MAI, obras e demissão? "Inquérito para quê? Ficar em segredo de justiça?"
O antigo ministro da Cultura Pedro Adão e Silva considerou que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, já deveria ter dado respostas em relação à polémica em que está envolvido - e que, face ao silêncio e possibilidade de Neves não se demitir, deve ser o primeiro-ministro, Luís Montenegro a tomar medidas... ou até o Presidente da República, António José Seguro.
"O primeiro-ministro está em estado de negação. Acho esta história incompreensível. Já passou tempo suficiente para termos um esclarecimento cabal de questões que são relativamente simples", referiu, na quinta-feira, no seu espaço de comentário na CNN Portugal.
Sublinhando que a polémica que envolve Neves, um empreiteiro da Polícia Judiciária (PJ) e até um atrelado que deixou de estar à guarda desta autoridade tem "várias dimensões", apontou: "Um tem a ver com questões pessoais, de Luís Neves, as obras em casa [...], mas há questões que têm a ver com a proteção da imagem da Polícia Judiciária. E essas são incompreensíveis. Não lembra ao careca que alguém que é diretor da Polícia Judiciária [...] se lembre de levar esse empreiteiro [que fez obras para a PJ] a fazer obras na sua casa pessoal. É uma coisa incompreensível. Acho que não há explicação plausível para isso".
Apesar críticas, o antigo ministro da Cultura referiu, no entanto, que mesmo a situação acima descrita "não é uma ameaça à imagem pública e à credibilidade e integridade da PJ".
"A história do atrelado... já passou uma semana. E uma semana para responder a questões concretas: quem é que autorizou e porque é que autorizou que aquele atrelado, que estava arrestado à guarda da PJ, tenha ido parar, curiosamente, ao mesmo empreiteiro que estava a fazer obras na casa do diretor da PJ", sublinhou.
"Inquérito para quê? Para ficar em segredo de justiça?"
Face às reações, que entre críticas da Oposição e possibilidades de investigações e mesmo de uma comissão parlamentar de inquérito, o antigo governante confessou que o "preocupa" que os "mesmos erros" sejam sempre cometidos: "Esta propensão para judicializar aquilo que é a avaliação política e ética que podemos fazer. Não precisamos de comissões parlamentares de inquérito, precisamos de informação plausível sobre aqueles factos. E inquérito para quê? Para ficar em segredo de justiça? Uma comissão parlamentar de inquérito para os deputados acharem que são procuradores do Ministério Público a fazerem diretos para a TV?"
Reforçando que "não compreendia" como é que ainda não havia uma explicação clara sobre o atrelado passada uma semana da divulgação desta informação, Adão e Silva sublinhou que "o tempo era muito importante nestas questões" e sugeriu que não haverá uma "boa explicação" para a situação.
"Não tendo havido uma resposta clara a questões simples e lineares, o ministro já se devia ter demitido. Se não se demitisse, o primeiro-ministro devia demiti-lo. E se o primeiro-ministro não percebe isto, o Presidente da República já devia ter tomado uma posição", elencou.
Confessando que apesar de a sua "exigência ética em relação a um Governo liderado por Luís Montenegro ser baixíssima", distinguiu: "Isto não tem a ver com o Governo, tem a ver com a PJ. E é isso que o Presidente devia ter como consideração. Não percebo porque é que ainda estamos aqui".
[Notícia atualizada às 09h18]
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