Mais de 15 mil manifestam-se em Ceuta por respostas para a crise
A manifestação foi organizada pelo movimento Quatro Culturas, que reúne os principais grupos religiosos da cidade e juntou na Plaza de la Constitución cristãos, muçulmanos, hindus e judeus sob o lema "Basta! Ceuta não se renderá".
O presidente da comunidade hindu e porta-voz do comité organizador, Ramesh Chandiramani, leu um manifesto do movimento, depois de ter sido observado um minuto de silêncio em memória das vítimas mortais da entrada em massa no território norte-africano espanhol ocorrida no dia 30 de julho, 83 apenas em águas espanholas. A maioria dos cerca de 60 mil migrantes que entraram em Ceuta, muitos deles a nado, já regressou a Marrocos.
O Quatro Culturas manifestou a sua disponibilidade para "fazer parte da solução" e afirmou que o encontro foi realizado para expressar o que une o povo de Ceuta "acima de quaisquer diferenças de credo, cultura, origem ou tradição".
O movimento disse que Ceuta viveu "uma situação extraordinariamente crítica" devido ao que considera "uma violação da sua integridade territorial" e exigiu "meios suficientes, recursos humanos e materiais, atenção prioritária às fronteiras e uma resposta estável" que garantam a segurança, a assistência humanitária, a proteção dos serviços públicos e o bem-estar dos cidadãos.
"Ceuta não pode enfrentar sozinha uma situação que ultrapassa em muito as suas capacidades e que afeta toda a Espanha e a Europa", afirmaram os representantes religiosos.
Os manifestantes gritaram palavras de ordem relacionadas com a situação migratória e a defesa da identidade espanhola da cidade, enquanto agitavam bandeiras de Espanha e de Ceuta.
Participaram na concentração o presidente da cidade autónoma do Partido Popular (PP), Juan Vivas, e membros do seu governo, bem como representantes dos partidos Ceuta Ya!, Socialista Operário Espanhol (PSOE) e Movimento pela Dignidade e Cidadania (MDyC), mas não do Vox (extrema-direita).
De acordo com a Europa Press, no final, "um grande número de participantes iniciou uma marcha espontânea em direção à Plaza de los Reyes, onde se situa a sede da Delegação do Governo", junto à qual a polícia estabeleceu um perímetro de segurança, com vários veículos e agentes da polícia de choque.
Depois de "mais de meia hora" de protesto, com críticas ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e ao ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, e pedidos de demissão do delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, os manifestantes abandonaram o local, refere a agência.
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