Macron condena ataques contra Kyiv e acusa Moscovo de "atacar civis"

🗓️ 2026-08-05 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

"Em Kyiv e na sua região, a Rússia voltou a optar por atacar civis. Esta política de terror, levada a cabo com mísseis e drones, é inaceitável", escreveu Emmanuel Macron na rede social X, na sequência dos ataques russos contra a capital ucraniana desta madrugada que provocaram pelo menos 17 mortos e 44 feridos.

"Cada novo ataque reforça uma verdade óbvia: a Rússia tem de pagar o preço pela sua agressão e responder pelos seus crimes", afirmou o líder francês, acrescentando que Paris continuará ao lado de Kyiv e que ambos não cederão "nem ao cansaço, nem à intimidação".

Macron garantiu ainda que a União Europeia (UE) e os seus parceiros continuarão a "aumentar a pressão sobre a Rússia" através de "novas sanções" e reforçando em simultâneo o apoio militar a Kyiv para que possa "defender-se e proteger a sua população".

Momentos antes, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já tinha condenado os ataques e apelado a mais sanções contra Moscovo.

"Uma fatia considerável da produção russa de mísseis ainda não está sujeita a sanções. São necessárias mais medidas por parte do G7 [bloco da sete maiores economias mundiais], da UE e de todos aqueles que apoiam a proteção da vida", afirmou o líder ucraniano numa publicação na plataforma Telegram.

No final do mês passado, o bloco comunitário anunciou o 21.º pacote de sanções contra Moscovo que inclui medidas para limitar as receitas e capacidades económicas da Rússia, nomeadamente sanções dirigidas aos setores energético, financeiro e dos transportes, bem como a indivíduos e entidades envolvidos no apoio à guerra da Ucrânia.

Além disso, o 21.º pacote de sanções mantém, por mais 12 meses, o atual limite máximo do preço do petróleo russo e inclui restrições abrangentes ao setor financeiro, bem como novas medidas contra as criptomoedas.

O pacote prevê ainda um número recorde de novas inclusões individuais, sanções contra navios da chamada "frota fantasma" e os seus facilitadores, medidas para restringir a concessão de vistos a antigos combatentes russos e novas restrições comerciais destinadas a limitar ainda mais a indústria militar russa.

No campo de batalha tanto a Rússia como a Ucrânia têm sido cada vez mais permeáveis a ataques com drones e mísseis balísticos.

Kyiv tem atacado refinarias e centros logísticos russos, mas tem tido cada vez mais dificuldade em repelir os ataques com mísseis balísticos da Rússia, uma vez que enfrenta uma escassez de mísseis intercetores para os sistemas Patriot.

Em relação ao mais recente ataque à região de Kyiv, o Ministério da Defesa russo afirmou ter atacado centros de transporte, logística e distribuição que, segundo Moscovo, armazenavam ou forneciam equipamento militar e drones.

Foram registados danos em "mais de sete locais" em Kyiv e incêndios "em armazéns, afetando uma área extensa", informou a administração militar, que acrescentou que "a infraestrutura residencial" também foi danificada, adiantou o ministério russo.

Zelensky deslocou-se na semana passada a Washington para tentar obter do homólogo norte-americano, Donald Trump, mísseis Patriot, os únicos capazes de intercetar os mísseis balísticos russos.

Segundo o jornal Financial Times, Trump acabou por recusar este pedido devido à escassez de Patriot nos 'stocks' norte-americanos desde o início da guerra no Médio Oriente, que começou no final de fevereiro.

O líder norte-americano tinha inicialmente anunciado a sua intenção de autorizar a Ucrânia a produzir estes mísseis, mas terá aparentemente voltado atrás na decisão.

Mais de quatro anos após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, os ataques intensificaram-se em ambos os lados de uma linha da frente praticamente imóvel, causando um número crescente de vítimas civis.

A própria Ucrânia atacou, nas últimas semanas, em várias ocasiões, armazéns e instalações logísticas na Rússia, nomeadamente os pertencentes ao gigante do comércio eletrónico Wildberries, empresa frequentemente descrita como a "Amazon russa", provocando incêndios de grandes proporções.

Já na Rússia pelo menos dez pessoas ficaram hoje feridas em ataques com drones ucranianos nas regiões de Belgorod e Kursk, na fronteira com a Ucrânia, segundo informaram as autoridades locais.

Na região de Tula, a sul de Moscovo, um centro de triagem da Wildberries incendiou-se após um ataque com drones ucranianos, indicou também hoje o governador local, Dmitri Milayev.

O conselheiro do Presidente ucraniano, Serguéi Beskrestnov, afirmou no Telegram que "a guerra de desgaste" entre a Rússia e a Ucrânia tinha agora "entrado numa nova fase", com ataques contra "tudo o que se encontra ao seu alcance".

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