2026-09-18 📁 entertainment 📝 ⏱️ 👁️ : -

A cerimónia de homenagem "África da cabeça aos pés - Ah essa sou eu!" vai contar com intervenções institucionais da embaixadora de Moçambique em Portugal, Stella Zeca, e do presidente do Conselho de Administração da Lusa, Joaquim Carreira.

O programa inclui leitura de um poema pela cantora moçambicana Selma Uamusse, além dos testemunhos do antigo administrador da Lusa Nicolau Santos, do artista moçambicano Lívio de Morais, de Virgínia de Sousa, filha da poeta, e do escritor Nelson Saúte.

Além desta iniciativa, Nelson Saúte lançou uma obra biográfica, intitulada "Se me quiseres conhecer - Noémia de Sousa: Biografia literária" para assinalar o centenário da poeta.

Pioneira da poesia no seu país e a primeira mulher negra a publicar em Moçambique, Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares (1926-2002), mais conhecida como Noémia de Sousa, deixou a sua marca na cultura e no jornalismo em língua portuguesa.

Nascida em 20 de setembro de 1926, em Catembe, Moçambique, e criada no histórico bairro da Mafalala, em Maputo, foi aí que escreveu os seus poemas que exaltam os valores africanos e de denúncia da opressão, como o célebre poema "Deixa passar o meu povo".

Perseguida pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) pelo seu ativismo e pela ligação aos movimentos de libertação, Noémia de Sousa assinava com o pseudónimo literário Vera Micaia para contornar a censura do Estado Novo. Quando começou a escrever os seus poemas, utilizava também as iniciais N. S., embora por motivos pessoais.

A sua escrita concentrou-se num período muito curto, entre 1948 e 1951, mas a sua obra dispersa acabou por influenciar decisivamente as futuras gerações intelectuais do seu país.

A perseguição política forçou-a ao exílio em Portugal, em 1951, e mais tarde a uma fuga "a salto" para Paris, França, em 1964.

A fuga para Paris deveu-se à ligação que tinha com o Centro de Estudos Africanos, cujas reuniões eram realizadas na Casa da Tia Andreza, tia da poeta são-tomense Alda Espírito Santo.

Após o regresso a Lisboa, dedicou a vida ao jornalismo. Já depois de ter trabalhado na ANI, ingressou na agência Reuters em 1972, transitando mais tarde para as agências de notícias portuguesas ANOP (1982-1986) e Lusa (1986-2001), onde continuou a trabalhar mesmo depois de se reformar.

Em 2001, foi publicada uma coletânea dos poemas, que escreveu entre 1948 e 1951, intitulada "Sangue Negro", pela Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO), sendo depois reeditado por Nelson Saúte em Moçambique e, mais tarde, lançado no Brasil pela editora Kapulana.

Em outubro de 2024, a obra ganhou uma edição em francês, com o título 'Sang Noir', publicada pela editora 'Project'îles'.

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