Mais um título que foi conseguido há 373 dias em Copenhaga (a crónica do FC Porto-Torreense)

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De madrugada, Pedro Proença deslocava-se até Tomar para falar com todos os árbitros que tinham decidido suspender a primeira Ação de Reciclagem e Avaliação da nova temporada de 2026/27. Fez aquele pedido de desculpas “formal”, ouviu alguns pedidos da classe a nível de condições de treino, assegurou que existe um processo em construção para melhorar a arbitragem nacional, “desfez” a suspensão e a Supertaça já estava garantida. Antes, os responsáveis do FC Porto tinham passado pelo relvado do Estádio Cidade de Coimbra e ficaram horrorizados com o estado do campo, que mereceu mesmo um protesto formal por parte dos dragões antes da final. E havia também dúvidas em relação à escolha do recinto no primeiro dia de agosto, com tudo o que isso poderia ter em termos de assistência. Afinal, remédio santo, era só uma questão de rolar a bola e tudo passou. 68 dias depois da final da Taça de Portugal no Jamor, começava a nova época nacional.

Supertaça. Conhecidos os onzes iniciais do FC Porto-Torreense, André Silva joga de início

Isso era também o gatilho para equilibrar na teoria aquilo que seria sempre desequilibrado. Em condições normais, o FC Porto partia como claro favorito. Por ser o campeão em título, por defrontar uma equipa do segundo escalão, por ser melhor em termos individuais e coletivos. No entanto, e como o Torreense mostrou no final da última temporada, a teoria nem sempre passa à prática de forma lógica. E era isso que nivelava aquilo que dificilmente poderia ser nivelado, mesmo tomando em linha de conta que se tratava do primeiro encontro oficial da época depois de alguns testes que foram desbloqueando o melhor dos dragões.

“Acho que trabalhámos da forma correta durante a pré-época, desde o primeiro dia. Obviamente que este tem sido o nosso objetivo, tínhamos uma contagem decrescente para chegar a este dia na melhor forma possível. Os jogadores voltaram das férias em excelente forma, trabalharam muito afincadamente, dia após dia. Por isso, penso que mentalmente e fisicamente estamos onde temos de estar. E, claro, agora cabe-nos transferir todo o trabalho que investimos numa grande exibição para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para vencer este troféu”, apontara Francesco Farioli, sem passar ao lado da questão do relvado: “Estávamos a brincar há pouco que descobrimos um novo tipo de relvado híbrido: com relva e sem relva! Mas é o que é. Chegamos a este jogo com muita incerteza, mas temos de colocar tudo agora de parte”.

O FC Porto conquista a 25.ª Supertaça Cândido de Oliveira:
25 FC Porto
10 Benfica
9 Sporting
3 Boavista
1 Vitória SC pic.twitter.com/8Gxo4hPwSa

— Playmaker (@playmaker_PT) August 1, 2026

“Acredito que, no futebol moderno, as surpresas são surpresas por não mais do que 45 minutos. A forma como jogámos e a forma como queremos ser foi muito clara no passado e será clara no futuro. Depois, isso não significa que não tenhamos margem de melhoria. Quando falamos de coisas a melhorar, há coisas que é preciso repetir e fazer melhor e há algumas que temos de considerar mudar – não mudar apenas por mudar mas mudar porque as exigências vão ser diferentes. A competição interna e também, claro, a Liga dos Campeões vão obrigar-nos a fazer coisas diferentes. Por isso, agora estamos novamente num momento em que temos de ver quem somos e quem queremos ser. Há princípios que não são negociáveis: ser uma equipa muito intensa, que coloca um certo nível de pressão no adversário, que com bola tem clareza sobre o que quer fazer. E, depois, há o estudo e a análise semanal sobre contra quem jogamos”, frisara.

O FC Porto ultrapassa o Benfica e passa a ser o clube português com mais títulos:
88 FC Porto
87 Benfica
57 Sporting pic.twitter.com/ylzsgQc63M

— Playmaker (@playmaker_PT) August 1, 2026

O que faltava saber? Se os testes tinham ou não sido bem feitos e que novidades poderia trazer um Torreense apostado em fazer mais história como aconteceu com o Sporting. “É sempre um pouco mais complicado ter uma imagem clara sobre quem vamos enfrentar com as novas adições e, especialmente, sobre como essas novas adições vão interagir no novo sistema. Mas acho que a imagem de quem eles são e do que fazem está lá, graças ao trabalho das pessoas envolvidas na análise do adversário. Agora cabe-nos a nós encontrar a solução adequada e a resposta certa para enfrentar o encontro”, destacara como mote para o “regresso”.

