Mais alunos e grandes desigualdades no sistema educativo português
Quanto ao Ensino Superior, “persistem assimetrias no acesso e na conclusão dos cursos”. A Pordata (base estatística da Fundação Francisco Manuel dos Santos) regista também um aumento no número de estudantes estrangeiros.
Em termos globais, apesar da quebra no pré-escolar e secundário, no ano letivo 2024/2025, o sistema educativo do país teve mais 9.326 alunos do que em 2023/2024.Este crescimento resulta sobretudo do aumento de alunos no 1º ciclo do ensino básico e no ensino superior.
“Esta tendência contraria as previsões baseadas na natalidade e reflete, em grande medida, o forte crescimento populacional relacionado com o aumento da imigração”, refere a Pordata.
“Em sentido inverso, os dados revelam uma quebra de quase 4 mil alunos no pré-escolar e de mais de 3 mil no ensino secundário.”
No caso concreto do ensino pré-escolar, o estudo chama a atenção para a diminuição do número de crianças. “Entre 2024 e 2025, as estimativas populacionais do INE apontam para menos 10.355 crianças dos 3 aos 5 anos”, ou seja, “uma redução de 4%”.
Escolaridade obrigatória
Na última década, o número de alunos inscritos do 1º ao 12º ano diminuiu cerca de sete por cento. Ou seja, o sistema educativo português perdeu, em dez anos, mais de 95 mil alunos.
Apesar disso, no ano letivo 2024/2025, “os dados mostram uma ligeira recuperação, de 0,3%, em relação ao ano letivo de 2023/2024, impulsionada pelo aumento de 2,2% no 1º ciclo e de 0,9% nas vias profissionalizantes do ensino secundário”, sublinha a Pordata.
Aliás, no que diz respeito às vias profissionalizantes do ensino secundário, as escolas privadas concentram praticamente metade do total de alunos no ensino profissional.
“Em dez anos, o peso do privado no ensino profissional aumentou de 33,4%, em 2014/2015, para 45,3%, em 2024/2025”.
Comparando o público e o privado, nos níveis da escolaridade obrigatória, o estudo indica que “no ensino básico e no ensino secundário geral, cerca de 12% a 14% dos alunos, consoante o ciclo, frequentam escolas privadas”.
Houve ainda uma ligeira diminuição, nos últimos cinco anos, no número de crianças que frequentam o pré-escolar na rede privada, incluindo a rede privada subsidiada pelo Estado.
“Os infantários da rede privada, incluindo a rede privada subsidiada pelo Estado, abrangem mais de 45% das crianças que frequentam o pré-escolar, menos cerca de 2 pontos percentuais do que há cinco anos”.