Victor Froholdt marca o 3.º golo da vitória pelo FC Porto, três vitórias por 1-0:
2026/27 Torreense [N], Supertaça (deu título)
2025/26 Rio Ave [C], Liga (jornada 23)
2025/26 Famalicão [F], Liga (jornada 11) pic.twitter.com/hm0jbZRQlh

— Playmaker (@playmaker_PT) August 1, 2026

Havia um motivo extra para procurar a vitória do lado do FC Porto, depois de uma semana complicada para Diogo Costa que, sendo o último a regressar de férias depois do Mundial, perdeu o avô esta semana, num momento com impacto no balneário. Por aí, objetivo cumprido: vitória pela margem mínima frente a um Torreense que vendeu cara a derrota, 25.ª Supertaça na história, 88.º título no futebol a passar mais uma vez o Benfica numa corrida muito particular entre ambos pelo topo dessa classificação. No entanto, e em tudo o resto, os dragões ficaram a léguas do que se esperava: atacaram mal, criaram pouco, não foram tão intensos como é habitual, andaram longe daquilo que conseguem fazer em termos físicos num encontro, concederam várias transições que não são habituais. Mais uma vez, sobrou aquele suspeito do costume. Depois do Campeonato, os portistas venceram mais um troféu graças a uma operação relâmpago concluída há 373 dias, quando Victor Froholdt foi desviado do Eintracht Frankfurt para ser o MVP e Melhor Jogador Jovem da Liga em 2025/26 e voltar agora a ser o principal destaque entre uma exibição cinzenta dos azuis e brancos.

GOALPOINT RATINGS ????
[ Porto 1 – 0 Torreense ]

???? Froholdt foi o MVP oficial e Javi Vázquez a "revelação", mas nos ratings os papeis inverteram-se. O dinamarquês foi lá acima fazer o que os colegas do ataque não conseguiram e decidiu o troféu mas o espanhol foi mesmo o mais… pic.twitter.com/djdrqq3iUH

— GoalPoint (@_Goalpoint) August 1, 2026

Ficha de jogo

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FC Porto-Torreense, 1-0

Final da Supertaça

Estádio Cidade de Coimbra

Árbitro: André Narciso (AF Setúbal)

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa (Martim Fernandes, 83′), Jan Bednarek (Alan Varela, 46′), Kiwior, Zaidu; Pablo Rosario, Gabri Veiga (Hwang Inbeom, 73′), Victor Froholdt; William Gomes (Borja Sainz, 62′), Pepê e André Silva (Deniz Gül, 62′)

Suplentes não utilizados: João Costa, Nehuén Pérez, Francisco Moura, Rodrigo Mora, Eustáquio e Oskar Pietuszewski

Treinador: Francesco Farioli

Torreense: Adriel Ramos; David Bruno (Mutombo, 77′), Stopira, Mohamed Diadié, Javi Vázquez; Léo Azevedo, Alejandro Alfaro (Zohi, 83′), Nuha Jatta (Joel Romero, 77′); Dany Jean, Luis Quintero (Baradji, 67′) e Drammeh (Zoabi, 83′)

Suplentes não utilizados: Lisandru Olmeta Pérez, Juan Alcedo, Zé Breno, João Costinha e André Simões

Treinador: Luís Tralhão

Golos: Froholdt (38′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a David Bruno (12′), Luis Quintero (18′), William Gomes (45′), Pablo Rosario (60′), Kiwior (90′) e Dany Jean (90′)

Quando Jan Bednarek recebeu a bola aos quatro minutos sem pressão da primeira linha do Torreense e foi aplaudindo de mãos no ar os companheiros quase que a acalmar os ânimos, o arranque da partida já estava descrito. Mais: se é verdade que o conjunto de Torres Vedras inaugurou o marcador no Jamor com menos de cinco minutos jogados, em Coimbra, mesmo sem golos, estava a conseguir ter muito mais bola no terreno adversário, chegava com facilidade ao último terço, ganhava cantos e deixou o campeão irreconhecível em termos ofensivos, em ataque organizado ou transições. Javi Vázquez, de livre direto, obrigou Diogo Costa à primeira intervenção apertada (3′), Drammeh teve uma má decisão na área descaído sobre a direita arriscando o cruzamento/remate com outros jogadores à espera da assistência (10′), Dany Jean arriscou a meia distância numa transição mas saiu fraco e à figura do número 99 portista (11′). Ainda houve um desvio de cabeça na área de André Silva para defesa de Adriel (12′) mas o Torreense estava por cima.

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